terça-feira, 28 de março de 2017

É PRECISO DERRUBAR TEMER PARA BARRAR AS REFORMAS E RESTAURAR A DEMOCRACIA

Nenhuma outra ação popular será tão eficaz para impedir a aprovação das nefastas reformas em curso, do que a derrubada do seu principal fiador – o presidente Temer -, esta ação deve ser o mais ousado passo para salvar o Brasil e os trabalhador@s brasileiros da tragédia anunciada de nos tornarmos novos escravos dos patrões e do capital estrangeiro.
Por Antônio Ojuara

O governo golpista do PMDB/PSDB/DEM/PPS que tem como chefe maior a sua marionete Temer, até agora não está enganado ninguém, desde que o Congresso deu a paulada do impítimam na democracia e depôs a presidenta Dilma, que o vice-presidente usurpador deixou claro suas intenções de rifar o Brasil na primeira banca de negócios onde os interesses do capital e dos patrões pudessem ser garantidos... Para eles, era chegada a hora de vender o país com a retomada da agenda de FHC dos anos de 1990.

O Governo reformista neoliberalizante de Temer tem um rumo bastante definido, pretende levar o país a um dos maiores retrocessos da nossa história republicana, impondo-nos reformas criminosas como a da Previdência, a Trabalhista e a da Terceirização (já aprovada) – isso só pra começar – o pior ainda está por vir. Tal comportamento vende-pátria demonstra claramente a serviço de quem este Governo está, e não nos enganemos, não está a serviço do povo brasileiro.

Temer e seus aliados no Congresso estão bastante à vontade para promover o desmonte do Brasil e das conquistas sociais dos últimos 14 anos, é a vingança da casa-grande contra a senzala.

Diante as ameaças de tamanho retrocesso, o povo está nas ruas. São muitas as manifestações por todo o país dizendo NÃO as reformas e ao presidente ilegítimo, porém, os gritos das ruas parece estarem sufocados pelo jogo sujo do toma-lá-dá-cá que as manobras do poder é capaz de proporcionar a seus aliados, e pela manipulação midiática (via Rede Globo e CIA). Diante o clamor do povo contra as reformas, o governo se mantém irredutível, envolvido em escândalos de corrupção, com metade do seu ministério denunciado no STF, mesmo assim, deixa claro que não pretende recuar. O país, entregue a recessão e a índices crescentes de desemprego, soma-se a crise econômica e política que não vai sumir tão facilmente.

Em qualquer país civilizado, onde o povo tenha a mínima dignidade em preservar direitos conquistados, tudo isso já seria motivo suficiente para provocar a saída do poder, dos malfeitores da Pátria. A presidenta Dilma foi deposta ser cometer nenhum crime com o apoio de parte da população que, erroneamente apoiou o golpe, agora, que os golpistas estão ferindo de morte à constituição, a cidadania, as liberdades coletivas e individuais, tramando contra direitos e penalizando a classe trabalhadora de agora e do futuro, é preciso rever o erro, ousar muito mais e reagir contra tamanhas violações e derrubar os impostores.

Com temer não dá mais, sua permanência no poder só agravará as crises e reforça as possibilidades de evoluirmos para um Estado autoritário, com uma Nação sem direitos nem futuro. Chegamos ao limite da tolerância, mas com passividade e falsas esperanças tudo continuará como está. Diante as graves ameaças contra o povo, não é possível esperar pela falsa legalidade de 2018 que talvez nem aconteça, para restaurar a democracia.

Somente eleições gerais limpas e transparentes, com acompanhamento internacional, com o poder do povo e da constituição sendo respeitados é que será possível trazer o Brasil de volta a civilidade e restabelecer a ordem política e a democracia. A saída é a derrubada do presidente golpista, ocupar as ruas, enfrentar o poder sem medo, nem ódio, mas com justiça, coragem e fé.

Ou derrubamos Temer, ou ele derrubará o Brasil.

segunda-feira, 27 de março de 2017

CIRO CONVOCA O POVO PARA DERRUBAR TEMER: “A HORA DE LUTAR É AGORA”



Em uma leitura clara e objetiva, o ex-governador do Ceará Ciro Gomes, em sua página nas redes sociais, faz ofensivo debate sobre a crise política e golpista em foco no Brasil, pautada na retirada de direitos e convoca o povo às ruas e diz que é preciso tirar Temer da presidência.

Candidato à presidência da República em 2018, o ex-ministro Ciro Gomes voltou a criticar o governo Michel Temer e as reformas propostas por ele em bate-papo com internautas ao vivo, pelo Facebook, na sexta-feira (24). Ciro fez questão de enfatizar a importância das manifestações do povo na luta contra medidas como a reforma da previdência e chamou o povo às ruas.

“A hora de lutar é agora. Algumas coisas ainda dá tempo de reverter, o que não é possível é aceitar passivamente. Lutar dentro das linguagens da democracia, mas o povo precisa sair de casa”, disse ele, enfatizando que o País experimenta no momento um “retrocesso em matéria de cuidados com os direitos do trabalhador, com os pobres, com os usuários da saúde pública, da educação, daqueles que precisam da segurança pública funcionando”.

Sobre a reforma da previdência, Ciro disse que “está animado que ela não vai passar” e que a proposta do governo é um “avanço terrível sobre os mais pobres, mais vulneráveis”. “Isso tudo é uma imoralidade. Temos que lutar”, reforçou, observando que “a única coisa que amedronta político é perder o voto do cidadão”. Ele comentou as mudanças propostas recentemente, de retirar o estado e os municípios, e considera isso uma vitória da população. “Eles só estão recuando porque estamos fazendo o serviço de dizer em alto e claro som que eles não passarão”

Ciro disse também acreditar que o País passará pela maior renovação da política em 2018. “Espero que numa eleição próxima a gente faça uma grande faxina, uma grande limpeza, não deixando voltar esse magote de picaretas que assaltou a vida pública brasileira e que deu o golpe na nossa democracia tão jovem”.

ASSISTA! LUTE! REAJA!

HOJE É DIA NACIONAL DO TEATRO

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COMEÇA JÁ!

BRASIL: A DEMOCRACIA PRECISA DA PLURALIDADE PARTIDÁRIA

O intenso debate político que ocorre no Brasil tem o objetivo de definir as regras para o exercício do poder político no país.

Neste debate, a direita e os conservadores defendem uma reforma partidária e eleitoral excludente e restritiva para favorecer apenas aos interesses das classes dominantes. Defendem, por exemplo, a adoção de alguma forma de voto distrital, querem impor a cláusula de barreira e proibir coligações partidárias nas eleições para deputados.

Falam em “farra partidária” para justificar as restrições que pretendem impor e dificultar a organização política das diferentes correntes de opinião da sociedade, sobretudo aquelas ligadas ao povo e aos trabalhadores.

