quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

TROÇA DA SERPENTE, SAIRÁ MAIS UMA VEZ NO CARNAVAL DE CAICÓ

Idealizada por artistas locais, a Troça da Serpente está se tornando uma tradição no carnaval de Caicó

Troça da Serpente é mais uma alegoria do Carnaval de Caicó que vem para somar e animar a festa!

A programação inicia na Casa de Pedra, ponto turístico da cidade e lembra a lenda da serpente do Poço de Sant'Ana. A Troça sairá a partir das 9h e animará a feira livre de Caicó.

A Troça percorrerá o circuito histórico de Caicó ao som da Furiosa Frevo Orquestra, indo até o Mercado Público Municipal, onde é realizada a Feira de Artesanato "Caicó Mostra Caicó" e encerrando no Largo da Catedral de Sant’Ana, sob o Arco do Triunfo, ao som de Jonas Linhares, na manhã deste sábado (25), dia de feira livre.

FRENTES BRASIL POPULAR E POVO SEM MEDO CONVOCAM PARA O DIA 15 DE MARÇO

Os atos do dia 15 de março contra a reforma da Previdência proposta por Michel Temer ganharam o reforço das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo.

Rovena Rosa/ Agência Brasil
Confira a nota na íntegra:

Se você não lutar, sua aposentadoria vai acabar!

A Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo, convocam você a engajar-se na luta para barrar a reforma da previdência e o fim da aposentadoria. É preciso organizar a resistência e conscientizar a população nos seus locais de trabalho, nas escolas e universidades, no campo e na cidade, sobre o brutal ataque aos direitos que vem sendo patrocinado por um governo e uma esmagadora maioria do Congresso Nacional, que não tem compromisso com o povo. É preciso fazer a luta nas ruas! Por isso no dia 15 de Março estaremos junto com os trabalhadores/as da educação em greve e com o conjunto da classe trabalhadora paralisada, para realizar grandes manifestações que mostrem que não aceitamos o fim da aposentadoria e nem um governo que seja instrumento para caçar direitos e piorar a vida dos brasileiros/as.

Antes disso, no dia 8 de Março, nos somaremos à luta das mulheres, especialmente prejudicadas pelo ataque a previdência, que irão às ruas de todo Brasil em defesa da vida de mulheres dizendo: Aposentadoria Fica! Temer Sai!

O presidente ilegítimo Michel Temer reafirma, a cada ação, o sentido do golpe que o colocou no governo. É um governo que, com o apoio da maioria do Congresso Nacional, busca liquidar a capacidade de ação do Estado em favor da população e ao mesmo tempo preservar e aumentar o lucro dos patrões e especuladores. A reforma do ensino médio, recentemente aprovada e encaminhada sem debate com alunos ou professores, demonstra essa ânsia por destruir políticas públicas. A retirada da exclusividade da Petrobrás sobre a exploração do Pré-Sal e o anúncio da liberação para estrangeiros comprarem terras brasileiras, mostram a falta de compromisso com a soberania nacional. Congelar o orçamento público por 20 anos, enquanto as necessidades do povo só aumentam, especialmente numa conjuntura de crise política e econômica e alta do desemprego, informa o sentido desumano do projeto político em curso. Como se não bastasse, o governo e os patrões também querem acabar com os direitos trabalhistas. Pretendem colocar o negociado acima do legislado e liberar as terceirizações sem limites.

A ofensiva aos direitos do povo brasileiro ainda não foi suficiente para eles. Para acabar, de vez, com o papel constitucional do governo de promover a proteção social, falta acabar com a aposentadoria e a previdência pública. Temer enviou mais uma grande alteração na Constituição brasileira que está sendo discutida no Congresso Nacional e pode acabar com a sua aposentadoria. A única forma de evitarmos mais esse ataque é lutando. Mobilize-se! Convoque seus amigos, colegas e vizinhos. No próximo dia 15 de Março tomaremos as ruas nas principais cidades do país para barrar o desmonte da previdência e o fim do direito à aposentadoria.
Frente Brasil Popular

Frente Povo Sem Medo

GOVERNO QUER CONVENCER POPULAÇÃO DE QUE 'É BOM PERDER DIREITOS'

Ao dizer que recessão terminou, ministro da Fazenda usa estratégia midiática, em momento de fragilidade das pessoas. "Com argumento calculado e repetição, você convence pessoas que tomar veneno é bom".

A fala do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, na quarta-feira (21), segundo a qual a recessão brasileira acabou, “é o tipo de declaração para vender otimismo e um resultado que ainda não veio”. Mais do que isso, para o economista Guilherme Mello, professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a declaração de Meirelles faz parte de uma estratégia midiática que envolve milhões de pessoas, muitas das quais acabam sendo convencidas de que o país e a economia vão bem e que reformas contra seus próprios direitos são positivas para elas e para a nação.

“Você consegue, com a propaganda certa, o argumento calculado e a repetição, convencer pessoas que tomar veneno é bom. Por mais que a realidade diga que a coisa vai muito mal, exatamente por isso as pessoas querem e precisam acreditar que vai melhorar. Então, se usa esse momento de fragilidade das pessoas para bombardear uma mensagem de otimismo através da imprensa, repetidamente, para ver se a coisa cola”, diz Guilherme.

Com base nessa estratégia, o economista prevê que, para emplacar a reforma da Previdência, os atuais governantes vão tentar convencer as pessoas de que elas ganharão com as mudanças, que, na verdade, significarão a retirada de grande parte da chamada rede de proteção social que o povo brasileiro ainda tem. “Explora-se o medo, as necessidades e os desejos das pessoas para convencê-las de que coisas que as prejudicam, na verdade, são para o bem delas, que é muito bom para elas perderem o direito de se aposentar, e parte das pessoas vai acreditar. Isso é grave.”

