terça-feira, 25 de agosto de 2015

DINHEIRO E (OU) FELICIDADE

Cristina Hahn - psicóloga e sexóloga clínica
A frase "dinheiro não traz felicidade", muito usada, talvez seja uma forma de dizer que o dinheiro, sozinho, não tem capacidade de curar os males do corpo e da alma. Isto é, alguém extremamente infeliz e perturbado pode possuir montanhas de dinheiro, sem que isso mude seu estado negativo.
De fato o dinheiro compra diversas coisas que parecem nos fazer feliz, mas se é assim, por que vejo, constato e escuto pessoas com muito dinheiro, cheias de coisas, porém infelizes? Aliás, arrisco-me a dizer que, na minha "experiência escutatória", tenho tido a oportunidade de conhecer muitos sujeitos felizes pobres e poucos os chamados ricos felizes. Curiosamente, muitos sujeitos referem ser mais infelizes depois que ficaram milionários - parece espantoso, mas isso é verdadeiro. Nós vivemos de sonhos e conquistas e quando isso é saciado, passamos a não ter tantos objetivos. A falta de objetivos é um dos motivos que levam a depressão - isso não quer dizer que o dinheiro é o culpado. A única certeza é que o dinheiro pode mudar uma pessoa, seja para melhor ou pior...
Embora os males e os benefícios do dinheiro sejam conhecidos, não há como negar o valor desse instrumento. Trocando em miúdos, o dinheiro não é uma coisa boa nem má. O bem e o mal vêm do que é feito com o dinheiro, e não dele mesmo. O dinheiro pode comprar uma linda casa, mas como comprar pessoas para enchê-la de alegria verdadeira através de uma família? O dinheiro pode comprar carros modernos, potentes, mas como comprar o desejo de "dirigir" em busca de um sonho? O dinheiro pode comprar viagens fantásticas, com destinos inimagináveis, mas como comprar a companhia perfeita para desfrutar esse passeio? O dinheiro pode comprar os melhores cursos, mas como comprar a realização pessoal no trabalho? O dinheiro compra joias, mas como comprar valores que são ouro no que tange à dignidade?
Não quero ser hipócrita! Dinheiro é muito bom como ferramenta: Traz conforto, é capaz de nos proporcionar novas experiências e isso sim, é muito valioso. O problema do dinheiro é que ele não compra afetos... Por isso, dificilmente compensa o vazio que possuímos nesse quesito. Comprar coisas não preenche as lacunas da alma... Parece que engana, mas de maneira fugaz, em tempo suficientemente ligeiro para nos darmos conta de que a falta permanece. Talvez seja uma questão de ordem. Quando estamos repletos de felicidade, o pouco nos sustenta. Na verdade, o que nos sustenta são os sentimentos que nos nutrem...
A felicidade é a combinação de vários fatores, e não de apenas um. Trabalho, lazer, tempo que se investe com a família, com os amigos, enfim, tudo é uma aglomeração que contribui ou não para a nossa felicidade. As coisas simples também não tem preço. Nelas podemos sentir enorme satisfação sem precisar de fortunas para garantir prazer.
Para finalizar, deixo algumas provocações: Encontramos mais prazer nas coisas ou nas pessoas? Passamos a vida em busca de ter ou de ser algo? O que você faria se só tivesse 24 horas de vida? Passaria mais tempo com as coisas que você acumulou na vida ou com as pessoas que amou?

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