Colocam dessa maneira, sob severo risco, a pluralidade partidária, favorecendo somente um sistema no qual tenha representação somente os partidos “aceitáveis” para a classe dominante.
Esta é a grave ameaça que paira sobre o sistema democrático brasileiro.

O Partido Comunista do Brasil chega aos 95 anos de existência contínua durante o qual viveu períodos de perseguição política e policial, clandestinidade e ilegalidade forçadas. Pagou pesado preço de sangue sem nunca baixar a bandeira da defesa do socialismo, da democracia, dos brasileiros e da soberania e independência de nosso país.

A democracia é imprescindível para o povo brasileiro e a existência do PCdoB é fundamental para que ela seja real e efetiva.

Um sistema democrático autêntico é aquele que permite a representação de todas as correntes de opinião existentes na sociedade. É o sistema eleitoral proporcional adotado no Brasil, que precisa de uma reforma profunda para corrigir suas distorções e garantir seu caráter democrático autêntico. Precisa de uma reforma democrática para que as instituições eletivas sejam de fato representantes fiéis da vontade popular manifestada através das eleições.

Neste sentido, a reforma deve valorizar o debate político-eleitoral em torno de programas para o Brasil e não, como acontece hoje, de pessoas. A reforma política que o Brasil precisa é aquela que permita avançar e consolidar a democracia, definindo regras para a legítima participação popular no exercício do poder político. Uma reforma que amplie, e não restrinja, a pluralidade partidária, e que permita a representação de todas as correntes de opinião, sem restrição.

MULHER TRABALHA 5,4 ANOS A MAIS DO QUE HOMEM, DIZ ESTUDO DO IPEA

A mulher trabalha 5,4 anos a mais do que o homem ao longo de cerca de 30 anos de vida laboral, segundo simulação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O trabalho extra é resultado dos afazeres domésticos. O cálculo foi feito a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2014, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Indústrias - Mulheres trabalham 5,4 anos a mais que os homens, aponta estudo do Ipea Arquivo/Agência Brasil

De acordo com o Ipea, nesse período de aproximadamente 30 anos, as mulheres somam, em média, 22,4 anos de contribuição para a Previdência Social. Um total de 44,4% das mulheres às quais foram concedidas aposentadorias em 2014 atingiram até 20 anos de contribuição.

A pesquisadora do Ipea Joana Mostafá explica que essas informações foram obtidas por meio de uma parceria que possibilitou o acesso a microdados do extinto Ministério da Previdência Social – atualmente Secretaria da Previdência Social, vinculada ao Ministério da Fazenda.

Segundo Joana, as interrupções na contribuição previdenciária feminina são causados por situações como desemprego, trabalho informal, afastamento do mercado de trabalho para cuidar dos filhos, entre outras. Com base nesse cenário, o Ipea lançou uma nota técnica na última semana na qual defende que as idades de aposentadoria de homens e mulheres devem ser diferentes.

“A princípio, a diferença [no sistema em vigor hoje, em que a mulher se aposenta cinco anos mais cedo que o homem] é justificada”, disse a pesquisadora. Atualmente, para se aposentar, o homem deve acumular 35 anos de contribuição e a mulher, 30. Há ainda a opção da aposentadoria por idade, que exige 15 anos de contribuição e idade de 65 anos para o homem e 60 anos para a mulher.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, de reforma da Previdência, atualmente em discussão na Câmara dos Deputados, altera esse modelo e estabelece como condição para a aposentadoria no mínimo 65 anos de idade e 25 anos de contribuição para homens e mulheres. Um dos argumentos do governo para a mudança é que as mulheres vivem mais que os homens.

Reportagens de Mariana Branco – Repórter da Agência Brasil

ESPECIALISTAS CRITICAM PROPOSTA DE IGUALAR IDADE MÍNIMA PARA APOSENTADORIA

Segundo dados do IBGE, ao atingir os 65 anos, a mulher tem uma sobrevida 3,1 anos superior à do homem. Mas, para Joana Mostafá, usar a sobrevida como base para equiparação das aposentadorias está em desacordo com a função da Previdência. “O acordo da Previdência é um acordo social. Ele visa, entre outras coisas, compensar algumas desigualdades do mercado de trabalho”, afirma.

A pesquisadora destaca que outros fatos, além da jornada dupla de trabalho, distanciam a realidade feminina da masculina. “Estamos falando da desigualdade ocupacional, da diferença de salários e da taxa de desemprego, que é maior entre as mulheres do que entre os homens. A mulher poderia contribuir mais [para a Previdência] se não fossem essas dificuldades”, afirma.

A pesquisadora Luana Mhyrra, professora do Departamento de Demografia e Ciências Atuariais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), corrobora dizendo que os sistemas nos quais os participantes ganham de acordo com o que poupam e com o tempo que contribuem são modelos de capitalização, diferentes da proposta previdenciária brasileira.

“Os fundos de Previdência complementar [privados] são exemplos de fundos capitalizados, que atualizam e capitalizam o dinheiro aplicado pelo contribuinte. Isso não se aplica ao RGPS [Regime Geral da Previdência Social] do Brasil, uma vez que quem contribui hoje não o faz para sua própria aposentadoria e sim para aqueles que já estão aposentados. Pensar que a mulher precisa contribuir mais porque vive mais é coerente quando se pensa em um fundo capitalizado”, ressalta.

EXPECTATIVAS NA QUEDA NA DESIGUALDADE ENTRE HOMENS E MULHERES

De acordo com o governo, ao equiparar-se a idade de aposentadoria masculina e feminina, a desigualdade no mercado de trabalho tende a cair. Recentemente o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que a defasagem entre os salários de homens e mulheres acabará em até 20 anos.

A pesquisadora Joana Mostafá admite que tem havido uma redução na desigualdade de renda. Segundo ela, dados da Pnad apontam que em 1995 o rendimento da mulher equivalia a 55% do rendimento dos homens. Passados 20 anos, em 2015, esse percentual havia subido para 76%. Joana alega, entretanto, que a melhora não é verificada em outros indicadores. Ela cita como exemplo a participação da mulher no mercado de trabalho. “Desde 2005, está em 60%. Não se move”, afirma.

Em debate na Câmara dos Deputados, a assessora especial da Casa Civil da Presidência da República Martha Seiller disse que as justificativas para manutenção da diferença de idade mínima para aposentadoria entre homens e mulheres já não se sustentam como antigamente.

Martha lembrou que a pirâmide demográfica brasileira está cada vez mais desfavorável à manutenção de um sistema previdenciário equilibrado, já que a base jovem tem diminuído, devido à queda na taxa de natalidade, ao crescente número de idosos no topo, com o avanço da expectativa de vida. "Como é que esse sistema previdenciário sobrevive com uma mudança tão brusca na taxa de natalidade e expectativa de vida sem passar por mudanças?", questionou.