“O Brasil hoje já está crescendo e essa recessão já terminou. É uma recuperação sólida, impulsionada por medidas fundamentais. A PEC do Teto foi impulsionadora desse crescimento, e a (reforma) da Previdência, além de ser fundamental, está no centro desse processo”, disse Meirelles, na companhia do presidente Michel Temer, em reunião da comissão especial da reforma da Previdência, no Palácio do Planalto. “A mensagem é de que é mais importante ter a segurança de que vão receber a aposentadoria do que a expectativa de que vão se aposentar um pouquinho mais cedo ou tarde, gerando insegurança no futuro”, acrescentou.

Segundo Meirelles, “sinais sólidos de recuperação” da economia é a valorização da Bolsa de Valores, ganhos de valores relacionados ao Banco do Brasil, à Petrobras e à Vale, além da queda do risco Brasil e do dólar.

Porém, para “decretar” o fim da recessão, seria preciso de pelo menos um trimestre de crescimento positivo. Segundo Mello, os dados em que alguns analistas se baseiam para dizer que a economia está se recuperando “são muito questionáveis quanto à amplitude”. Por exemplo, a informação de que a indústria paulista voltou a contratar. Segundo o Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp/Ciesp, a indústria paulista teve saldo positivo de 6,5 mil vagas em janeiro. Mas, na comparação com janeiro de 2016, o saldo é negativo em 5,73%.

O número de desempregados é de cerca de 12 milhões de pessoas. Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, a taxa média de desemprego em 2016 chegou a 11,5%. As projeções do mercado para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2017 são de 0,5%.

“Se o país crescer 0,5% este ano, o desemprego aumenta. Precisa crescer 2%, 3% para ter uma queda de desemprego razoável”, disse a economista Esther Dweck.

Divulgados na semana passada, dados relativos ao comércio varejista indicam que, em 2016, foram fechadas 108 mil lojas em todo o país, pior resultado da série histórica desde 2005.

Todos esses dados, em conjunto, mostram uma situação que não se supera por decreto ou pela vontade de um ministro. "Quando Meirelles fala que a recessão acabou, está olhando para onde sempre olhou, para os que ele sempre representou, os investidores financeiros. Mas existe um descompasso entre o Brasil dos rentistas, que teve ganhos patrimoniais, porque a Bolsa subiu, e o Brasil verdadeiro, dos 99% dos brasileiros, que continua em uma situação de crise profunda", diz Guilherme Mello.

A OPÇÃO ANTIPOVO DE TEMER

A cena final do filme O Capital (2012), do cinesata grego Constantin Costa-Gavras, traz uma descrição perfeita do espírito que predomina no governo ilegítimo de Michel Temer: a opção contra o povo.

Naquela cena o protagonista Marc Tourneuil, indicado para o cargo de presidente de um banco ligado à especulação financeira, afirma-se, sob aplausos feéricos da assembleia de banqueiros, um Robin Hood moderno, que rouba dos pobres para tornar os ricos mais ricos.

Os brasileiros não gostam de Temer, desde a origem obscura e golpista de seu governo para o qual não teve sequer um voto popular. Por uma razão simples e direta: este governo fez, para usar uma metáfora oposta a outra já empregada por movimentos religiosos, uma opção contra os pobres.

Esta opção pode ser vista nas várias medidas que atentam contra os direitos sociais, trabalhistas e previdenciários dos trabalhadores e do povo – como a tentativa de impor 50 de anos de trabalho para aposentadoria, e que verdadeiramente inviabiliza e afasta a maioria do povo deste benefício. “Reforma” que aprofunda e dá consequência à outra iniciativa antipovo, a chamada PEC do Teto, que corta e elimina gastos sociais previstos na Constituição de 1988, voltados para saúde, educação e investimentos públicos. Tudo isso para economizar dinheiro público, permitindo que o governo pague os extorsivos juros cobrados pela ganância financeira.

Opção antipovo que pode ser vista também na postura subserviente do governo ilegítimo e sua política externa em relação aos interesses do imperialismo, principalmente dos EUA, e de suas empresas petrolíferas. As medidas que o governo toma nessa direção significam a entrega da enorme riqueza do pré-sal a empresas multinacionais, em claro prejuízo para o Brasil e os brasileiros. Da mesma forma como toma medidas para permitir a venda de terras para estrangeiros.

O desagrado popular contra Temer e suas políticas de Robin Hood moderno pode ser visto em São Paulo, no acampamento organizado pelo Movimentos dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) em protesto contra Emenda do Teto dos Gastos e em defesa dos programas de moradia popular, como o Minha Casa Minha Vida, contra os ataques do governo golpista.

Movimentos de protesto que crescerão nos próximos dias, quando ocorrerão manifestações populares previstas para o dia 8 de março (Dia Internacional da Mulher) e a grande manifestação marcada pelas centrais sindicais para o dia 15 de março.

Os brasileiros não gostam de Temer e reprovam as medidas a favor apenas dos especuladores e contra os direitos sociais do povo e dos trabalhadores, e que ameaçam e enxovalham a soberania nacional e a democracia. As ações do governo ilegítimo e golpista marcam sua opção elitista e antipopular, contra a democracia, contra o Brasil e contra os brasileiros.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

BRASIL É 10º PAÍS QUE MAIS MATA JOVENS NO MUNDO

Relatório aborda letalidade das armas de fogo no Brasil e ranqueia país em uma lista de cem nações. Documento alerta para a vulnerabilidade da população negra brasileira: atualmente, morrem 2,6 vezes mais afrodescendentes do que brancos por homicídios cometidos com armas de fogo.

