sexta-feira, 24 de junho de 2016

HORA DE SE OUVIR

SILÊNCIO!
Por Cristina Hahn
Psicóloga e sexóloga clínica

Silêncio! Silenciar e ouvir o que diz o coração. Na maioria das vezes falamos e calamos o coração. Parece mais fácil ouvir a voz da fala, aquela que sai pela boca, que lapida o bruto para resultar no dito. Trabalhando com a fala, escutando o referido, acabei por aprender a auscultar o silêncio. O ato de calar expressa uma linguagem muda de sons, mas falante de sentido.

Silêncio! Muitas vezes pedido, poucas vezes dado. Muitas vezes dado, poucas vezes sentido. Para muitos ele incomoda, desnorteia. Exige de quem o faz, sabedoria e de quem o ouve, paciência. Não fomos educados para o silêncio. Fomos formados (ou deformados?) para sempre dizer alguma coisa. O silêncio parece consentir, mas muitas vezes nega o direito de falar. O silêncio emudece, acalma, sossega. Extingue os ruídos para deixar o som tácito que desperta o escutar. Escutar o não dito, o além do dito, o interdito.

Buscar a fala quando o silêncio elucida, é deixar que as palavras encobrissem a verdade silenciada na voz. Quantas vezes me vi diante do outro, quieta, em pleno discurso mudo, com um olhar simbólico, um gesto expressivo e caí no erro de falar, omitir o direito do silêncio se comunicar. Somos guiados pelo vício de considerar o quantitativo o quanto se pode quantificar: o que vemos, o que ouvimos, o que dizemos. Tudo firmado pela nossa medíocre necessidade de notificar, tornar real e palpável o dito, o falado, o escutado. Esquecemos que o silêncio deixa em branco, nossa tentativa de elucidar, concluir, fechar. Deixa em aberto porque se explica no “não dizer” e se justifica por não tentar explicar...

Tinha medo do silêncio porque me encontrava comigo mesma. Respondia calada o que insistia em perguntar. Refletia, questionava, associava e percebia que, às vezes, sozinha o diálogo era mais justo, mesmo disfarçado de monólogo. Era diálogo! Era eu e o silêncio tentando encontrar sentido nas palavras perdidas no tempo... Ah silêncio! Como aprendi com seu falar... Palavras que pouco diz do muito que falam e do nada que são.

Palavra: expressão ingrata do que realmente sentimos... Silêncio: manifestação justa daquilo que não se fala. Não por palavras...

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