terça-feira, 21 de junho de 2016

BEBER, CAIR E LEVANTAR?

   Para Ariano Suassuna, o que se autodenomina “forró estilizado” continua ao vento em popa. Tomou o lugar do forró autêntico e de raiz nos principais arraiais juninos do Nordeste e nos grandes canais de comunicação de massa (rádio, televisão). 

     Quando um vocalista de uma banda de música popular, em plena praça pública de uma cidade, com presença de autoridades (e suas respectivas patroas, filhas e cidadãos) pergunta “se tem rapariga no salão”, alguma coisa está fora da ordem, e até certo ponto, permitida. Quando canta uma canção (canção?) que tem como tema a banalização de uma transa sexual entre uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é “É vou dá-lhe de cano de ferro/e toma cano de ferro!”, alguma coisa está muito doente no seio da sociedade. Sem esquecer que, uma juventude cuja cabeça é feita por tal tipo de música, é a mesma juventude que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns anos - completa o escritor - e também determinar os novos padrões de comportamento nas sociedades advindas do modelo atual. (grifo nosso).
       O que temos diante de nós, é a exposição de uma crise de degradação de comportamentos, com perdas e desprezo pelos mais simples e elementares valores humanos e culturais, em casos como estes, permitido pela internalização da produção e consumo de uma musicalidade vazia de propostas e bens morais positivos, por estar prostituída e ser desnecessária para os ouvidos de quem quer que seja para quem, no mínimo, chama de diversão.
       Por esta lógica, muitos alienadamente não percebem que a violência doméstica, a depravação da sexualidade infanto–juvenil, as drogas, o alcoolismo, a banalização dos costumes e das tradições, as crises psíquico-emocionais que confundem a juventude, entre outros desconfortos sociais, surgem associados e em decorrência da manutenção desses baixos elementos de consumo, produção e reprodução, onde “beber, cair e levantar”, como sugere umas das tantas “músicas” difundidas por essas bandas são bem mais que  instrumentos modeladores de novos hábitos comportamentais, mas são também, mesmo que involuntariamente, permitidos pela família, nas escolas e/ou espaços de lazer, pois sem nenhum tipo de questionamentos, são retratados como peças únicas e indispensáveis para fins de diversão e afirmação pessoal.

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