Revista Afro

 No Brasil, 25.255 jovens de 15 a 29 anos foram mortos por armas de fogo em 2014, um aumento de quase 700% em relação aos dados de 1980, quando o número de vítimas nessa faixa etária era de cerca de 3,1 mil. Com isso, o Brasil ocupa a 10ª posição em número de homicídios de jovens num ranking que analisou cem países.

As informações são do “Mapa da Violência 2016”, lançado na quarta-feira (15) em Brasília, na Câmara dos Deputados. O documento alerta também para a vulnerabilidade da população negra à violência. Atualmente, morrem por arma de fogo 2,6 vezes mais afrodescendentes do que brancos.

O representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Jaime Nadal, participou da mesa de apresentação do documento e afirmou que é preciso mudar a forma como a juventude é vista no Brasil. “Apesar de serem apontados como os principais responsáveis pelas alarmantes estatísticas no Brasil, adolescentes são mais vítimas do que autores de atos violentos”, disse.

O dirigente da agência da ONU no Brasil lembrou que a violência afeta principalmente os jovens negros e pobres, assim como as mulheres afrodescendentes. Sem distinção por faixa etária, o “Mapa da Violência” aponta que, de 2003 a 2014, os homicídios por arma de fogo registraram queda de 27,1% entre a população branca — passando de 14,5 mortes por 100 mil habitantes para 10,6. No mesmo período, o índice aumentou entre os negros. Em 2003, foram 24,9 mortes por 100 mil afrodescendentes. Onze anos mais tarde, a taxa subiu para 27,4 — um aumento de 9,9%.

Em números absolutos, o “Mapa da Violência” identifica um crescimento de 46% no número de negros vítimas de homicídio por arma de fogo — de 20.291, em 2003, para 29.813, em 2014. Em 2003, morriam 71,7% mais negros do que brancos por esse tipo de crime. A proporção chegou a 158,9% em 2014. Ou seja, morrem por arma de fogo 2,6 vezes mais negros do que brancos no Brasil.

“O UNFPA e outras agências da ONU no Brasil têm atuado em várias frentes, apoiando ações afirmativas que buscam promover a participação de pessoas jovens e diminuir as desigualdades étnico-raciais”, acrescentou Nadal.

Tendo como tema central a letalidade das armas de fogo no país, o “Mapa da Violência” recupera registros desde 1980 e revela que aproximadamente 1 milhão de pessoas já foram vítimas de disparos. De 1980 para 2014, o número de homicídios por armas de fogo subiu de 6.104 para 42.291 por ano — um crescimento de 592,8%. Do total de assassinatos, cerca de 25 mil vitimaram jovens. No Brasil, o número de armas de fogo não registradas é maior que o de registradas — 8,5 milhões contra 6,8 milhões. O relatório aponta que 3,8 milhões estão em mãos criminosas.

Entre as unidades federativas, Alagoas é o estado com a maior taxa de homicídios por armas de fogo: 56,1 vítimas por 100 mil habitantes em 2014. Ceará e Sergipe vêm em seguida. Os estados com os menores índices são Santa Catarina (7,5) e São Paulo (8,2). A média brasileira em 2014 foi de 21,2 vítimas por 100 mil habitantes.

Com dados verificados até 2012, o Brasil ocupa, a nível internacional, a 10ª posição em um ranking de cem países. Quem encabeça a lista é Honduras, com taxa de 66,6 homicídios por 100 mil habitantes, seguido por El Salvador (45,5). A nação sul-americana com a maior taxa de homicídios por arma de fogo é a Venezuela (39).

Fonte:  ONU Brasil

CARNAVAL DE CAICÓ É TÃO NECESSÁRIO, QUANTO HISTORICAMENTE IMPORTANTE

Opiniões divergentes a parte, compreender a importância do Carnaval de Caicó se faz necessário para entender as suas consequências para a vida econômica e cultural do Município, porém, população, governos, sociedade civil e empresarial precisam entender que, nem só de eventos festivos se constrói desenvolvimento social

Por professor Antônio Neves

Todo ano surgem os mesmos questionamentos: devemos ou não realizar carnaval? Mas a questão transita no fato de se o município deve ou não pagar a conta da festa, sozinho, já que por anos passados somas financeiras altíssimas eram empregadas sem que houvesse planejamento, parcerias e contrapartida de outros segmentos que lucram, e muito, com os oito dias dos festejos de Momo, sem oferecer nenhuma contrapartida.

Para se convencer da importância econômica e cultural da realização do Carnaval é preciso reconhecer o peso que a festa tem para a movimentação da econômica local, mesmo sendo sazonal. Mas justificar sua realização a partir apenas do aspecto econômico, corre-se o risco de mercantilizar as compreensões e contribuir para um falso entendimento da utilidade do Evento, distanciando-se do alcance que precisamos ter para perceber as tradições, a diversidade cultural e os investimentos devidos em meio a grande receptividade que há no seio da população caicoense.  

Tem um detalhe que precisamos compreender: há décadas que Caicó, com crise ou sem crise, com chuvas ou sem chuvas, com dinheiro ou sem dinheiro, realiza carnavais, desde os tempos memoriais das escolas de samba de seo Manoel de Neném, até os dias de hoje, isso porque o carnaval além de ser uma festa popular (e a mais democrática de todas) é também, em Caicó, um evento que fala muito do espírito do ser caicoense; o que precisamos é unir o útil ao agradável, dosar bem as oportunidades e buscar novos investimentos e parcerias, que sejam introduzidas na vida social dos munícipes como meio de integrar a cidade numa cultura de oportunidades, para que com isso, possamos desenvolver criativamente todos os aspectos envolvidos: a economia, as tradições e a sociedade em todas as suas manifestações saudáveis de crescimento e colaboração humana, social e econômica.

