segunda-feira, 11 de julho de 2016

CAICÓ: COMBATER A POBREZA PARA IMPULSIONAR O DESENVOLVIMENTO

Por Professor Antônio Neves


Caicó vive período crítico de crescimento sem desenvolvimento.
Relatório do IBGE revela estatísticas constrangedoras sobre o município de Caicó. Diante dos dados econômicos averiguados, o que se constata e que temos uma cidade estruturalmente pobre e economicamente frágil, conflitante no seu mundo real ao enquadrar fantasias e concepções de grandeza que se contradizem com a realidade dos fatos, situação esta que acende o sinal de alerta para o futuro.
Estatísticas de estudos realizados nos últimos anos dão conta de que quase 16 mil pessoas não tem rendimento financeiro e 22 mil vivem apenas com 1 salário mínimo; mas como pode? A cidade, no seu cotidiano revela uma lógica de consumo e exibições de padrão de vida bem distante dos números apresentados; ou será que o que temos é uma cidade de faz de conta, que faz “das tripas coração” para manter o status das aparências?
Detalhes preocupantes apontam que o município caicoense, com uma população mais de 62 mil habitantes, mais de 60% sobrevive com, no máximo, 1 salário mínimo por mês, e mais da metade destes não têm nenhum rendimento financeiro fixo. Dai podemos entender o motivo da manutenção de um clientelismo tão grande, onde parte da população vive e sobrevive dos favores da classe política clientelista que para se manter no poder, apelam para o assistencialismo e o condicionamento humilhante do cidadão de baixa renda em troca das migalhas e favores imediatos oferecidos pelas maquinas do poder operante no estado e município, controladas por famílias e grupos políticos que repousam há mais de 40 anos no poder.
Indo mais adiante podemos observar o quanto são alarmantes os dados econômicos e sociais que se perpetuam nos bastidores da vida cotidiana caicoense pela falta de um projeto de desenvolvimento nas últimas décadas que pudesse ter destravado o atraso reinante no nosso município. Os números falam por si: 15.720 pessoas não tem nenhum tipo de renda financeira; moram na periferia da cidade e vivem quase que exclusivamente dos programas sociais do governo federal ou da prestação de serviços terceirizados de baixa remuneração, na economia informal ou dos conhecidos “bicos”.
Das 22.482 pessoas que ganham até 1 salário mínimo; a maioria está fixada no comércio, no serviço público ou asseguradas pelos benefícios da Previdência Social (aposentados e pensionistas), enquanto que 8.937 ganham de 1 a 2 salários; 2.674 ganham de 2 a 3 salários; 2.228 ganham de 3 a 5 salários; 1.433 ganham de 5 a 10 salários; 517 ganham de 10 a 20 salários; 206 ganham mais de 20 salários. Estas duas últimas categorias, formadas por profissionais liberais, comerciantes de porte médio ou de funcionários de alta patente nos serviços públicos, moram e trabalham na cidade, mas não vivem suas mazelas, crises e incertezas, desfrutam da vida nas capitais, que é para aonde investem seu capital circulante; consomem um padrão de vida incompatível com o da grandessíssima maioria dos cidadãos. São os pseudoricos, com seus carrões de luxo e penhoras nas agências de créditos da cidade.
Quem conhece bem Caicó, logo percebe que somos rodeados por um cinturão de pobreza estrutural e quase imutável. Os maiores bairros da cidade (João XXII, Paulo VI, Walfredo Gurgel, João Paulo II, Frei Damião, Barra Nova I e II), quase toda a zona norte e parte dos bairros: Paraíba, Soledade, Castelo Branco e Nova Descoberta, são ainda comunidades semiabandonadas e desassistidas pela falta de ações governamentais que implementem permanentemente políticas públicas que atendam a grande demanda das carências que atingem diretamente crianças, jovens e idosos, e ofereça a cidade serviços estruturantes, como por exemplo, espaços públicos de lazer, serviços de saúde e escolas de qualidade condizentes com a demanda do bom atendimento humano e social.
Caicó vive um mundo à parte, alienada pelas soluções paliativas de sucessivos governos que administraram, sem planejamento, nem de forma articulada, as demandas da população, sintomaticamente mais afetada por este modelo degradante de cidade. No campo, onde também reside um lastro de pobreza e abandono, não menos desigual que na cidade, é perceptível o esvaziamento de seu espaço ocupado, por não mais existir condições de sobrevivência nessas áreas. 

Pouco a pouco a cidadania é engolida pela falsa propaganda midiática de se erguer uma cidade construindo obras de concreto, com seus anseios turísticos tendenciosos, eventos festivos e tradições infecundas, esquecendo as condições humanas para o bem viver. Pelos números apresentados, o que tem prevalecido é uma miséria político-administrativa disfarçada de crescimento, mas, no entanto, tudo permanece estagnado nas estatísticas que demonstram uma cidade de aparências.
Caicó é mesmo assim, debilitada no seu próprio destino. É um modelo arcaico de cidade enquadrada na lógica dominante de décadas atrás. Vive os arroubos da vida moderna, atenta e obediente, cegamente, as regras dos mercados reguladores das novas normas, condutas e comportamentos sociais, onde a juventude é a faixa etária mais prejudicada pela um ideal de consumo predador. Somos uma cidade que cresce desordenadamente, descompromissada com os interesses de uma vida mais humanizada, mas segue firme na ostentação arrogante de uma identidade confusa, tudo em nome de um orgulho que se mantém inteiro, mesmo que a barriga esteja vazia, o corpo, mesmo sarado, esteja doente e com fome de liberdade, participação e mudanças.

Mudar é possível, mas pra melhor!

Nenhum comentário:

Postar um comentário