sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

A MÁGOA E O PERDÃO

Segundo o professor de Psicologia Júlio Rique Neto, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), existem diversas formas de controlar a mágoa, mas somente o perdão é capaz de fazer as pessoas realmente superarem esses anseios. “Mesmo aquelas que têm o sentimento de vingança, não se sentem melhor depois que quem lhes fez mal paga por isso”.
“O ressentimento não passa”, explica. “Se existe alguém que conseguiu superar uma situação de traição sem perdoar, não conheço, nunca passou pelo meu consultório ou respondeu às minhas pesquisas”, enfatiza o pesquisador, que desenvolve estudos sobre o desenvolvimento sócio moral e o perdão. A estudante de nutrição Jéssica da Silva, de 19 anos, conseguiu aliviar a mágoa perdoando o namorado. Quando era mais jovem se relacionou com um homem mais velho que a magoou intensamente.
O psicólogo Robert Enright, uma das autoridades no tema, explica que quando uma pessoa perdoa, ela exerce o aprendizado da virtude moral. “O perdão é como a paciência, bondade, justiça e o respeito. Em todas essas virtudes, não existem pré-requisitos para oferecê-las. A pessoa não precisa ser justa para receber lealdade, por exemplo. E o mesmo funciona para o perdão. Nós podemos oferecê-lo aos outros sempre que desejarmos. O perdão é incondicional, assim como a justiça”, diz.
Além de dar a sensação de liberdade, como afirma Robin, o ato de perdoar ou desculpar pode fazer muito bem à saúde de quem consegue realizá-lo. Segundo o professor da UFPB, pessoas que sofrem de estresse cardíaco após uma grande decepção restauram as funções do coração depois que conseguem perdoar o outro, assim como as que tinham alterações de pressão, retomam o ritmo normal após relevarem o rancor e perdoarem. “O perdão reestabelece o controle emocional e físico do corpo, além de reabilitar a dignidade e o bem-estar da vítima”, afirma.
No outro lado, para ser verdadeiramente perdoado, primeiramente a pessoa que cometeu a injustiça deve se arrepender do erro que cometeu. “Se queremos o perdão do outro é importante assumir total responsabilidade por aquilo que fizemos pedir desculpas e tentar fazer as pazes. Mas a decisão de perdoar ou não cabe a outra pessoa”, explica Robin.
A terapeuta destaca ainda que mesmo quando o pedido de desculpa não é aceito, a pessoa precisa trabalhar o auto perdão, para entender o que a levou a cometer aquele comportamento negativo.

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