quinta-feira, 15 de outubro de 2015

REFLEXÕES SOBRE SER PROFESSOR OU SER EDUCADOR

Muitas pessoas não distinguem os termos “professor” e “educador” e acabam por confundi-los ou tratá-los como sinônimos. Na verdade, há uma abissal diferença entre esses dois termos. Enquanto um se refere ao profissional responsável pela instrução eficiente do aluno, o outro, além de ser profissional, é vocacionado e tem como responsabilidade a formação integral do seu aprendiz.
O dicionário Aurélio, de Língua Portuguesa, define professor como “aquele que professa ou ensina uma ciência, uma arte, uma técnica, uma disciplina” Já o termo educador, que tem origem do vocábulo latim “educatore”, é definido como “aquele que educa”.
Não se pretende com este texto desconsiderar, tampouco, diminuir a figura do professor, mas diferenciá-lo dos educadores. Sendo os dois, tanto professores como educadores, fundamentais para o desenvolvimento intelectual da sociedade.
A Educação é um ato que envolve o ser humano holisticamente, ou seja, em todos os seus aspectos, sejam físicos, cognitivos ou morais. Ser educador, nessa perspectiva, implica enxergar o aluno como ser dotado de saberes, qualidades e potencialidades. O educador não está preocupado exclusivamente em repassar o conteúdo de sua disciplina, mas em compreender, entender e tornar a escola ambiente de felicidade. Para que o aluno aprenda satisfatoriamente ele precisa estar feliz.
É importante frisar que todos os educadores são professores, todavia nem todos os professores são educadores. Já ouvi muita gente falar que os professores são responsáveis por ensinar, enquanto os educadores são os atores componentes da escola. Esse pensamento é equivocado, pois educar é um ato que requer tempo, paciência e perseverança. Não se pode confundir os processos de instruir e educar, pois são distintos.
Na visão do educador, ao contrário do que pensam os professores tradicionais, considerando-se donos do saber, ele é um sujeito em constante processo de aprendizagem. O educador é aquele capaz de construir, juntamente com seus alunos, um aprendizado voltado para seus interesses e realidades. Ele não despreza as falas dos educandos, tampouco, faz uso do velho “magister dixit” (o mestre disse – expressão latina utilizada para se enfatizar algo inquestionável), vendo os erros de seus alunos não como obstáculos, mas como base para novos aprendizados e conquistas.
Encontramos muitos professores pelo Brasil a fora, mas, como enfatiza o grande educador Rubem Alves, professor é profissão, não é algo que se define por dentro, por amor. Educador, ao contrário, não é profissão; é vocação. E toda vocação nasce de um grande amor, de uma grande esperança.
Grandes educadores como Paulo Freire, Anísio Teixeira, Freinet, Ferreiro, dentre outros, contribuíram para termos uma educação mais emancipadora, democrática, participativa e consonante com as realidades dos aprendizes. Assim como há tantos outros educadores espalhados por todo o território nacional que desenvolvem sua profissão e vocação por amor, persistência e esperança. Educadores que muitas vezes saem às escuras de suas casas e percorrem 2, 3… 5 quilômetros a pé, e sempre recebem seus alunos com um abraço e um sorriso no rosto. A vocês educadores, semeadores de amor, meus aplausos e sinceros agradecimentos por enfeitarem nossos jardins, quais sejam: as escolas.

texto de Ivanilson Costa - Pedagogo

Um comentário:

  1. Parabéns pelo texto, o mesmo nos instiga a refletirmos sobre a arte de ensinar.O grande educador PAULO FREIRE CONCEITUOU a palavra ensinar como: criar possibilidades para a produção do saber.O Educador norteando-se por este saber deve reforçar a capacidade crítica do educando auxiliando-o a tornar-se criador, investigador, inquieto, rigorosamente curioso, humilde e persistente. Esperamos que cada professor possa refletir sobre esta importante ação, tornando assim cidadãos críticos e conscientes.

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