terça-feira, 29 de novembro de 2011

Sexo e virgindade

De acordo com o estudo Violência sexual em Latino américa y El Caribe: Análises de dados secundários (Violência sexual na América Latina e no Caribe: Análise de dados secundários) realizado pela Iniciativa de Investigação em Violência Sexual (SVRI, na sigla em inglês), publicado em 2010, “o valor concedido à virgindade está profundamente arraigado à cultura da América Latina e do Caribe”, outro fator que revela o conservadorismo cultural dessas sociedades.
De tradição majoritariamente machista a América Latina tem suas normas hierárquicas de gênero muito arraigada na moral católica, que define os papéis de mulheres e homens, como aponta o relatório. “Neste tradicional ambiente cultural e religioso, o papel mais influente das mulheres é o da Virgem Maria [cujas características são a castidade e a maternidade]. (...) As normas tradicionais e religiosas legitimam a discriminação contra as mulheres; portanto, não são protetoras, mas servem principalmente para reforçar a subordinação”.
De fato, em muitos países da região, as mulheres virgens são valorizadas, enquanto as mulheres ou garotas que tiveram relações sexuais antes do casamento são consideradas “indignas” e, portanto, alvos “justificáveis” de agressões, como aponta o estudo.
De acordo com o documento, estudo realizado em áreas rurais da Guatemala em 2002 constatou que a penetração forçada era considerada uma violação quando cometida contra uma mulher virgem com quem o agressor não pensava em se casar, mas não quando cometida contra mulheres que já haviam tido relações. No Caribe, estudo semelhante constatou que as garotas que perderam a virgindade antes do casamento e foram violentadas “mereciam” a agressão. No Peru, alguns homens declararam que “ninguém crê que elas foram forçadas a fazer isso [manter relações]”.
Essa situação é agravada pelo fato de muitas meninas e mulheres não denunciarem as agressões por medo ou vergonha. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), seis em cada dez mulheres já sofreram violência física ou sexual ao longo da vida. A violência doméstica, cometida por companheiros, incide sobre 25% a 50% das mulheres e, a cada 4 minutos, uma é agredida em seu próprio lar por uma pessoa com quem mantém relação de afeto. Além disso, dados da mesma organização afirmam que a América Central e o Caribe ocupam a terceira e a quarta região no mundo com mais feminicídios.

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