sábado, 31 de outubro de 2015

CASAMENTO, FELICIDADE E CONFLITOS

“Casais precisam entender que a felicidade é transitória”, diz a psicóloga e terapeuta, Ana Canosa
Divisão de tarefas, questões financeiras, discordância com a educação dos filhos e a sogra são os principais motivos de brigas entre marido e mulher, afirma especialista Ana Canosa. “Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”. O ditado popular é contrariado pela psicóloga e terapeuta sexual. A especialista diz que as divergências entre os casais estão geralmente baseadas na ideia equivocada de felicidade contínua. “Os casais precisam entender que a felicidade é transitória, e não uma constante nas relações”, alerta Ana. Isso não quer dizer que ser infeliz ao lado de alguém é normal e aceitável, mas aprender a lidar com altos e baixos – de alegria, de tesão e de cumplicidade – é requisito básico para um bom relacionamento.
Mas de acordo com a psicóloga e terapeuta, os casais estão cada vez menos dispostos a dar uma segunda chance quando um casamento entra em crise. “As pessoas estão muito autônomas e se acham autossuficientes, investem menos na relação em longo prazo, desistem logo”, ressalta.
Por que os casais brigam tanto? Os motivos que levam marido e mulher a brigar são diferentes, segundo Ana. Elas ficam totalmente desestimuladas quando seus pares não ajudam nas tarefas domésticas ou na educação dos filhos. Essa não divisão de tarefas é interpretada como pouco amor e falta de consideração. “Muitas reclamam também da falta de intimidade, e não estamos falando de sexo, mas de conversar sobre os mais variados assuntos”, explica.
Nas queixas deles, a falta de intimidade se refere mesmo à falta de sexo. Os maridos reclamam ainda que têm menos relações sexuais do que gostariam e que o desejo sexual feminino é geralmente baixo, muito diferente da época de namoro. Como era de se esperar, a insatisfação combinada dos dois lados gera infelicidade e muitas brigas.
Casamento sem sexo: Por vários motivos a frequência sexual dos casais costuma diminuir com o tempo, sem que isso signifique necessariamente falta de amor entre os parceiros. “O amor é um sentimento que nasce na relação com o outro, que visa o bem-estar, o bem-querer. Já o sexo é uma energia curiosa e criativa, que nasce no próprio sujeito, independe do outro”, esclarece Ana.
Para homens e mulheres, a conquista é uma fase extremamente estimulante do jogo sensual, e obviamente, depois de alguns anos de convivência, a segurança elimina qualquer possibilidade de sentir “frio na barriga”. Vale a pena abrir mão do casamento para viver outras emoções? Casamentos mais liberais resolvem este problema? Investir em recursos para reacender o interesse mútuo é uma saída? Tudo isso deve ser discutido caso a caso, não existe uma fórmula única para todos os casais. Pior é ignorar.
Crise dos sete anos antecipada: A já citada falta de paciência dos casais com os conflitos tem antecipado à conhecida "crise dos sete anos". Com tantos compromissos e estresse da vida moderna, lidar com mais um problema é a última coisa que qualquer pessoa deseja ao chegar a casa. Ana conta que hoje vários casamentos acabam muito antes deste tempo – a crise dos sete anos deveria sinalizar o primeiro grande conflito a ser superado, e não o ponto final. A expert até lista os principais detonadores das brigas. Em ordem aleatória, são eles: a divisão de tarefas, as questões financeiras, a falta de comunicação, a discordância com a educação dos filhos e os problemas com a família do outro.
Dentre os problemas familiares, se destacam os conflitos com a sogra. Mas quanto a isso, a conciliadora tem uma opinião bem clara. “A sogra só destrói o casamento se o filho (ou a filha) permitir. O filho deve ser o primeiro a colocar limites na própria mãe, e depois a esposa também precisa agir”, avisa.
Com relação aos filhos, a falta de estrutura psicológica de muitos casais é percebida de forma mais clara com a chegada deles. E o que era para ser motivo de alegria acaba provocando crises consecutivas. “Ter filho dentro do casamento é um projeto que deve ser dos dois, um desejo do marido e da mulher”, lembra à conciliadora. “Eles devem estar dispostos a abrir mão de um modo de viver por outro. Quando o filho é um projeto individual, a estrutura familiar tende a ser abalada”, completa Ana. O projeto de aumentar a família também não deve acontecer por uma motivação errada, como a ideia de ‘salvar a relação’. “É um erro gravíssimo”, adverte.
Final Feliz: Entre as três causas apontadas por Ana como principais motivadoras da separação, só a violência parece ser incontornável. As outras duas – a infidelidade e a sensação de não ser amado – podem ser resolvidas se o casal estiver disposto a recuperar o casamento. “Se eles desejarem-se como parceiros e enfrentarem os problemas juntos, bem como desfrutarem das conquistas e dos prazeres, a somatória pode desencadear um belo ‘final feliz'”.
Por Ricardo Donisete - IG

Um comentário:

  1. É difícil imaginar um relacionamento, seja namoro, casamento ou amizades, sem que não haja comflitos. mas tem sempre aqueles que vivem no mundo dos contos de fadas, querendo homens super perfeitos ou mulheres sem defeitos, ai não dá. Acho que as mulheres, mais que os homens, foram acometidas por essa coisa dos contos de fadas, do homem tipo ideal, do super cavalheiro dos filmes americanos ou das novelas que sempre tem um final feliz, onde o casamento é um par perfeito, pena que depois do final não dá pra ver como aquele casal vai viver no seu dia a dia.Por fim, casamento, namoro são feitos de altos e baixos, como diz a psicóloga neste texto. somente uma coisa está em alta hoje em dia entre os casais, cada um que exija mais do outro a cobrança da obrigação de felicidade instatnea e permanente pela ideia egoísta e equivocada do felizes para sempre, como se, ter problemas fosse evitável...

    Jussara Dutra - professora

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