As características assumidas pelo carnaval de Caicó nas últimas décadas o fizeram grande do ponto de vista de evento de massas, até hoje temos realizado um carnaval tranquilo, de muita confraternização, pouco a pouco estamos resgando nossas tradições carnavalescas, mesclando-as com a diversidade cultural da juventude e dos antigos carnavais (o que é inevitável). O Poder Público ciente do seu papel, precisa comprar o desafio de usar bem o dinheiro público sem favorecer a segmentos “A” ou “B” quanto ao fato de reconhecer a importância da realização do Evento e promovê-lo de forma inclusiva, sem que se veja na obrigação de bancar tudo sozinho.

Então já é carnaval em Caicó, aproveitemos a festa, pratiquemos o exercício do bom acolhimento aos nossos visitantes e a cultura da paz, da alegria e da diversão. Pensemos a partir desse ponto em construir uma cidade mais saudável, resgatando seus valores históricos, preservando suas tradições e difundindo nossas culturas com olho na diversidade, na tolerância e nas boas ideias, porque depois da quarta-feira ingrata, a vida continua ...

“QUEM NÃO AMA A SOLIDÃO, NÃO AMA A LIBERDADE” – ARTHUR SCHOPENHAUER


“…quanto mais elevada for a posição de uma pessoa na escala hierárquica da natureza, tanto mais solitária será, essencial e inevitavelmente. Assim, é um benefício para ela se à solidão física corresponder a intelectual."
Arthur Schopenhauer

Nenhum caminho é mais errado para a felicidade do que a vida no grande mundo, às fartas e em festanças (high life), pois, quando tentamos transformar a nossa miserável existência numa sucessão de alegrias, gozos e prazeres, não conseguimos evitar a desilusão; muito menos o seu acompanhamento obrigatório, que são as mentiras recíprocas.

Assim como o nosso corpo está envolto em vestes, o nosso espírito está revestido de mentiras. Os nossos dizeres, as nossas ações, todo o nosso ser é mentiroso, e só por meio desse invólucro pode-se, por vezes, adivinhar a nossa verdadeira mentalidade, assim como pelas vestes se adivinha a figura do corpo.

Antes de mais nada, toda a sociedade exige necessariamente uma acomodação mútua e uma temperatura; por conseguinte, quanto mais numerosa, tanto mais enfadonha será. Cada um só pode ser ele mesmo, inteiramente, apenas pelo tempo em que estiver sozinho. Quem, portanto, não ama a solidão, também não ama a liberdade: apenas quando se está só é que se está livre.

A coerção é a companheira inseparável de toda a sociedade, que ainda exige sacrifícios tão mais difíceis quanto mais significativa for a própria individualidade. Dessa forma, cada um fugirá, suportará ou amará a solidão na proporção exata do valor da sua personalidade. Pois, na solidão, o indivíduo mesquinho sente toda a sua mesquinhez, o grande espírito, toda a sua grandeza; numa palavra: cada um sente o que é.

Ademais, quanto mais elevada for a posição de uma pessoa na escala hierárquica da natureza, tanto mais solitária será, essencial e inevitavelmente. Assim, é um benefício para ela se à solidão física corresponder a intelectual. Caso contrário, a vizinhança frequente de seres heterogêneos causa um efeito incômodo e até mesmo adverso sobre ela, ao roubar-lhe seu «eu» sem nada lhe oferecer em troca. Além disso, enquanto a natureza estabeleceu entre os homens a mais ampla diversidade nos domínios moral e intelectual, a sociedade, não tomando conhecimento disso, iguala todos os seres ou, antes, coloca no lugar da diversidade as diferenças e degraus artificiais de classe e posição, com frequência diametralmente opostos à escala hierárquica da natureza.

Nesse arranjo, aqueles que a natureza situou em baixo encontram-se em ótima situação; os poucos, entretanto, que ela colocou em cima, saem em desvantagem. Como consequência, estes costumam esquivar-se da sociedade, na qual, ao tornar-se numerosa, a vulgaridade domina.

por Arthur Schopenhauer, in ‘Aforismos para a Sabedoria de Vida’ - em Pensar Contemporâneo

DESMONTE DA PREVIDÊNCIA: CALCULE O TEMPO QUE VOCÊ VAI TER QUE TRABALHAR

A Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip) disponibiliza, em sua página eletrônica, uma calculadora que permite ao trabalhador saber quanto tempo a mais ele terá que trabalhar caso seja aprovada a proposta de “reforma” da Previdência encaminhada pelo governo Temer.

Com a ferramenta, é possível saber quanto será alterada a situação e perspectiva de aposentadoria para mulheres com menos de 45 anos de idade e homens com menos de 50. Acima dessa faixa etária, valem as regras de transição e o sistema da Anfip não realiza  esse cálculo. Também não pode ser feita a simulação para as categorias que hoje têm aposentadoria especial como professores, policiais, trabalhadores rurais e trabalhadores que recebem adicional de insalubridade ou de periculosidade.

Pela calculadora é possível verificar, por exemplo, que uma mulher que tem hoje 30 anos e 10 de contribuição em regime de CLT, ao invés de se aposentar com benefícios integrais aos 53, como estabelece a regra atual, terá que permanecer no mercado de trabalho até 0s 69 se a PEC 287 for aprovada no Congresso Nacional. Para obter a aposentadoria proporcional, essa mesma pessoa, que poderia ter o benefício aos 50 hoje, terá que trabalhar até os 65.

