terça-feira, 29 de novembro de 2011

O papel de cada um na sociedade

Quando crianças é comum que as meninas ganhem bonecas e panelinhas e os garotos bolas e carrinhos. Essas brincadeiras, aparentemente inocentes, delimitam desde cedo o papel de cada um na sociedade, como exemplifica Ana Fátima: “O papel da mulher é colocado para a menina quando é dado um bonequinho para ela cuidar e amamentar. Ela também é estimulada a seguir os passos da mãe, então, os brinquedos que ela têm reproduzem as atividades maternas. Os meninos por sua vez, ganham bolas, e podem sair de casa para jogar futebol, ganham carrinhos, e podem se aventurar!”
Pais conscientes, portanto, devem dar brinquedos parecidos para seus filhos, como complementa Ana: “Que medo é esse de um menino ter e brincar com um boneco? O pai muitas vezes não deixa porque diz que o menino pode virar ‘maricas’, quando na verdade, o mínimo que esse menino que gosta de brincar de boneca vai ser, é um bom pai! Não necessariamente ele será gay, não é o brinquedo que a criança ganha na infância que o orienta na vida sexual.”
Assim, a menina desenvolve sua identidade de gênero no contexto de identificação com a mãe, em uma relação continuada, já o menino se separa da mãe, nega as qualidades femininas para estabelecer sua identidade masculina. “Este tipo de educação é reforçada pelas relações de gênero, pelo poder mesmo, onde em nossa sociedade, qualquer sentimento já se traduz como algo feminino” comenta Sérgio, que acrescenta: “Nós, homens, somos educados com valores voltados para a força, honra e coragem. Só que isso tudo se reverte contra nós. Basta olhar o número de [garotos] jovens que morrem e as causas dessas mortes”.
Hoje já tem diversos grupos que trabalham com a questão da masculinidade e do novo papel do homem na sociedade atual, como ressalta Ana Fátima: “muitos homens querem frequentar palestras de conscientização porque querem saber o que fazer com esse poder que ele não quer ter. Ele quer chegar em casa e dividir as tarefas com sua companheira, sem que isso faça dele menos masculino, porque também tem homens que sofrem com esse papel”.

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