A assessora da Casa Civil disse que as regras de transição previstas na reforma para vigorar em 20 anos podem compensar as desigualdades ainda existentes. Ela acrescentou que a diferença de cinco anos é a maior entre os regimes de outros países que ainda consideram a necessidade de diferenciação.

domingo, 26 de março de 2017

MANIFESTAÇÕES EM DEFESA DOS DIREITOS: É PRECISO RADICALIZAR A DEMOCRACIA PARA NÃO MORRER AGARRADO A INGÊNUA ESPERANÇA

Sem radicalizar a democracia todas as reformas anti-povo passarão sem maiores constrangimentos no Congresso Nacional
Por Antônio Ojuara

Sair às ruas pra protestar, gritar palavras de ordens tipo: Fora Temer, agitar bandeiras de partidos, tirar fotos e curtir nas redes sociais, pode até aparentar um clima de unidade, movimento e enfrentamento em defesa dos direitos, mas é lerdo engano, tudo isso é pacífico demais para reverter o gravíssimo quadro de desmonte da Nação que está em curso a toque de caixa. A extrema direita golpista já percebeu qual o limite dessas manifestações, sabe que não correm maiores perigos e entendem, despreocupadamente, até onde essa reação popular pode ir.

Não será essas manifestações pacifistas, ancoradas numa falsa “ordem pública” que despertará nos atuais membros do Congresso Nacional (deputados e senadores) e do governo golpista de Temer, a “sensibilidade” que eles precisam ter para recuarem na ofensiva reformista em andamento. Obviamente, ao perceber para o que realmente serviu o golpe, o povo luta para compreender a merda que fez ao ter apoiado (via Rede Globo e CIA) o impitmam contra a presidenta Dilma acreditando no falacioso discurso de que seria pra acabar com a corrupção e a crise. A corrupção continua galopante em todas as três esferas da República e outros departamentos, e a crise se aprofunda, mesmo sendo maquiada com propaganda governamental enganosa paga com dinheiro público.

Os movimentos social e sindical, mesmo mantendo seu protagonismo de vanguarda em defesa da classe trabalhadora, se mantêm dentro da ordem estabelecida pelo Estado Democrático de Direito, isso mesmo, esse mesmo Estado de Direito que o juiz federal Sérgio Moro cuspiu em cima quando impôs suas arbitrariedades jurídico-seletivas em nome de uma parcialidade a tempo denunciada pelos mais sérios juristas comprometidos com a ética, não só na política, mas na funcionalidade democrática e transparente do Poder Judiciário e do Ministério Público. As manifestações até então realizadas, mesmo com a pressão das ruas, não causará maiores arranhões aos que hora “cagam” na democracia e violam direitos do povo. Temer e seus fascistas não cairão de livre e espontânea vontade, será preciso bem mais do que gritos de “Fora Temer” para tirá-los do Planalto.

O desafio para os movimentos popular e sindical é maior do que imaginam as multidões que nos últimos meses têm frequentado a Avenida Paulista e outras praças importantes do país para defender a democracia e os direitos trabalhistas e sociais; a história tem mostrado que as elites dominantes brasileiras sempre foram indiferentes às massas e terminam impondo o que querem e como bem querem. Um exemplo recente da nossa história foi nas Diretas Já, em 1985, quando o povo queria votar pra presidente e o Congresso, ignorando o clamor das ruas, elegeu Tancredo Neves pela via indireta, deu posse a Sarney (PMDB) através de um golpe branco e ignorou a vontade popular. Prevaleceu o pacto das elites com o Capital. Qualquer semelhança com fatos e acontecimentos de agora, não é mera coincidência!

Agora a crise é bem maior, e a luta de classes mostrou seu roteiro. O país vive um novo ambiente de golpes institucionais, manipulações políticas, manobras judiciais seletivas e ideológico-midiáticas que atentam contra direitos duramente conquistados, e não haverá salvação se o povo e a classe trabalhadora não radicalizar a democracia, assumindo sem medo a desobediência civil, boicotar serviços, mercadorias e o consumo, para ferir diretamente a produção e o lucro do Capital, principal patrocinador do golpe em curso. É preciso intensificar as ocupações as instituições, sitiar o Congresso, parar o país com uma verdadeira GREVE GERAL nacional, não existe dois caminhos nesta batalha, escolha o seu, pois se a luta é nas ruas, os ratos se escondem e tramam contra o povo nos palácios e gabinetes, sob a proteção de suas togas e foros privilegiados, agem por trás das câmeras e só mostram ao povo o que lhes interessam. Precisamos tirá-los de lá, expô-los a verdade popular e condicioná-los ao julgamento da História.

Ao contrário disso, sem resistência conjunta e firme para além dos gritos agonizantes dos ingênuos, logo veremos a terrível noite escura que começa a se formar sobre a Nação para assombrar por muito tempo os que acreditam dormir eternamente em berço esplêndido.

Avante!

sábado, 25 de março de 2017

O SUICÍDIO DA “CLASSE MÉDIA”

O principal afetado nessa nova rodada de desmantelamento social será o que sobrou da “classe média”.
Por Maurilio Lima Botelho.

Quase metade dos empregos no Brasil duram menos de um ano. Os brasileiros acima de 10 anos que recebem até 2 salários perfazem mais de dois terços da “população produtiva”. Cerca de 10% dos contratos de trabalho no Brasil são temporários (até 3 meses) e sua participação têm crescido nos últimos anos. Do total de brasileiros “empregados” – o que exclui 13 milhões de desempregados e quase 25 milhões de “trabalhadores por conta própria” –, 25% não tem carteira assinada. Entre os que têm contrato, mais de 20% já estão em empresas terceirizadas. Nas empresas terceirizadas, quase nenhum emprego ultrapassa dois anos.

Esses números revelam que a baixa remuneração, a alta rotatividade e a precariedade já são uma realidade comum de boa parte dos brasileiros. A aprovação da terceirização irrestrita e a ampliação do tempo para os contratos temporários vai agravar ainda mais esse quadro, mas indica também que o principal afetado nessa nova rodada de desmantelamento social será o que sobrou da “classe média”.

Durante os anos de FHC, as camadas de renda média sofreram um achatamento em decorrência da estagnação econômica e do arrocho financeiro. Com os governos de Lula e Dilma, essas camadas sentiram-se preteridas diante das medidas de compensação social dirigidas aos mais pobres e da multiplicação das fortunas da elite. A famigerada “nova classe média” foi menos um processo de “ascensão”, como alardeado pelos ideólogos governistas, e mais uma mimese consumista em que os estratos inferiores emulavam o consumo dos setores médios tradicionais graças a uma pequena melhoria de renda, acesso ao crédito e endividamento. As últimas rodadas da crise mostraram como um lento processo que aparecia como uma mudança na estrutura social pôde ser rapidamente destruído quando a bolha do crédito explodiu.1

Não foi um acaso que do ciclo de greves e difusas manifestações de 2012/2013, a “classe média” restou como única “base social” mobilizada contra o governo Dilma em 2014/2015. Uma parte dela composta por integrantes dos próprios serviços públicos – bastião ainda do emprego estável –, já que em 2012 ocorreu o maior conjunto de greves do funcionalismo federal. Sentindo os efeitos da crise, essa mobilização contra o governo Dilma foi embalada no discurso requentado da “ética do trabalho” e contra os programas de distribuição de renda e assistência social. Como disse um deputado do PMDB, o processo de impeachment representava o fim da “era do vagabundismo remunerado”. Até nas universidades foi possível ver o ódio de professores e estudantes de “boas famílias” diante da ampliação do acesso popular ao ensino superior, particularmente através das cotas.