Já para o homem, celetista, que tem 44 anos e 24 de contribuição, só vai conseguir ter direito à aposentadoria proporcional aos 65, sendo que hoje ele teria esse direito aos 50. Para receber os proventos integrais, assegurados pelas regras atuais aos 53, t terá que esperar até os 69.


Acesse AQUI para calcular o tempo da sua aposentadoria com a reforma de Temer http://www.anfip.org.br/calculadora.php

TRUMP INSTALA O CAOS NA CASA BRANCA

Em seu vertiginoso primeiro mês, o presidente dos EUA polarizou a sociedade, dinamitou o legado de Obama e entrou em guerra com a imprensa e os serviços de inteligência.

O mensageiro de uma nova ordem mundial: ignorância, arrogância, despreparo, Trump representa o caos.

O tempo é algo relativo quando se trata de Donald Trump. Desde o último dia 20 de janeiro quando tomou posse, o presidente dos EUA começou uma agenda vertiginosa e destituiu uma procuradora-geral, fulminou seu conselheiro de Segurança Nacional, humilhou seus serviços de inteligência, ordenou construir um muro com o México, deixou o Acordo Transpacífico, entrou em colisão com Google, Apple e Facebook, enfureceu a União Europeia, defendeu Vladimir Putin, ofendeu os líderes de China, México e Austrália, proibiu a entrada de milhares de muçulmanos, entrou em choque com os tribunais, demonizou os meios de comunicação e transformou o grande símbolo do poder norte-americano, a Casa Branca, em um imenso caos.

Tudo isso em 31 dias. Pouco mais de 700 horas. Um tempo mínimo para qualquer governante, mas suficiente no seu caso para ativar os alarmes. Dentro e fora do país. “Nunca estive tão nervoso sobre o que poderia acontecer em Washington. Se surgir uma crise, não sei se poderão responder de forma racional”, alertou o democrata Leon Panetta, ex-secretário de Defesa e ex-diretor da CIA. “Nosso governo vive em uma confusão incrível e espero que não continuem assim porque somos uma nação em guerra”, sentenciou o respeitado general Tony Thomas, chefe do Comando de Operações Especiais.

O espetáculo foi inédito. Mas era esperado. Fiel a si mesmo, o presidente dos Estados Unidos não desceu da locomotiva em que se encontra a vida toda. Nem abandonou sua demagogia e seu amor pelo corpo a corpo. Mas por trás de sua aceleração permanente, também terminou ofuscado pela realidade. Especialmente na política externa. Seu ponto mais fraco. Descontando sua virulência com o México, no caso de Israel recuou em seu apoio irrestrito aos assentamentos ilegais, com a China abandonou seu flerte com Taiwan e com o Irã não denunciou o pacto nuclear que tanto censurou.

Mais beligerante, apesar de não ter tido tanto sucesso, foi como se mostrou nos assuntos domésticos. Nesse campo, as explosões foram contínuas. Mas sua ira caiu contra as resistências mais poderosas. O teste foi o veto migratório.

A selvagem restrição imposta a sete países de maioria muçulmana desencadeou uma onda vertiginosa de protestos. Enquanto os aeroportos foram ocupados por milhares de cidadãos, centenas de empresas se somaram à frente legal. A própria procuradora-geral interina se recusou a defender a ordem e os juízes, um após o outro, a rejeitaram até que um tribunal federal bloqueou a medida.

O tapa judicial em Trump, que já anunciou que esta semana irá apresentar uma outra ordem, mostrou a todos os limites de sua grandiloquência. E também sua habilidade inata para dividir uma sociedade já fraturada.

Trump ganhou a eleição com 2,8 milhões de votos a menos que Hillary Clinton, e as pesquisas mostram que não foi capaz de reverter este desequilíbrio. Ao contrário, a cada dia que passa aumentam os detratores. Sua desaprovação, de acordo com Public Policy Polling, aumentou de 44% para 53%. Nessa erosão intervém, infelizmente para Trump, tudo aquilo que ele gosta, especialmente seus colaboradores mais visíveis. O estrategista-chefe, Steve Bannon; a assessora estrela, Kellyanne Conway, e o porta-voz, Sean Spicer, com seus deslizes, aumentam a sensação de desgoverno que reina na Casa Branca.

A queda foi tão acentuada que até o líder da maioria republicana, o senador Mitch McConnell, pediu calma para Trump. “Mas o que ele diz, torna tudo mais difícil”, reconheceu. Suas palavras iluminam algo que é evidente para todos, exceto para o presidente: que a acumulação de inimigos e seus contínuos espasmos via Twitter podem se tornar tóxicos para os seus. “Trump vai continuar com a mesma intensidade enquanto não afetar os republicanos no Congresso. Mas quando isso acontecer, terá problemas”, diz o professor de História e Assuntos Públicos da Universidade de Princeton, Julian E. Zelizer.

Esse ponto de ruptura ainda não chegou. As críticas nas fileiras do seu partido continuam sendo minoria. Mas há sinais de que a explosão não está muito longe. Sua própria personalidade faz com que seja difícil abrandar. “Ele quer ser sempre o centro das atenções e dar a imagem de presidente ativo, então suspeito que vai continuar nesse ritmo”, diz Kyle Kondik, do Centro de Política da Universidade da Virgínia.

A crise por combustão espontânea é uma possibilidade. Apesar de não ser a única. No horizonte surgiu um incêndio maior que o próprio Trump. A conexão russa. As estranhas ligações entre membros de sua equipe com o Kremlin. O caso já fez uma vítima importante: o conselheiro de Segurança Nacional, Michael Flynn. Mas o escândalo está longe de terminar.

