terça-feira, 7 de outubro de 2014

POR QUE SÃO PAULO DESCRIMINA O NORDESTE - PARTE II

SÃO PAULO, O BERÇO DAS ELITES.
A burguesia brasileira acredita dormir eternamente em berço esplêndido. Não é difícil identificar onde repousa essa camarilha. Uma pergunta que precisa ser provocada é - Onde está alojada a veia mestra do poder e da influência da elite burguesa brasileira? – Só assim conseguiremos enxergar que sua força mais forte concentra-se, desde o processo de ocupação e colonização do território nacional, no sul e sudeste brasileiros, revelando desde o primeiro momento que a nação, ao iniciar seu processo de desenvolvimento a partir do litoral, ignora e discrimina veladamente as potencialidades do interior, seu povo e suas relações econômicas e culturais. O Brasil nasceu de costa para o Brasil.
Desde o princípio, esta força econômica se impôs de forma preponderante no eixo triangular: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, assumindo um lastro mais dinâmico no sudeste paulista, onde se operacionalizou a marcha central do desenvolvimento nacional a partir da forte potencialidade da agricultura cafeeira e da pecuária, de onde surgiram os barões do café e a aristocracia agrária, que logo determinaram seus territórios políticos e arbitraram o seu poder de mando, e com isso, constituíram também sua elite econômica e a partir dela, o controle do país, abrindo espaço posterior para o processo de industrialização patrocinado pelo capital estrangeiro explorador. Sob estas relações, a política do café com leite não foi apenas uma simples refeição matinal nos trópicos brasileiros, mas sim, uma determinação de com quem deveria ficar o poder da nação e suas riquezas.
O Estado de São Paulo, que concentra com maior densidade as etnias, a pluralidade de culturas e as diversidades das raças do povo brasileiro, ocasionado pelo permanente processo de imigração; revela na sua essência uma fisionomia conservadora e preconceituosa das relações de poder, cultura e sociedade, bem direcionadas para o norte e nordeste do país, orquestradas pela sistemática fórmula política de manter o Estado e a nação nas mãos dos conglomerados econômicos, dos mercados de produção, do alto empresariado e do agronegócio, associados aos interesses econômicos externos, que de acordo com as conveniências, ao longo da nossa história promoveram golpes de Estado, sufocaram revoltas populares, fabricaram os falsos conceitos históricos da identidade nacional, impedindo qualquer tentativa de mudanças ou transformações na base econômico-social, onde seu poder fosse colocado em risco, determinando assim, as regras do jogo político que estabeleceu as imagens, simbologias e compreensões do Brasil que temos hoje, querendo nos fazer enxergar a nação com o DNA paulista.
O que falta a São Paulo e seus paulistas entenderem, é que todo o status ali ostentado por sua elite preconceituosa, só têm sido possível porque uma gama de nordestinos paulistanizados é quem têm potencializado ao longo do último século a sua superestrutura econômica, mantendo-a funcionando em nome de uma proposta de desenvolvimento excludente e desigual, onde os nordestinos ficam na base da pirâmide social e do trabalho, sustentando, com sua força motriz de produção, uma elite parasita que, com base na exploração de uma mão de obra mal paga, mantém o status da maior e mais rica região do país.
Fonte: Cartilha – De quem é o poder no Brasil?
Autor: Antônio Neves – 2010.

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