É quase uma “astúcia da razão” que sejam exatamente as camadas médias as principais atingidas pela terceirização irrestrita. O ressentimento destas contra os mais pobres já era um resultado da precarização: a crítica norte-americana Barbara Ehrenreich mostrou como, nos EUA, os profissionais de “classe média” sofreram um choque ao ter que conviver com a mesma incerteza diária e os salários parcos comuns aos mais pobres, pois tinham sido “criados com a expectativa do velho mundo protestante de que o trabalho árduo é recompensado com conforto material e segurança”.2 O discurso da recompensa ao empreendedor, da premiação do esforço e do mérito foi operacionalizado num duplo sentido: de um lado, contra as compensações sociais para os excluídos; de outro, como adequação pessoal às condições neoliberais da concorrência selvagem e do “empreendedorismo”. Por aqui, numa cruzada contra o que se acredita ser o “petismo”, o antropólogo Roberto Da Matta chegou mesmo a fazer elogios ao “homem comum, da classe média” que “trabalha para sustentar um Estado a ser descontaminado de sua imagem de fiador do roubo, da incompetência e de uma burocracia marginal à norma da igualdade”.3 Agora não vai faltar oportunidades à “classe média” para mostrar seus méritos em condição de concorrência e capacidade de inovar – afinal, como conclui o discurso que ela alimentou e do qual agora será mais uma vítima, as “restrições legais” trabalhistas foram suprimidas para o desenrolar do livre empreendimento.

Mas é um engano achar que isso pode significar uma futura inversão de comportamento e uma “solidariedade de classe” gerada pelo rebaixamento social. A crença numa possível “unidade classista”, exatamente num momento de dissolução das classes identificadas pelo trabalho, soa como nostalgia da era fordista. O “medo da queda” não tem produzido um sentimento de pertencimento aos grupos inferiores, pelo contrário, tem provocado nos segmentos menos precarizados um apego ainda maior ao “diferencial” de sua posição social. Como “a mobilidade descendente provoca uma sensação de fracasso, rejeição e vergonha”,4 há ainda mais insistência no seu “capital cultural” para estabelecer uma distância em relação ao fundo social. Isso é visível entre os “profissionais liberais” que, frente à decadência econômica, se endividam cada vez mais para trocar de carro todo ano, viajar para o exterior ou pagar o aluguel elevado da residência próxima a uma praia poluída. Nos EUA, o emprego em tempo parcial permite compensar precariamente, com cada vez mais trabalho e menos sono, os efeitos do empobrecimento. A terceirização e flexibilização vão criar aqui essa “oportunidade” de se manter o status alcançado com “tanto esforço, investimento e estudos”.

A ruína da “classe média” é o sintoma de algo mais profundo: o próprio fracasso dessa sociedade como um todo. Sempre houve pobreza na história do capitalismo – até mesmo nos subúrbios europeus e nos guetos americanos, no auge do pós-guerra. Isso sempre foi mobilizado em tom cínico para que se pudesse manter vivo o discurso do esforço pessoal como mecanismo de ascensão. Com o declínio dos setores médios, são as próprias ilusões em torno dessa sociedade que se esfumaçam. Afinal de contas, como diz Barbara Ehrenreich, essas “pessoas ‘seguiram as regras do jogo’, fizeram ‘tudo certinho” e, mesmo assim, terminaram arruinadas”.5

A tensão social aprofundada já se faz notar em formas particularmente destrutivas dessa ideologia do mérito e do êxito pessoal: na falta de condições de sustentação, o “macho” responsável pela família assassina os próprios filhos. São vários os casos relatados pelos jornais. Recentemente, num bairro “nobre” do Rio, um homem matou a esposa e jogou os filhos do alto do prédio em que moravam. Escreveu uma carta com a seguintes palavras: “Me preocupo muito em deixar minha família na mão. Sempre coloquei eles à frente de tudo. Mas está claro para mim que está insustentável e não vou conseguir levar adiante. Não vamos ter mais nada e não vou ter como sustentar a família. Não vou ter onde trabalhar”. Atirou-se depois.

Notas
1 Marcos Barreira  e Maurilio Lima Botelho, “A implosão do “pacto social” brasileiro“. Krisis, 21/06/2016.
2 Barbara Ehrenreich, Desemprego de colarinho-branco: a inútil busca do sucesso profissional. Rio de Janeiro: Record, 2006, p. 229..
3 “Para mim, esse governo acabou”, diz Roberto da Matta, ZH Notícias, 16/03/2015. Roberto DaMatta, “Quem é de esquerda”, Estadão, 05/10/2016.
4 Barbara Ehrenreich, Desemprego de colarinho-branco. p. 223-224.
5 Barbara Ehrenreich, Desemprego de colarinho-branco. p. 250.

 *Maurilio Lima Botelho é Professor de geografia urbana da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), e autor do artigo “Crise urbana no Rio de Janeiro: favelização e empreendedorismo dos pobres” que integra o livro Até o último homem: visões cariocas da administração armada da vida social, organizado por Pedro Rocha de Oliveira e Felipe Brito (Boitempo, 2013). Colabora com o Blog da Boitempo esporádicamente. Dele, leia também, “A aprovação do fim do mundo“, no dossiê “Não à PEC 241”.

HISTÓRIA DE 18 GRANDES MULHERES BRASILEIRAS REUNIDAS NUM LIVRO ON-LINE

Salvaguardadas as exceções, ainda é tímido, na tradicional narrativa histórica, o espaço conferido às mulheres na construção social, política, cultural e econômica do Brasil.


Carolina de Jesus FOTO) é um dos maiores nomes da literatura do Brasil.

O protagonismo masculino perdura nesse terreno, bem como no da memória social. Assim, o passado segue se organizando em torno do vulto de grandes homens, refletidos em monumentos, nomes de ruas e episódios consagrados no imaginário popular.

Um livro gratuito publicado pela Fundação Joaquim Nabuco, do Recife, tenta corrigir um pouco dessa distorção, apresentando 18 mulheres brasileiras que se destacaram ao longo dos últimos séculos.

Em comum entre si, as homenageadas na obra “Memória Feminina: mulheres na história, história de mulheres” têm contribuições que se encontram, “em sua maioria, representadas em museus e espaços de memórias”, como arquivos e centros culturais.