Os serviços de inteligência, golpeados pelo presidente e alarmados por sua amizade com Putin, já contra-atacaram. Das catacumbas começaram a questionar sua capacidade e começou um fluxo devastador de vazamentos. Sob esta tempestade, os meios de comunicação se lançaram à caça. E o presidente, irreprimível, declarou guerra a eles e os classificou como “inimigos do povo norte-americano”.

A luta agora é aberta. Trump está enfrentando a imprensa mais poderosa no mundo, os serviços secretos e uma classe média urbana cansada de seus desmandos. Somente o bom andamento da economia e uma base fiel podem salvá-lo. Mas ninguém sabe quanto tempo poderá durar. No horizonte aparece uma disputa feroz. Algo que não assusta o presidente. É um jogador de fôlego. Alguém que olha de frente e morde. Sem pestanejar. Como ele mesmo diz: “Se alguém o ataca, você contra-ataca dez vezes. Assim, pelo menos você se sente bem”. Esse é Trump.

Fonte: El País

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

EXPOSIÇÃO ABORDA HISTÓRIA E ANTROPOLOGIA DE CAICÓ

Mostra Descobrindo o Rio Grande do Norte com Luís da Câmara Cascudo tem sala Seridoísmo, com fotos e textos escritos por geógrafos, historiadores e pesquisadores que interpretaram a identidade e evolução sociocultural caicoense.

Jose Ezelino da Costa_enchente 1920 - Fotografia da enchente de 1924, de Jose Ezelino da Costa, o garboso filho de uma escrava alforriada autor dos principais registros de Caicó de seu tempo, se destacou também na música e na pintura

A exposição Descobrindo o Rio Grande do Norte com Luís da Câmara Cascudo, aberta na última quinta-feira (16), em Caicó, apresenta um olhar histórico e antropológico sobre o município seridoense.

Se a obra do maior intelectual norte-rio-grandense é a base da curadoria, espaço destacado foi dado à principal cidade de uma das regiões mais tradicionais da América Portuguesa.

Na sala Seridoísmo, a mostra traz fotos e textos escritos por geógrafos, historiadores e pesquisadores que interpretaram a identidade e evolução sociocultural caicoense. A experiência é completada por painéis com imagens antigas de Caicó e reproduções de pinturas rupestres encontradas, sobretudo, no sítio arqueológico de Carnaúba dos Dantas.

O visitante pode ler textos de Oswaldo Lamartine de Faria, Olavo de Medeiros Filho, Moacy Cirne, Muirakytan Kennedy de Macêdo, Francisco de Assis Medeiros, Manoel Dantas, Ione Diniz Rodrigues Morais, Paulo Bezerra, Maria Augusta Vale, Olívia Morais de Medeiros Neta e Eugênia Maria Dantas.

A exposição Descobrindo o Rio Grande do Norte com Luís da Câmara Cascudo está aberta ao público de segunda à sexta, das 8h às 16h30, no Centro de Educação José Augusto (CEJA), localizado na rua Zeco Diniz, S/N, Penedo, em Caicó.

Do Seridó arcaico: reminiscências potiguares

Cada autor com sua visão daquele cenário idílico, místico e selvagem. Publicações clássicas na historiografia e genealogia potiguar desvelam o Seridó.

O célebre historiador em Homens de Outr´Ora, Manoel Dantas trata das origens assim:

“Quando o sertão era virgem, a tribu dos Caicós, celebre pela sua ferocidade, julgava-se invencível, porque Tupan vivia alí, encarnado num touro bravio que habitava um intrincado mufumbal, existente no local onde está, hoje, situada a cidade de Caicó”.

Osvaldo Lamartine (1919-2007) é autor de um dos livros mais importantes sobre o Sertão brasileiro e descreveu o Rio Grande do Norte com raro talento literário e de pesquisa

Já o poeta Moacy Cirne, em Seridó, Seridós, cria termos para definir o lugar:

“O Seridó não se resume a Caicó, naturalmente; o sentimento de seridolência, que antecede o seridoísmo, conforme o entendemos, é tão antigo quanto as cidades de Acari e Caicó, as primeiras da região.”

No livro Sertões do Seridó, o escritor Oswaldo Lamartine fala da pecuária:

“A vocação histórica do sertanejo é o gado. Espremido em cercados retalhados a cada herança, pendeu para uma pecuária semiextensiva”.

Músicas sobre Caicó vão de Chico César a Heitor Villa-Lobos

O produtor musical José Dias preparou um repertório especial com obras de intérpretes e compositores referentes à cultura caicoense.

São apresentados temas, como Rosa Impúrpura do Caicó, de Chico César, Ovo de Codorna, de Severino Ramos (aqui com a Filarmônica de Cruzeta), a ária Cantiga do Caicó, de Heitor Villa-Lobos (veja que beleza na voz da cantora galega Uxía), Comunhão, de Mário Gil (aqui ele no programa Arteletra, em pequeno show com o álbum completo), entre outras canções.

Quem for à mostra será conduzido por recortes da obra literária de Câmara Cascudo pela história potiguar, desde a chegada dos portugueses, a tradição dos índios locais, a invasão holandesa, o papel de Natal na 2ª Guerra Mundial, até o panorama atual – a mostra é baseada no livro História da Cidade do Natal.

A iniciativa consiste em um passeio entre os corredores e galerias do Memorial, guiado pelo próprio Câmara Cascudo, através de recortes da sua obra literária, em uma verdadeira viagem ao longo de cinco séculos de história.

A mostra é composta por grandes painéis com textos de Câmara Cascudo, fotografias (como as de José Ezelino da Costa) mapas, cartas náuticas, pinturas, tudo em busca de se aproximar do visitante e despertar nele o interesse e valorização pela história potiguar e pela obra de Cascudo.

