terça-feira, 29 de novembro de 2011

Mas, o que leva um homem a ser violento?

Segundo Sérgio Barbosa, membro do Coletivo Feminista e integrante da Campanha do Laço Branco, “A violência depende de um conjunto de fatores muito complexos. O principal é o machismo e se soma a isso outras coisas, como alcoolismo, o uso de drogas e violência social. Claro outros fatores também contribuem, como o tipo de educação, modelo da sociedade baseado no patriarcalismo e a repressão que existe sobre os sentimentos”. Ele assinala que, “em uma sociedade com papéis muito definidos, a violência tende a aumentar”.
O rompimento da cadeia de violência é um processo traumático e difícil para as mulheres. Quando um homem espanca uma mulher, junto com seu corpo, ele espanca também suas ilusões, sonhos e projetos investidos na relação. Trata-se também, muitas vezes, de uma questão de dependência econômica. Quanto mais frágil e sem recursos financeiros a mulher é, mais importância ela atribui ao marido, seu protetor, e à casa, seu porto seguro.
Segundo a coordenadora de saúde sexual do Coletivo feminista, Ana Fátima Macedo Galati, geralmente “os homens que praticam violência doméstica são homens considerados normais”, que trabalham, são ‘bons’, têm comportamento social adequado, mas praticam violência dentro de casa, ao contrário do que mostram as novelas, que colocam esses homens como sendo doentes, psicopata”. Ela pontua ainda que o fato de o homem violento ser bem aceito na sociedade, ajuda na desvalorização da mulher, que muitas vezes passa como mentirosa ao relatar ser vítima de violência.
 A violência de gênero é também uma questão de saúde pública, como revelam dados do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bird). Segundo dados destas instituições, a cada 5 anos, a mulher que sofre violência doméstica perde 1 ano de vida saudável. Além disso, o estupro e a violência doméstica são causas importantes de incapacidade e morte de mulheres em idade produtiva.
De acordo com Ana Fátima, as consequências não mortais da agressão por parceiros, incluem lesões permanentes; problemas crônicos, como dor de cabeça, dor abdominal, infecções vaginais, distúrbios do sono e da alimentação; doenças de efeito retardado, como hipertensão e doenças cardíacas; além de danos à saúde mental, “como síndrome do pânico, depressão medicamentosa, baixa autoestima e o comportamento de infelicidade”, pontua.

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