Apesar desse foco, segundo escrevem na apresentação os pesquisadores Maria Elisabete Arruda de Assis e Maurício Antunes, além de patrimônios materiais (representados por objetos pessoais, obras de arte, manuscritos, livros), buscou-se acessar os imateriais. Quer dizer, os que “não estavam apenas nos museus brasileiros, mas também nas comunidades locais”: tradições legadas de uma geração para a outra.

É por isso que o leitor encontra artigos sobre as cirandas de Lia de Itamaracá, a preservação da tradição religiosa de matriz africana Xambá por Mãe Biu em Pernambuco, bem como a contribuição de Dona Santa, na preservação dos maracatus.

Também há um texto sobre a líder sindicalista Margarida Alves, defensora dos direitos dos trabalhadores sem terra assassinada em 1983 e inspiradora da Marcha das Margaridas.

A importância feminina na literatura

No campo das letras, aparecem Carolina Maria de Jesus, Pagu e Clarice Lispector. A primeira, moradora de uma favela paulistana, ganhou notoriedade mundial ao publicar o livro “Quarto de despejo: diário de uma favelada”, em 1960. Nessa obra, vêm à tona as condições precárias de vida de parcela significativa da população, em especial das mulheres pobres.

“Essas mulheres, como Carolina, responsáveis por seu próprio sustento, apesar de desqualificadas pela imprensa e por fontes oficiais, compunham um grupo que teve presença constante e intensa pelas ruas da cidade de São Paulo desde o período colonial. Suas falas, entretanto, sempre apareciam de forma indireta, transcritas nos documentos pela pena dos escrivães, o que as impedia de assumir um protagonismo narrativo”, afirma Elena Pajaro Peres historiadora, responsável pelo artigo sobre Carolina Maria de Jesus.

Figuras de destaque nas lutas feministas e nas artes

O livro ainda traz o perfil de pessoas de “inestimável contribuição para a mudança do papel da mulher na sociedade quanto aos seus direitos”, como a zoóloga Bertha Lutz, sufragista nos anos 1920, e a escritora Francisca Senhorinha da Motta Diniz, que fundou, no século 19, o primeiro periódico do país pela emancipação feminina.

As artistas plásticas Tarsila do Amaral, Maria de Lourdes Martins Pereira de Souza, Lygia Pape, Djanira da Motta e Silva, Georgina de Albuquerque e Nair de Teffé aparecem retratadas em seus contextos históricos e por meio de suas trajetórias de vida e profissional.

Há ainda relatos sobre a atriz Leila Diniz, identificada como um símbolo da liberdade sexual dos anos 1960, e Nise da Silveira, proeminente figura da psiquiatria brasileira no século passado. Um capítulo do livro é dedicado à figura da “Miss Sambaqui”, um crânio de mulher pré-histórico encontrado no litoral paulista na década de 1950.

Anonimato e invisibilidade

Segundo Maria Elisabete Arruda de Assis, diretora do Museu da Abolição, e Maurício Antunes, pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, as histórias são cristalizações de muitas outras, anônimas e invisibilizadas.

A intenção é que se tornem espelhos para brasileiras, jovens e adultas, se olharem, se reconhecerem e se projetarem no futuro, “como cidadãs a serem respeitadas nas diferenças e na luta pela conquista da igualdade de gênero em nossa sociedade”.

Ainda de acordo com eles, o objetivo do livro é desmontar preconceitos que esconderam ou apagaram a presença das mulheres na história do Brasil.

“Nossa história coletiva ganha com acercar-se desse conjunto de mulheres que foram sujeito da história de nosso país: sim, temos pintoras, escultoras, escritoras, atrizes, cientistas que foram rebeldes e afirmaram-se como protagonistas”, esclarece Tatau Godinho doutora em ciências sociais, no prefácio do livro.


Fonte: Por Caio do Valle, no Nexo

DIEESE: TERCEIRIZAÇÃO REDUZ SALÁRIOS E AUMENTA DESIGUALDADE

O uso ilimitado da terceirização deverá levar a um aprofundamento da desigualdade, com aumento da precarização das condições de trabalho e de remuneração, resultando em piora na distribuição da renda, avalia o Dieese, em nota técnica divulgada nesta sexta (24) sobre o tema.

Com base em dados de 2014 e dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), o instituto aponta taxa de rotatividade maior em atividades tipicamente terceirizadas, que também se caracterizam por salários menores (à exceção do Sudeste) e maior percentual de afastamento em consequência de acidentes de trabalho.

"A adoção da terceirização de forma indiscriminada, no Brasil e no mundo, tem sido olhada de forma crítica. Em alguns casos, o processo tem sido até mesmo revertido por algumas empresas, por afetar a qualidade dos produtos e serviços e fragmentar excessivamente os processos produtivos, levando, inclusive, à queda na produtividade", diz o Dieese. "Portanto, a regulamentação irrestrita da terceirização, baseada somente numa visão de curto prazo, não apenas penaliza o trabalhador, como também pode comprometer o desempenho das empresas, em longo prazo."

"Num momento de profunda crise econômica como o atual, a permissão indiscriminada da terceirização, em vez de ser uma solução, poderá se transformar em risco adicional à retomada do crescimento econômico, do emprego e, especialmente, da saúde financeira do Estado", acrescenta o Dieese. Segundo os técnicos, há outras questões a serem consideradas no debate, como a "segurança laboral" dos atuais e futuros terceirizados, a representação sindical, garantias em caso de rescisão, condições de trabalho, igualdade de oportunidades e arrecadação fiscal/tributária.

Segundo os dados usados pelo instituto, em 2014 havia 12,5 milhões de vínculos ativos em atividades tipicamente terceirizadas (apoio, manutenção, suporte técnico, representantes comerciais e outras) e 35,6 milhões nas consideradas tipicamente contratantes. "Ou seja, essas últimas respondem por cerca de um quarto dos vínculos de trabalhos formais no Brasil", observa.

A alta rotatividade característica do mercado de trabalho no país é "significativamente maior" nas atividades terceirizadas, aponta o instituto. Em 2014, o tempo médio dos contratos era de 34,1 meses (ou dois anos e 10 meses), enquanto nas atividades contratantes esse período era de 70,3 meses, ou cinco anos e 10 meses.

A diferença se observa também em relação aos salários. Em dezembro de 2014, a remuneração média nas atividades contratantes era de R$ 2.639, enquanto nas terceirizadas esse valor ficava em R$ 2.021 (-23,4%). Segundo o estudo, de 2007 a 2014 a diferença se manteve entre 23% e 27%, em média.

Fonte: RBA

CRISE NAS LIVRARIAS: A ÚNICA SAÍDA É PENSAR EM UMA SAÍDA

Assim começou março de 2017 para as livrarias: a tradicional Livraria República, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, não aguentou o baque de professores sem salários e alunos sem aulas, anunciando o seu fechamento; e a Fnac francesa informou o desejo de se livrar da filial brasileira. Antes, em fevereiro, soubemos que Saraiva e Cultura planejam uma fusão. Pequenas e grandes livrarias se veem com problemas: afinal de contas, o que estamos vivendo?