Tem também bonecos em tamanho real de personagens ilustres e heróis potiguares, artefatos, livros, miniaturas e uma diversidade de objetos museológicos.

A exposição Descobrindo o Rio Grande do Norte com Luís da Câmara Cascudo está aberta ao público de segunda à sexta, das 8h às 16h30, no Centro de Educação José Augusto-Ceja (Rua Zeco Diniz, S/N, Penedo, Caicó).

DADOS DO CPF JÁ PODEM SER ATUALIZADOS PELA INTERNET

O serviço é oferecido gratuitamente. Confira mais informações

Agora, as informações do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) podem ser atualizadas pelo site da Receita Federal. O serviço está à disposição da população desde 16 de janeiro e as atualizações podem ser feitas a qualquer hora do dia ou da noite, inclusive nos finais de semana e feriados, de forma gratuita.

Antes, o serviço só podia ser realizado nas agências dos Correios, nas agências da Caixa Econômica Federal (CEF) e do Banco do Brasil, ao custo de R$ 7. Agora, a atualização pela internet é mais uma opção para brasileiros e estrangeiros que moram no Brasil.

Por meio do site, podem ser alterados o endereço, nome (por motivo de casamento, divórcio, etc.) e o telefone, além de fazer a inclusão do número do título de eleitor.

Para realizar o processo de atualização, basta acessar a página da Receita Federal (idg.receita.fazenda.gov.br), clicar no ícone CPF e preencher o formulário.

O que é?

O CPF é um banco de dados gerenciado pela Receita Federal do Brasil, que armazena informações da população que mora no País. A obrigatoriedade do cadastro se aplica para residentes no País que movimentam contas bancárias; para maiores de 14 anos que estão listados como dependentes nas declarações anuais do Imposto de Renda (IR), quando órgãos ou entidades de administração pública federal, estadual, distrital e municipal solicitam; filiados como segurados obrigatórios da Previdência Social ou qualquer espécie de benefício requerido no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS); e todas as pessoas com registro civil.

Por Lorrainne Silva/edição 1298 Folha Universal

NÃO PERMITA QUE A INTERNET ROUBE O SEU TEMPO

Entenda por que é indispensável usar a rede com moderação e de forma inteligente

Na praia, no parque, no restaurante, no shopping. E também em casa, na sala de estar, no quarto e até no banheiro. Com exceção dos lugares mais remotos da Terra, em todos os outros existe alguém conectado, acessando informações úteis e inúteis e gastando um tempo precioso com isso.

Desde o surgimento da internet, nossa vida nunca mais foi a mesma. Em muitos aspectos, ela mudou para melhor. Contudo, diversos estudos comprovam que a hiperconectividade é prejudicial.

As inúmeras horas gastas em redes sociais, aplicativos de conversa e contas de e-mail agregam bem pouco aos projetos de vida de uma pessoa. Ao final, não é difícil perceber que é muito investimento de tempo e atenção para pouquíssimo retorno.

“Entendo que o perigo destas distrações está no modo como a pessoa e seu contexto fazem uso de tais recursos”, afirma Beatriz Marques de Mattos, mestre em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem. “Com o advento desses aparelhos, as pessoas ficam 24 horas conectadas no mundo virtual. Por meio dessa conexão, podem se relacionar com as pessoas que estão ao seu lado ou com as que estão distantes geograficamente. O acesso à informação está bem mais fácil e somos bombardeados a todo tempo com novas notícias. Tudo está se transformando muito rápido e o indivíduo conectado busca estar ligado a tudo o que ocorre à sua volta e no mundo”, diz.

Mas não é necessário se desconectar do mundo todo para ter sucesso nos objetivos pessoais e profissionais. Para isso, basta organizar melhor os seus dias, estabelecer prioridades e dedicar o tempo necessário para cada atividade, sem atrapalhar ou comprometer as demais. Confira abaixo algumas dicas.

• Não deixe sua caixa de e-mails aberta: quando estiver fazendo um trabalho, evite se distrair com cada mensagem que chega. Conclua sua atividade e depois leia todos eles. Isso também vale para as mensagens e avisos
de aplicativos.

• Estabeleça um tempo para tudo. Seus momentos na internet, nas redes sociais ou para conversas em aplicativos são importantes, mas eles não podem roubar o tempo dirigido às outras coisas que você precisa fazer.

• Quem faz tudo não faz nada: nenhuma tarefa ou trabalho será bem-feito se for interrompido a todo instante. Dê a cada situação a atenção e o tempo necessários à boa execução.

• Por fim, use o mundo virtual a seu favor. Anote, priorize e se organize. Com tantos aplicativos e ferramentas disponíveis, com certeza existe um recurso que combina com seu estilo de vida.

Por Vanessa Freitas / edição 1298 Folha Universal

E A CRISE NO SISTEMA PENITENCIÁRIO?

A barbárie registrada durante as últimas rebeliões em penitenciárias brasileiras ganhou destaque internacional e escancarou, mais uma vez, a precariedade de nosso sistema prisional. Imagens de corpos esquartejados e decapitados mostraram a realidade chocante das prisões no País. Juntos, os motins ocorridos em presídios de Roraima, Amazonas, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, São Paulo e Paraná tiveram pelo menos 136 detentos mortos.


Em Manaus, a rebelião ocorrida em 1º de janeiro no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) durou 17 horas, deixou 56 mortos e entrou para a história como a maior carnificina dentro de um presídio depois do massacre do Carandiru, ocorrido em 1992, em São Paulo (SP). Mais de 200 prisioneiros fugiram. Dias depois, mais duas rebeliões em outros presídios do Amazonas deixaram oito mortos. Os motins teriam sido provocados pela guerra entre organizações criminosas, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas.

