quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

ARTIGO - A DIFERENÇA É A SOMA

Cristina Hahn
Psicóloga e sexóloga clínica

Se for diferente, tratamos de rechaçar. Foge ao parâmetro que estabelecemos e não suportamos lidar. Preferimos tentar fugir. O que é diferente a gente separa, deixa de lado, exclui. Porque parece destoar da nossa visão e, por isso, pode causar confusão. Mas, será possível que ainda não somos capazes de encarar o diferente como algo que pode acrescentar em nossas vidas? Algo a mais, uma contribuição distinta que soma?
Um dos maiores sofrimentos do ser humano é tentar adequar o outro ao que ele pensa, sente ou acredita. Uma eterna tentativa de encaixar no modelo idealizado, um protótipo totalmente divergente que, jamais caberá na nossa forma pelo simples fato de possuir outras medidas... Porém, ainda assim insistimos nesse joguinho de inadequação que só nos causa frustração. Por que não tentar entender o diferente e aceitá-lo como direito de ser? "Porque se estivesse no lugar dele, eu faria assim. Se ele fosse como eu, provavelmente não estaria passando por isso. Não dá certo, ele é muito diferente de mim..."
Sempre encontramos uma solução embasada naquilo que acreditamos, não é? Nada do que o outro fizer parece adequado porque subtrai "nosso desejo" e dá lugar à individualidade do outro. E isso é tão doloroso para nosso ego. Entramos numa luta onde não há ganhadores porque na maioria das vezes, existe apenas um jogador. Por que não considerar todas as possibilidades considerando até o que contraria nosso querer?
Sabe, essa coisa maluca de tentar igualar tudo, nivelar, adaptar achata nossa maneira de ver a vida só nos faz separar. Separar do outro, separar de nós. Por que não tentar harmonizar o diferente somando suas forças em prol de algo sublime? Tornar igual é apagar o distinto em nome de uma monocromia que reduz a beleza das cores numa mistura homogeneamente sem vida.
Os diferentes que permiti entrarem na minha vida somaram-se a ganhos que eu jamais poderia imaginar. Compensaram minhas faltas, preencheram meus vazios e fizeram parte dos sucessos que obtive na vida. Porque hoje sou capaz de discernir o diferente apenas como algo que não é igual a mim e não como o inaceitável que me aflige por excluir. Ser diferente não é ser melhor nem pior: é ser apenas e tão somente ser diferente. Simples assim...
Ter feito às pazes com o diferente abriu minha cabeça para aceitar novas companhias, somar pessoas e afetos nas diversas áreas que atuo. Hoje sou capaz de escolher o diferente em detrimento do igual porque dessa forma me permito surpreender, fugir do previsível, aprender cada vez mais, somar. Permitir a entrada do diferente me fez sair da mesmice do que já é esperado e me deixou disposta a ir de encontro com o novo, àquilo que, com certeza, somará na divisão entre o que desejo e o que realmente sou.

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