As dificuldades enfrentadas pelas livrarias hoje são apenas o sinal mais evidente de uma combinação de crises que atinge o mercado editorial: temos uma crise internacional que completa nove anos em 2017; temos também uma crise econômica no Brasil – finalmente atingido pela recessão mundial em fins de 2014 – que se aprofundou mais ainda com a dose cavalar de remédios amargos do governo em exercício, cujo compromisso com os eleitores pobres tende a zero; e, finalmente, temos uma crise tecnológica que alcança o setor: empresas com acesso ao big data sabem tudo sobre os nossos hábitos e gostos, enquanto os ganhos digitais que favoreceram as reduções de custos das pequenas empresas do setor nas últimas décadas parecem se esgotar.

Soma-se a isso a desproteção do setor do livro para essa entrada avassaladora de capitais e empresas transnacionais, que a Amazon representa como ninguém: nunca houve no país uma política que fosse além da isenção de impostos para o setor, algo que realmente direcionasse o enraizamento de uma distribuição nacional e favorecesse o livro e a leitura por todo o país. Basta lembrar que só nos anos 2000 conseguimos concluir um programa chamado “uma biblioteca em cada município”.

O Plano Nacional do Livro e Leitura, federal, e planos estaduais e municipais – destaco especialmente o Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca de São Paulo – preocupam-se com a economia e com a compreensão de que o livro, sem prejuízo de seu caráter cultural, que dá sentido a sua existência, é também uma mercadoria. Mas será que os economistas preocupam-se com o livro em tais termos? Os economistas liberais encaram o livro como uma mercadoria a mais, que tem de sobreviver apenas por suas “belas” qualidades; já os mais intervencionistas veem o livro como uma mercadoria menor, porque gira poucos recursos, quando comparada com qualquer outra. Ou seja, o livro é um setor cuja singularidade não merece ser estimulada.



Fonte: Revista Samuel

A INVASÃO SILENCIOSA DAS PALAVRAS

Quando observamos a história, constamos que ela é escrita pela ótica dos conflitos entre povos, que desenharam a geopolítica existente, estabelecendo as fronteiras dos dias atuais. Toda vez que um povo era conquistado, o vencedor impunha a todo custo a cultura, religião e costumes, além do idioma.

Por Paulo Cesar Paschoalini*

Não é novidade que termos oriundos de outros países fazem parte do nosso linguajar. Muitos foram aportuguesados, sofrendo pequenas alterações para se adequarem ao idioma. Para ilustrar, do latim originaram palavras como estilo, item, lucro e ônibus; do árabe, açougue, açúcar, alfaiate, algodão, arroz e garrafa; do italiano, aquarela, banquete, boletim, camarim, maestro e tchau; do francês: abajur, dossiê, garçom, menu, e toalete. Mas têm mais.

A língua inglesa também se faz presente. O chamado “anglicismo” é a incorporação de termos em inglês, para designar objetos ou fenômenos novos ao nosso vocabulário. Mas alcançou enorme proporção após o advento da informática. Por exemplo: internet, Facebook, whatsapp, back-up, CD, display, download, e-book, e-mail, fake, hacker, interface, link, login, mouse, net, notebook, no-break, off-line, on-line, pixel, playlist, press, print, scanner, software, site, smartphone, spam, twitter, tablet, wi-fi e word, entre outros.

A princípio, somos levados a acreditar que o contato com palavras estrangeiras se dá somente quando estamos às voltas com o ambiente de estudos ou trabalho. Vejamos abaixo a descrição de um momento de lazer. As palavras estrangeiras, de várias origens, foram grafadas em itálico:

Depois de ir ao Shopping e pagar com meu CARD, passei pelo pedágio com minha pick-up, flex com airbag, recebi o ticket e saí para curtir o réveillon com a família. Não precisa ser expert para ver que o hotel era top, bem classificado no ranking do segmento, padrão Spa, ideal para um relax. Tudo conforme o marketing que constava no outdoor (ou, billboard) do Resort.

Depois do check-in, fizemos um tour, até a liberação do quarto. Era tipo standard, com um hall para acesso a dois ambientes, de layout muito agradável. Num deles, uma cama box, ladeada por um abat-jour de design moderno e um poster com cores em dégradé, no alto da parede. Ao lado, uma minicozinha com frigobar e cooktop com timer.

No período da tarde, peguei meu kit de fitness: tennis, short de nylon e camiseta de poliester, para atividade indoor. O monitor agia como um personal trainer, ajudando a melhorar minha performance. Em seguida, fui até uma piscina com ondas, parecendo praia de surf, com pessoas exibindo tattoo e piercing.

Para quem estava acostumado com sandwich de hamburger ou hotdog com katchup, do menu do trailer da esquina, ou um delivery do Disk-pizza, a comida do jantar era o must. O garçon serviu o couvert, com croissant e pâté. Bebidas free, já que era all inclusive, podendo abusar de drinks e cervejas long neck, ao invés de refrigerantes diet. Comidas no sistema self-service, com grill à vontade.

Durante o jantar, músicas light e em seguida um show com pot-pourri de ritmos country, pop e funk. No final da noite, flash night para quem gosta de rock, realçado pela qualidade de back vocal e luzes de neon, led e laser. As apresentações cover, com o look correspondente, foram o up da noite.

Após esse período fora do meu habitat, meu feeling me diz que esse upgrade foi essencial, antes de eu dar um feedback ao cardiologista, que me alertou sobre fazer um check-up, para ver se está tudo OK comigo. Espero que ele me receite um replay disso tudo.

Como podemos observar, são expressões que já fazem parte do nosso dia a dia. Para alguns linguistas, isso representa uma evolução. A quem diga se tratar de uma invasão silenciosa das palavras, ou uma sutil colonização através de uma nova cultura. Eu costumo dizer, ironicamente, que a língua falada no Brasil sofreu tanta influência de termos estrangeiros, que até o livro de definição de suas palavras, o “Aurélio”, é “de Holanda”.

Temos que ficar online com as novidades, para não nos vermos off-line do mundo. Thank you e goodbye. The end.

CONSULTA: http://www.portaldalinguaportuguesa.org

*Paulo Cesar Paschoalini - http://pirafraseando.blogspot.com.br/ - Licenciado em Filosofia, escritor de poesias, contos e crônicas, premiado em diversos Concursos Literários, inclusive com textos publicados no exterior. Seu livro de poesias “Arcos e Frestas” foi publicado em 2003. É autor de “Mar adentro, mundo afora” (poesias) e “Paredes e tons” (contos), para lançamento em breve. Tem de 20 composições musicais, em parceria. Após mais de 32 anos de Banco do Brasil, agora se dedica à Literatura.

terça-feira, 21 de março de 2017

GRAVE: BRASIL CONVIVE COM 2,6 MILHÕES DE CRIANÇAS NO TRABALHO INFANTIL

Em meio às discussões sobre flexibilização da legislação trabalhista, um levantamento da Fundação Abrinq expõe mais uma faceta do já triste cenário do mundo do trabalho do país.

