quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

PRECONCEITO CONTRA QUEM TRABALHA

GARIS SOFREM PRECONCIETO E DESCRIMINAÇÃO NO EXERCÍCIO DIÁRIO DA PROFISSÃO
Sem o trabalho dos garis, o que seria das cidades? Apesar disso, eles não são reconhecidos, sofrem com a invisibilidade social e sentem a discriminação diária nas ruas.


As cores fortes do uniforme deveriam colaborar para que eles não passassem despercebidos. De longe, é fácil localizá-los espalhados em duplas ou equipes por praças, parques e ruas. E eles estão lá, todos os dias da semana, faça chuva ou faça sol. Apesar de serem essenciais para a vida nas cidades, os garis convivem diariamente com o desprezo e a invisibilidade dos cidadãos, justamente os mais beneficiados pelo serviço desses profissionais. Situações discriminatórias são comuns, e grande parte dos trabalhadores relata o constrangimento com frequência.
A psicóloga Cleide Sousa, pesquisadora associada do laboratório de psicologia ambiental da Universidade de Brasília (UnB), explica que as profissões de gari e outros tipos de limpeza são vistas como subalternidade. "É como se eles próprios se tornassem o lixo. O lixo na nossa sociedade é associado a uma atitude negativa. As pessoas sentem aversão ao lixo e isso reflete no modo em que os profissionais são tratados", afirma. Segundo a pesquisadora, que já realizou trabalhos na área, o tipo de trabalho dos profissionais os torna seres invisíveis para a maioria das pessoas.
O pernambucano Severino Caetano da Silva, de 54 anos, sabe bem a que ponto chega à falta de respeito das pessoas. Gari há 20 anos, ele já viveu diversas experiências negativas nas ruas onde trabalhou. "Tem gente que passa de carro e abre a janela para jogar lixo bem na minha frente, onde estou limpando, só para provocar. Às vezes também falam coisas ruins. Eu não entendo, não faço mal para ninguém. Tem gente que não respeita mesmo", conta.
De acordo com pesquisa, os garis relatam que o preconceito também aparece entre os vizinhos, amigos e até mesmo familiares. Do total, 37% dos varredores de rua afirmam sofrer discriminação sempre e 31% frequentemente. Outro fator comum na profissão é a falta de consideração, como explica Cleide. "Eu fiz uma pesquisa piloto que mostrou que os profissionais da limpeza não se sentem reconhecidos. A limpeza e o lixo são propriedades do governo. Toda vez que uma pessoa elogia a limpeza de uma cidade, esse mérito vai para o governo. As pessoas nunca se lembram dos garis", afirma.
Fonte: Folha Universal

Um comentário:

  1. O Sindicato está de parabéns por divulgar estas informações. O pior de todas essas injustiças, é que os próprios professores "a maioria" comungam com a atitude do gestor público deste município. parece que os professores torcem que o prefeito não dê almento, uma vez que eles além de não entrarem na luta, ainda ficam com raiva dos que entram. Mas, acredito que como na greve anterior obtivemos algum resultado positivo, pouco, por que foi proporcional a força dos trabalhadores da educação, se todos estivessem lutados o resultados terim sido maiores, porém torço fortemente que este ano os professores da prefeitura de Caicó desejem melhorias para eles e não o regresso.

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