quinta-feira, 26 de novembro de 2015

O MUNDO: REFLEXÕES E UTOPIAS

O MUNDO É PLANO, MAS A VIDA É CHEIA DE CURVAS
Por Antônio Neves
Quando Roberto Carlos cantava que “será que tudo o que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda...”, o mundo vivia outros valores, com os comportamentos e as expectativas sobre o homem moderno em completo estágio de transição, apontando para mudanças que a própria sociedade exigia como meio de libertação, confrontação de ideias e conceitos combatidos pela lógica dominante daquela época...
Naquele tempo, o mundo ainda era romântico, acreditava na transformação do sujeito histórico pela via dos processos revolucionários que buscavam acabar com a exploração do homem, pelo próprio homem e, tinha em muitos deles, uma referência de liderança, credibilidade e esperança que nos guiava para caminhos menos degradantes com perspectivas de solidariedade junto a povos e nações: Abrahan Lincon, Arafat, Chaplin, Gandi, Guevara, Luther king, Teresa de Calcutar, João XXIII, Mandela, Einstein, Chico Mendes, Dom Helder Câmara, apenas para citar alguns que com suas ações e pensamentos contribuíram para levar a humanidade a uma série de questionamentos sobre que tipo de mundo nós estávamos dispostos a construir e deixar para nossos filhos e netos.
Hoje, o mundo moderno, com suas liberdades conquistadas, com o advento e uso das mais avançadas tecnologias, principalmente as da comunicação, vive conflitos de afirmação e objetividade real. As sociedades mudaram, e muito; as pessoas, também, mas a pergunta que se faz é: por que depois de tantas conquistas e avanços a humanidade vive uma crise existencial tão forte, a ponto de colocar em risco a própria sobrevivência da espécie sem nenhuma recapitulação que evite o caos?
Num contraponto ao que Roberto Carlos cantava no passado, hoje, o ilegal já é permitido, atenta contra a ética e outros bens humanos, o imoral é vendido e consumido via televisão, internet, nas famílias e até nas escolas como algo comum aos tempos modernos permitidos pela democracia social, através do direito de ir e vir pelas oportunidades de escolhas; engordar virou afronta a boa aparência, a estética, ao belo, o que importa é a embalagem. Mulheres e homens, ainda jovens, antes mesmo de aprenderem ou praticarem hábitos e atitudes mais racionais para o bem estar da vida cotidiana, tornam-se escravos da balança, das academias, dos conceitos e preconceitos que determinam o que é mais apropriado para serem feliz, a partir do culto ao corpo, indiferentes ao que alimenta a alma, fortalece o espírito e amplia os conhecimentos da mente que formam o intelecto.
Num mundo aonde tudo chega pronto e acabado, a necessidade do pensar criticamente, construtivamente, tornou-se atividade inútil e evitada, tudo fica mais cômodo comprando feito, basta apertar o controle remoto. Pensar impõe descobertas, leva ao encontro fatal com seu eu intimamente, e nem sempre a realidade revelada é a que os egos inflamados gostariam de descobrir, assim, melhor então fantasiar a realidade. Pensar exige tempo, e hoje, quase ninguém tem tempo, muitos estão correndo atrás de uma felicidade que nunca chega, e não conseguem definir muito bem o que fazer com ela quando a encontrar. A vida se dissolve em movimentos frenéticos e velozes, tudo muda rápido demais, nada permanece por muito tempo, vive-se a regra do descartável. Hoje em dia, nada é mais descartável que o próprio ser humano, resistente e alienado nos seus desejos toscos e angústias fatalistas.
O ser humano acostumou-se involuntariamente a materializar somente o que está por fora de si, por dentro o espírito não encontra espaço para juntar-se ao que é verdadeiramente essencial. Virou forma natural à indiferença ao outro. São corpos e mentes domesticadas e docilizados, rebelando-se contra o diferente, discriminando o que não é “normal”, simplesmente por ter se adaptado a uma padronização de condutas e pensamentos onde ser diferente é inapropriado a ideia planificada de felicidade instantânea facilmente encontrada em qualquer discurso que induz a todos a dizer “SIM” a todo o momento, sem nunca se permitir questionar nada nem por quê. A vida tornou-se mais cômoda e descompromissada via online, até para encontrar um “grande amor” não precisa fazer muito esforço, o rótulo e as aparências dos corpos sarados e sorrisos amarelos bastam para suprir prazeres introduzidos nas relações idealizadas pela busca constante do tipo ideal. As opções são variadas.
Há uma ideia mal definida em voga que vem dispersando os verdadeiros conceitos de liberdade e individualidade para as realizações pessoais. Parece que, quanto mais informação e quanto mais fácil torna-se o acesso a ela, mais o indivíduo está confuso no desempenho da simplicidade do seu papel humano, social e histórico. Vivemos numa nova Torre de Babel onde todos se comunicam, mas ninguém se entende. Quanto mais se fala de paz, mais as guerras e a violência se faz presente. Quanto mais se busca o amor, mais distantes se tornam os corações através das expressões de paixões egoístas. É a contradição entre o que se deseja e o que se realiza. A nau da vida está à deriva.
Para os dias de hoje, onde todos estão parecidos demais, (o jeito de andar, de sorrir, de se vestir, de gostar, de concordar, de sentir prazer, de dizer não e de dizer “te amo”, etc), parece que ser diferente, pensar diferente ou desejar diferente do que não é padrão nem é Narciso, torna-se tão inaceitável quanto não ter uma identidade compatível com este modelo de sociedade onde tudo é permitido, inclusive, aceitar a ordem vigente sem questionar sua necessidade ou utilidade prática de ser. O que esperar de um mundo onde as pessoas já não tem certeza daquilo que pensam que são?  
Alias, nesse mundo artificial, cheio de promessas de salvação imediata, onde o sujeito consumidor adotou cegamente a ideia de que, só há afirmação pessoal pela quantidade e o valor material do que se consume; ser feliz tornou-se subjetivo demais, pois há quem ache que, tudo se resume a um punhado de grana na conta bancária, ao último modelo de celular, o carro do ano, o final de semana regado a festas, o orgasmo frenético e diário dos impulsos sexuais sem nenhum apelo sentimental. No fim de tudo, prevalece a falsa ideia de que, se outros podem você também pode, como se o que é bom para seu vizinho tenha que ser bom pra você também.
Apesar do Mundo Plano em que vivemos hoje, viver é muito mais do que isso! Aproxima-se o irreversível momento de se reinventar o ser humano, pois, outro mundo é possível.

Um comentário:

  1. Sem sombras de dúvidas, tem gente que vive reclamand de tudo, sem saber o que fazer com o qu está em sua volta.

    Este texto é um tapa na cara de quem se nega a enxergar a realidade e vive correndo atras de fantasias. peço sua autorização para trablhar este texto com meus alunos para q els possam refletir sobre o q tá escrito aqui.

    professor Soares Wanderley

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