Mais de 60% dos meninos e meninas que trabalham são do Nordeste e do Sudeste, mas, proporcionalmente, a maior concentração ocorre na Região Sul.

Cerca de 2,6 milhões de crianças e adolescentes ainda são expostos a situações de trabalho infantil no Brasil. E mais: embora tenha diminuído o número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil na faixa de 10 a 17 anos, houve aumento de 8,5 mil crianças de 5 a 9 anos ocupadas, entre 2014 e 2015.

O trabalho infantil é proibido no país para menores de 14 anos. Ainda de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, aqueles que tiverem a idade de 14 ou 15 anos podem trabalhar, mas apenas na condição de aprendiz. Para os jovens de 16 e 17 anos é liberado o trabalho nas circunstâncias de que não comprometa a atividade escolar.

Com o nome de "Cenário da Infância e Adolescência - 2017", o estudo, que usou dados do IBGE, mostrou também que 5,8 milhões de brasileiros com idades entre 0 e 14 anos viviam em condição de extrema pobreza.

Além disso, 17 milhões de menores da mesma faixa etária (40,2% do total) moravam em domicílios de baixa renda, ou seja, com renda per capita mensal igual ou inferior a meio salário mínimo. No Norte e no Nordestes, regiões que apresentam as piores situações, mais da metade das crianças [60,6% e 54%, respectivamente] vivem com renda domiciliar per capita mensal igual ou inferior a meio salário mínimo.

Um dos temas abordados no documento é a violência contra as crianças e adolescentes. Segundo o estudo, 10.465 crianças e jovens até 19 anos foram assassinados no Brasil em 2015, o que corresponde a 18,4% dos homicídios cometidos no país nesse ano. Em mais de 80% dos casos, a morte ocorreu por uso de armas de fogo. A Região Nordeste concentra a maior parte desses homicídios (4.564 casos), sendo 3.904 por arma de fogo.

A publicação também mostra que 153 mil denúncias de violações de direitos de crianças e adolescentes chegaram ao Disque 100 em 2015, sendo que em 72,8% das ligações a denúncia se referia a casos de negligência, seguida por relatos de violência psicológica (45,7%), violência física (42,4%) e violência sexual (21,3%).
 Do Portal Vermelho, com agências

RODRIGO JANOT E A CRIMINALIZAÇÃO DA POLÍTICA

No artigo "Hora de Mudar a Política", publicado no último domingo (19), Rodrigo Janot, Procurador Geral da República, afirmou que “as investigações da Lava Jato não têm como propósito criminalizar a política”. E que “não se podem confundir os atos criminosos de alguns políticos com a própria política”.

Tais afirmações são desmentidas pelos fatos. A criminalização da política é uma realidade inconteste e resulta da ação articulada da grande maioria do ministério público e do judiciário, com o apoio da mídia e dos grandes grupos econômicos.

Os fatos são graves e atentam contra a Constituição e o estado democrático de direito. Dentre as muitas arbitrariedades destacam-se a condução coercitiva do ex-presidente Lula, os vazamentos seletivos de informações sigilosas, prisões com ampla e espalhafatosa divulgação pela mídia, divulgação da conversa entre a então Presidenta Dilma e o ex-presidente Lula, neste caso configurando atentado à segurança nacional.

Todos estes fatos não tiveram, por parte do Supremo Tribunal Federal e demais instâncias do Judiciário, nenhuma decisão que viesse assegurar o respeito às regras da democráticas. No caso do Supremo, tal conduta ficou cristalina com a adoção de dois pesos e duas medidas nas decisões adotadas em relação à posse do ex-presidente Lula no cargo de chefe da casa civil e a do Ministro Moreira Franco.

Assim como na decisão da execução da pena em segunda instância. A Constituição, no inciso LVII art. 5º, estabelece que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em jugado de sentença condenatória”. Ou seja a execução da pena com a condenação em segunda instância, sem aguardar o trânsito em julgado, atenta contra a disposição constitucional. O objetivo da decisão do Supremo visa criar as condições para a prisão dos condenados, em segunda instância, nos processos da Lava Jato. Com isto, criam-se as condições para uma eventual prisão do ex-presidente Lula.

Com objetivos claramente políticos o Procurador da Lava Jato, Roberto Dallagnol, em sua tese de mestrado, realizado em uma Universidade Norte Americana, procurou dar uma falsa fundamentação jurídica às decisões do juiz Moro da condenação sem provas, baseada na “convicção”.

Em declarações à imprensa criticou a Ministra Carmem Lúcia que no julgamento no julgamento das Ação Penal 470, se manifestou no sentido de que “para condenação, exige-se certeza, não bastando, sequer, a grande probabilidade”. Tudo indica que ele e o juiz querem constranger os ministros do Supremo Tribunal Federal a adotar a Teoria do Domínio do Fato no julgamento de Lula.

Esta teoria, adotada no julgamento do Mensalão, foi desenvolvida pelo jurista alemão, Claus Roxin. Quando ele esteva no Brasil, criticou a forma como ela estava sendo aqui praticada. É bom lembrar que tal teoria foi aplicada nos julgamentos de crimes de guerra nos Tribunais de Nuremberg, Tóquio e no julgamento dos crimes praticados durante a ditadura da Argentina. Aplicar tal teoria no Brasil e , mais ainda, para condenar pessoas denunciadas, sem provas, é um evidente acinte ao processo democrático.

Em seu artigo o Procurador Janot termina afirmando que “a revelação da promiscuidade no trato da coisa pública, ao nos confrontar com as deficiências do sistema político, é uma oportunidade para, preservando a institucionalidade, mudarmos os rumos de nossa sociedade”. E termina sem dizer qual a mudança que propõe para mudar “os rumos de nossa sociedade”.

Em sua análise o procurador deixou de dizer que a principal promiscuidade no trato da coisa pública se relaciona com a influência do poder econômico no processo político. E que a consequência desta promiscuidade não diz respeito somente à corrupção, mas também, à composição de um parlamento que, em sua grande maioria, atende aos interesses dos financiadores de campanha e não dos eleitores. Por isto não é suficiente combater a corrupção, que é uma consequência da promiscuidade, mas sobretudo, sua causa, o financiamento empresarial de campanha eleitoral.

O fato é que tem havido uma criminalização da política, não somente por parte do Ministério Público como também do judiciário e da grande mídia, com graves consequências para o país.

O que ocorre com a política está ocorrendo com o setor produtivo nacional. Cada vez fica mais claro que, para assegurar a fragilização das empresas nacionais, abrindo espaço para as empresas estrangeiras era necessário um golpe político para impor um governo antinacional. Para isto era fundamental criminalizar a política, os partidos e os políticos.

