terça-feira, 21 de junho de 2016

ARIANO SUASSUNA E A CRÍTICA A DEGRADAÇÃO DA CULTURA POPULAR.

       Parto de uma reflexão do escritor e multi-culturista Ariano Suassuna, para corroborar com outras reflexões que se fazem  urgentes na provocação e defesa da cultura e das artes e seus variados instrumentos de formação e difusão nos dias de hoje, quando somos violentados involuntariamente por várias formas de depreciação cultural, com formas e características diferentes, onde a música nordestina sofre suas descaracterizações, aonde as ditas e famosas “bandas de forró” vêm ocupando espaços de cada vez mais destaque, como forma concebida e afirmativa da expressão cultural do nordeste e outros guetos.
       Ariano Suassuna começa sua provocação destacando a seguinte situação patrocinada por uma “banda de forró”.
      “_Tem rapariga aí? Se tem, levante a mão!”
        A maioria das moças levantam as mãos, diante de uma plateia de milhares de pessoas, quase todas muito jovens, pelo menos um terço dos presentes, adolescentes. O vocalista da banda que se diz de forró grita aos berros seus bordões prediletos (dele só não, de todas as bandas do gênero, pois a falta de identidade os obriga a ficar o tempo todo repetindo o nome da banda para se diferenciar das demais) alguns deles como: gaia, cabaré, puteiro, e faz apologia desmedida ao consumo do álcool sem discriminação, com uma ênfase simbólica na cachaça e ao machismo. Situações como estas acontecem em qualquer lugar onde as tão afamadas “bandas de forró” se apresentam. Nos anos 70, e provavelmente ainda nos anos 80, qualquer banda ou vocalista com esta atitude pornofônica teria dificuldades em deixar a cidade após um show devido aos insultos gratuitos jogados na cara de moças e rapazes, que vibram ao som de suas “músicas” e bordões.

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