sábado, 22 de agosto de 2015

PRESERVANDO A HISTÓRIA

Rio Grande do Norte guarda obras artísticas e arquitetônicas de valores incalculáveis, mas sem conhecimento do público.
Uma época nova está aí e quem não acompanha o ritmo do admirável mundo novo corre o risco do esquecimento. Há uma nova arte, novas tecnologias e formas de comunicação e interatividade em constante mutação. No rastro dessa evolução, museus deixaram para trás a fórmula de Prédio-sede de exposições estáticas sem qualquer atrativo. Hoje são centros de arte moderna e comungados com a nova realidade global. Menos na província potiguar. Por aqui os museus vivem mesmo do passado, no sentido do atraso. Mas há também a guarda de raridades artísticas e arquitetônicas de valores incalculáveis e sem qualquer conhecimento do público.
Pertinho de você há preciosidades de fácil alcance. Basta uma visita ou viagem à história de cada peça do acervo material mantido em terras potiguares. No Eremitério do Santo Lenho, em Macaíba, há peças consideradas raras no mundo, a exemplo do véu que cobriu o rosto do papa João XXIII após sua morte; o pó dos ossos de São Francisco de Assis, e outras 900 peças sacras. O Eremitério é mantido pela Arquidiocese de Natal e só abre à visitação pública uma vez ao mês. Uma guardiã da cultura religiosa mundial restrita a poucos privilegiados. A falta de investimento governamental no setor museológico poderia dar lugar ao patrocínio da abertura do lugar ao público e ao turismo religioso.
Com os museus Câmara Cascudo, Café Filho e Parque da Cidade fechados para reforma, restam ao público o Museu de Arte Sacra, o Museu Djalma Maranhão e a Pinacoteca Estadual. No primeiro, anexo à Igreja do Galo, o atrativo da tela de 12 m² possivelmente pintada por Hostílio Dantas. Quando da reforma da cobertura da igreja, a tela, antes colocada no teto, precisou ser retirada e ficou difícil recolocar a peça. No Museu Djalma Maranhão há uma representatividade da cultura popular norte-rio-grandense. Peças de Jordão, Fé Córdula, Maria do Santíssimo, Luzia Dantas, Gilvan, e ainda vestimentas, bonecos e alguma interatividade aos visitantes; algum jeitão de museu da nova era.
O retrato do descaso parece ser mesmo a Pinacoteca. Ainda abriga coleções dos maiores artistas visuais do Estado. Algumas raridades, a exemplo da obra antológica de Antônio Parreira, amigo de Dom Pedro I - uma tela pintada durante dois anos com medidas aproximadas de 1,5m por 3m. A peça foi encomendada pelo então governador potiguar Ferreira Chaves, no início do século passado. Também uma coleção de 30 obras de Newton Navarro, de Abrahan Palatinik, Dorian Gray Caldas, Marcelus Bob, Fernando Gurgel, Tomé Filgueira, do baiano César Romero... Da obra do poeta e pintor Moura Rabelo restou apenas quatro quadros. O resto foi vendido, doada, perdida.
O que restou da obra (Via Sacra) raríssima do escritor e pintor Leopoldo Nelson está à espera de restauração. "Muitas já estão pouco visíveis", lamenta o artista plástico e último diretor da Pinacoteca, Novenil Barros (a atual responsável é a professora Vanderci Holanda). E não bastasse o descaso, há falta de capacitação. O único restaurador especializado no Rio Grande do Norte é o responsável pelo setor de museologia da Fundação José Augusto, Hélio de Oliveira. E em estado de deterioração, sem público ou sinais de modernidade, vive o acervo material do Rio Grande do Norte, sejam nas artes visuais ou monumentos arquitetônicos.
Fonte: DN

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