quarta-feira, 26 de agosto de 2015

PROFESSOR: UMA LUTA POR RESPEITO E VALORIZAÇÃO

Mesmo com alguns pequenos avanços na educação brasileira, a situação dos professores ainda é precária em muitos estados e municípios do Brasil. Baixos salários e planos de carreira que não valorizam o trabalho docente afastam muitos bons profissionais das escolas públicas.
Nos últimos anos, o Brasil tem avançado na direção da garantia de educação básica de qualidade para todos, conforme assegura a Constituição Federal. Mas ainda há um longo caminho a ser percorrido.
Para nós, a construção da qualidade do ensino é indissociável do respeito e da valorização dos profissionais da educação, bem como de suas condições de trabalho. Salários justos, carreira atraente e condizente com as necessidades dos profissionais da educação, jornadas de trabalho adequadas, infraestrutura e recursos materiais e humanos são fatores essenciais ao desenvolvimento de projetos político-pedagógicos que respondam aos anseios dos alunos, dos trabalhadores da educação e da sociedade. Para tanto, são necessárias políticas educacionais corretas e financiamento suficiente.
Desde 2003, graças à combinação entre a continuidade da mobilização da comunidade escolar e outros segmentos sociais pelo direito à educação, que vem se desenvolvendo no Brasil desde a década de 1980, e a disposição do governo federal em acolher e pôr em prática propostas educacionais produzidas por esse movimento, diversas leis e programas foram efetivadas.
Entre eles é importante destacar o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), que amplia a destinação de verbas dirigidas ao conjunto da educação básica, concebida como processo educacional contínuo e articulado, da educação infantil até o ensino médio, incluída as diversas modalidades voltadas aos que não puderam estudar na idade própria.
O Fundeb se articula com outros programas importantes, como a ampliação do ensino fundamental para nove anos, possibilitando maior acesso das camadas mais pobres da população a um estágio educacional fundamental para seu futuro progresso escolar.
Salas de aulas superlotadas.
Apesar desses avanços, a situação dos professores ainda é precária na maioria dos estados e municípios. Além de terem jornadas de trabalho extenuantes, salários baixos e carreira inadequada, os professores enfrentam o grave problema da superlotação das salas de aula. Há classes com 45 e até 50 alunos, o que gera estresse, doenças profissionais e impede aulas de boa qualidade. A superlotação dificulta o acompanhamento dos alunos e de suas condições de aprendizagem e cria ambientes propícios a conflitos e atos de violência entre alunos e contra professores.
Os professores e demais profissionais da educação são elementos fundamentais do processo educativo. Por isso, é necessário que o Estado e a sociedade reconheçam e valorizem sua função social, que é única e insubstituível.
Maria Izabel Azevedo Noronha: Presidenta da Apeoesp ( Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) e membro do Conselho Nacional de Educação e do Fórum Nacional de Educação

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