terça-feira, 25 de agosto de 2015

POESIA REGIONAL

BASTA SERTANEJO
Abel/A. Neves

O sertanejo tem muita paciência
Mas ninguém suporta aguentar
Deitar-se à noite sem jantar
Humilhar-se em frente de emergência.
Pedir chuva à Santa Providência
Na panela só ter água e feijão
Andar a toa no próprio chão
Queimando os pés na terra quente
Não há sertanejo que aguente
Viver abandonado no sertão.

Sertanejo com toda valentia
Não merece viver uma vida rude
Ficar doente, sem direito à saúde.
E nem come carne todo dia.
Não pagar um pedido em cantoria
Ter carteira e não ter nenhum tostão;
E o político em tempo de eleição
Abraçá-lo feliz e sorridente
Não há sertanejo que aguente
Viver abandonado no sertão.

O caboclo do sertão não se consola
De ter por transporte um jumento
Sua filha não buscar conhecimento
Por não frequentar boa escola.
No inverno um riacho lhe isola
Na seca, ele mendiga sem pão.
Calo seco deixa-lhe marcas na mão
Tem a pele queimada e doente
Não há sertanejo que aguente
Viver abandonado no sertão.

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