sexta-feira, 18 de abril de 2014

JUDAS: TRAIDOR OU ARTÍFICE DA PAIXÃO?


Um dos personagens mais obscuros do evangelho da paixão, que sempre vem a tona na Semana Santa, período em que os cristãos celebram a morte e ressureição de Jesus, Judas Iscariotes, o décimo segundo apóstolo do Nazareno, é  aquele que com um beijo traiu o Filho de Deus.

Esta é a tese que ouvimos nos ritos religiosos desde muito cedo. Judas traiu Jesus, e só.

Mas, Judas traiu para cumprir seu destino na tarefa de revelar ao mundo a cena da salvação e da redenção da humanidade através de Jesus, ou foi apenas um instrumento do mal que ajudou a matar o messias? Se Judas não o tivesse traído, e para que Jesus fosse crucificado, foi preciso ser traído, quem teria então proclamado o ato do beijo da traição? Qual dos outros apóstolos teria sido incubido desse papel?

O apóstolo Pedro também traiu Jesus, por três vezes o negou, havendo sido, inclusive, revelado pelo próprio Cristo que assim faria, mas foi sob Pedro que Jesus "edificou a sua igreja".

Uma tese favorável a Judas, que procura livra-lo do preconceito histórico  a que está submetido, estigmatizado como traidor, tem como contexto o ambiente sócio-político da Palestina do tempo de Cristo. Alguns defendem a relação de Judas com os revolucionários daquele tempo, que almejavam a libertação do país do governo romano. Certas pessoas poderiam ter visto em Jesus o protagonista desta empreitada. Jesus, contudo, (usando palavras pobres) ‘não se decidia’. Eis então que Judas decide apressar a intervenção definitiva de Jesus. Por isso ele entrega Jesus aos romanos, na esperança que, a partir daquele momento, tivesse início a revolução e que Jesus conduzisse os seus discípulos a libertar a Palestina da dominação romana. Lendo os 4 evangelhos canônicos, impressiona o evangelho de João, onde parece que Jesus quase pede a Judas para traí-lo: “Vai e faz aquilo que deves fazer” (João 13,27).

Será que ao determinar que Judas fisesse o que deveria fazer, Jesus na sua angústia, cumprindo os desígnios de Deus, e sentindo-se abandonado até pelo pai (Mc 15,34-37), não teria encontrado no seu discípulo alguém com coragem suficiente para não deixa-lo morrer só. Assim, o beijo da paixão pode ter sido não uma traição, mas um ato de amor, cumplicidade e solidariedade.

3 comentários:

  1. Não creio que a traição, de modo algum possa ser vista como um 'ato de amor' ou de 'solidariedade'.Judas era peça fundamental no jogo e a ele coube o papel do protagonista do prólogo dos atos tão humanos e tão cruéis perpetrados contra nosso Salvador.Se Jesus tivesse liderado um processo de libertação da Palestina das mãos dos romanos nem Maria, nem Madalena e nenhum dos apóstolos - e suas famílias- teria sobrevivido e feito a divulgação da Palavra - Roma não perdoaria qualquer subversivo desta ordem e todos - sem exceção seriam crucificados e mortos - basta ler a lei romana da época. Judas como solidário? Somente Deus poderia julgá-lo.

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  2. não sabemos o que se passou de fato na época, apenas tenho certeza, que a história contada, para mim não é a verdadeira, não nego à Jesus, apenas não acredito que fosse um homem santificado, sabe, até eu posso virar santa daqui a dois mil anos, rsrsrs, mais a verdade, é que supõe-se várias coisas, mais certezamesmo...., só se tívesse-mos vivido na época, rsrs.

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  3. Tomé, a sua Fé é vaga. Só fato que não negar à Jesus, já demonstra que para que hoje 2014, após 2000 anos, com todos os questionamentos sobre a "santidade" Dele. É a prova que mesmo assim, a Bíblia é um livro histórico e de confiança(FÉ).

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