Hoje a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) e Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) emitiram uma nota pública onde afirmam que “eventuais desvios de conduta nas fábricas nacionais representam uma fração mínima” e não podem denegrir toda a imagem do setor em razão de exceções isoladas”. E mais “denegrir a imagem da proteína do principal exportador global só interessa aos produtores de mercados concorrentes”.

A tal Operação Carne Fraca foi desencadeada pela Polícia Federal de maneira semelhante às operações utilizadas contra pessoas suspeitas de corrupção. Estardalhaço pela imprensa, graves prejuízos, neste caso às empresas, sérios prejuízos à economia brasileira. Agora se levantam vozes, que se omitiram nos casos anteriores, criticando a Política Federal.

Só com a reafirmação do estado democrático de direito e da soberania popular, dando ao povo o direito de escolher o caminho que o país deve trilhar será possível garantir a retomada de um país democrático, desenvolvido e soberano. E isto só será possível através de eleições diretas para presidente, sem manobras que impeçam a candidatura do ex-presidente Lula.

*Aldo Arantes é ex-secretário da Comissão Especial de Mobilização para a Reforma Política da OAB.

CARNE FRACA DÁ CONTINUIDADE A DESMONTE DO SETOR PRODUTIVO NACIONAL

A Operação Carne Fraca já começa a provocar impactos negativos na economia brasileira. União Europeia, China, Chile e Coreia do Sul anunciaram, na segunda (20), restrições à importação de carne do Brasil.

De acordo com o professor de Economia da Uerj, Elias Jabbour, a ação da Polícia Federal foi irresponsável com a economia. Para ele, trata-se da continuidade de um movimento orquestrado de desmonte das cadeias produtivas estratégicas do país, cuja primeira vítima foi a engenharia nacional.

   “Após o desmonte de nossa engenharia pesada (consagrado com a proibição à participação de empresas nacionais em leilões e licitações), o golpe avança sobre outra cadeia produtiva: a de carnes”, escreveu Jabbour em sua página no Facebook.

Na operação Carne Fraca, a Polícia Federal denuncia um esquema de pagamento de propina envolvendo funcionários do Ministério da Agricultura e empresários do ramo alimentício, para relaxar a fiscalização e conseguir a liberação de licenças.

Em entrevista ao Portal Vermelho, o professor da Uerj disse que suas críticas não são à investigação em si, mas à forma espalhafatosa com que ela foi divulgada, prejudicando um setor importante da economia.

“Para a economia, é irresponsável. Um grupo dentro da Polícia Federal se encarrega de fazer uma investigação, que não falo que seja injusta, mas, ao sinal de qualquer resultado imediato, lança tudo na imprensa e coloca o país em polvorosa. O resultado disso já é a suspensão da compra da nossa carne. E o Brasil vai perdendo mercado e espaço internacional”, criticou.

Segundo dados do presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil(AEB), José Augusto de Castro, o Brasil exporta atualmente quase US$ 12 bilhões (o equivalente a quase R$ 40 bilhões) de carnes por ano. Em 2016, 1,077 milhão de tonelada de carne bovina foi exportada pelo Brasil, com faturamento de US$ 4,350 bilhões (R$ 13,48 bilhões com dólar a R$ 3,10).

Informações do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) mostram que o setor de proteína animal é hoje um dos principais itens da pauta de exportações brasileiras. Em 2016, o item “carnes e miudezas comestíveis” foi o terceiro mais importante entre os produtos enviados para fora do país, perdendo apenas para grãos e minérios.

“A operação ataca um setor duramente construído nos últimos 15 anos. Nesse período, o Brasil desenvolveu tecnologias que possibilitaram enfrentar a febre aftosa, a doença da vaca louca, criou condições para superar tudo isso e se impor no mercado internacional”, disse Elias Jabbour.

Ele lembrou que empresas como JBS e BRF – alvos da operação da Polícia Federal – receberam impulso da política de "campeãs nacionais", que concedeu financiamento público via BNDES a setores promissores, e passaram a ser players globais durante as gestões comandadas pelo PT.

“O BNDES investiu dinheiro público na construção de uma política que permite, por exemplo, a sobrevivência de setores inteiros da economia num mercado internacional altamente competitivo. Exemplo disso é a própria indústria de carnes. E esse tipo de operação vem a calhar para a destruição disso tudo que foi conquistado”, lamentou.

Sem coincidências: é a economia

Jabbour ressaltou que não se trata de um ataque isolado à agropecuária. Para ele, é preciso lembrar que a Carne Fraca ocorre após o setor de engenharia pesada nacional ter sofrido duro golpe, a partir das investigações da Operação Lava Jato. “Os setores do país que têm condições de competir fora de suas fronteiras estão sendo destruídos”, disse.

“A operação da Polícia Federal contra a o grupo JBS e BRS (com respectiva queda de suas ações na bolsa) sugere a continuidade do desmonte de todas as cadeias produtivas nacionais, notadamente aquelas com ampla capacidade externa”, escreveu no Facebook.

Para ele, “não existe coincidência quando se fala em estrutura econômica” e é preciso proteger a indústria nacional dos interesses estrangeiros. “Com a crise de 2008, abriu-se um prolongado processo de concentração de capitais. ‘Guerra de capitais’ e ‘fusões e aquisições’ são as principais marcas do capitalismo em crise. A destruição de nossa indústria, uma a uma, atende a interesses altamente corruptos e que buscam a transformação de nosso país em uma colônia”, completou.

Jabbour recordou que recentemente tornou-se pública a informação de que os Estados Unidos andavam espionando o Brasil – a própria presidenta Dilma Rousseff foi vítima. “Duvido, por exemplo, que essas operações da Polícia Federal, a própria Lava Jato, não se retroalimentem de informações vindas do exterior. Todo mundo sabe que o governo norte-americano espionava a Petrobras. Não tenho muita dúvida sobre isso, não é mania de perseguição. É assim que as coisas funcionam na economia”, defendeu.

Na avaliação do professor de Economia, por trás da operação, estão, portanto, interesses estrangeiros e corporativos, de dentro do próprio Estado nacional. “Ao que tudo indica, existem também rivalidades dentro da Polícia Federal e, um fica concorrendo com o outro”, opinou.

Em meio a esse processo, que atinge em cheio a economia, quem perde é a indústria nacional. “E, como consequência, isso piora o desemprego e ajuda na dissolução dos empregos de qualidade no país. Porque são empregos ligados ao nosso grau de complexidade industrial - quanto mais complexa uma estrutura produtiva, maior os salários oferecidos. E, assim, há um efeito em cadeia”. O professor ressaltou ainda que o alvo das operações tem sido sempre o capital produtivo, nunca o financeiro.

Por Joana Rozowykwiat, do Portal Vermelho