No dia 6 de janeiro, um novo motim deixou 33 mortos na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, no Estado de Roraima. Cenas de terror com corpos mutilados se repetiram entre os dias 14 e 15 do mesmo mês, durante a rebelião que deixou 27 mortos na Penitenciária de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte. O governador do Estado, Robinson Faria, classificou o massacre em Alcaçuz como “retaliação” ao que ocorreu em Manaus. Depois dos confrontos, a penitenciária recebeu contêineres provisórios para separar os presos de duas facções.

Situação precária

O Brasil tem hoje a quarta maior população carcerária do mundo. São 622 mil pessoas presas, quase o dobro das 371.884 vagas existentes. No ano passado, um relatório entregue em novembro a autoridades brasileiras por especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) alertava para os diversos problemas nos presídios do País.

O documento cita a frequente ocorrência de maus-tratos, tortura, superlotação e controle de unidades por facções criminosas. “Em muitas prisões, o subcomitê recebeu relatos de que detentos são frequentemente levados por outros presos a determinadas celas e áreas onde são alvo de tortura.

Em diversas penitenciárias, os presos são transferidos para solitárias devido a ameaças de outros detentos, incluindo membros de facções criminosas que exercem abertamente o controle das prisões”, afirmou o relatório.

Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), alguns dos principais problemas do sistema prisional são superlotação, déficit de gestão (número de agentes penitenciários insuficiente), ausência de políticas de reintegração social (só 13% dos presos estudam e apenas 20% trabalham) e a mortalidade dentro dos presídios, com surtos de tuberculose, sarna, HIV, sífilis e hepatite entre os detentos. Os dados foram compilados em um documento enviado em outubro de 2016 à presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, e divulgados recentemente pelo jornal O Estado de S. Paulo. Para acabar com o déficit de vagas no sistema, o CNJ calcula que seria necessário um investimento de pelo menos R$ 10 bilhões.

Diante da crise no sistema penitenciário, o governo federal chegou a anunciar que deve destinar cerca de R$ 200 milhões para a construção de cinco presídios federais. Outra medida foi a liberação das Forças Armadas para que atuem em operações dentro dos presídios brasileiros, em resposta ao pedido de alguns governadores. Até agora, entretanto, uma solução definitiva parece estar distante.

.Por Rê Campbell e Eduardo Prestes / Fotos: AE, Cedida e Demetrio Koch / Arte: Eder Santos/edição 1298 Folha Universal

domingo, 19 de fevereiro de 2017

FURIOSA FREVO ORQUESTRA, A GRANDE BOA NOVIDADE DO CARNAVAL DE CAICÓ!

O Carnaval de Caicó pouco a pouco vai resgatando suas tradições e melhorando em qualidade, em 2017 a grande novidade é a Furiosa Frevo Orquestra, uma iniciativa que resgata grandes frevos com profissionalismo e bom gosto de repertório

Por Antônio Neves

Formada por músicos de excelente gabarito, Orquestra promete esquentar Carnaval de Caicó

Para se promover um grande carnaval necessariamente não se precisa de grandes estruturas, muitas vezes caras, ineficientes e de mau gosto; a tradição sempre deixou dito que carnaval se faz com criatividade, frevo no pé e muita alegria. Pois bem, é exatamente o que tem pra oferecer a Furiosa Frevo Orquestra, uma iniciativa de alguns músicos que compõem a Filarmônica Recreio Caicoense e que neste Carnaval se apresentará aos foliões com um repertório de alto nível e bom gosto musical.

Formada por músicos profissionais que escolheram a dedo cada nota que compõem os frevos que serão executados neste carnaval, a Orquestra tem mostrado entrosamento, afinação, harmonia e diversificação no repertório que animará os finais de tardes entre os dias 25 a 28 de fevereiro na Praça do Coreto, no centro da cidade, oferecendo mais uma opção ao carnaval que este ano inovou multiculturalmente na sua programação que vai do frevo ao trio elétrico, do samba ao rock, do axé a Aviões do Forró.

A ideia de formação dessa Orquestra foi de tamanha e inteligente iniciativa que merece crédito, apoio e reverência, afinal não é em toda cidade ou em qualquer carnaval de interior que se tem uma orquestra de frevo com qualidade comparável as das orquestras que animam os carnavais de Recife e Olinda; e se vamos ter uma oportunidade como esta em Caicó, isso merece total atenção dos foliões da cidade e dos visitantes, então, a partir do próximo dia 25 (sábado) é só ir conferir e, para não ficar com saudades, basta comprar o kit com: CD, camiseta, boné e copo, tudo personalizado, que a Orquestra estará comercializando nos locais das suas apresentações.

Para quem já conferiu os ensaios gerais que aconteceram na Ilha de Sant’Ana, já deu pra perceber que o resultado foi para além do esperado. Parabéns a todos os músicos, patrocinadores e idealizadores deste projeto, o Carnaval de Caicó agradece!

sábado, 18 de fevereiro de 2017

OS DESLUMBRADOS ESTÃO PREOCUPADOS EM TER E NÃO EM SER

Levei muito tempo para entender que a nossa essência é a mesma independente do papel que exercemos na sociedade. O grande problema está quando confundimos nossa profissão, nosso papel na família ou o que quer que seja com o “eu sou”.

Por exemplo, “Eu sou diretora de tal revista”, “Eu sou sua mãe”, “Eu sou chefe do banco”. Todos esses “eu sou” são uma ilusão, um papel, uma interpretação que você faz de si mesmo. Se você é demitido do seu trabalho ou perde seu filho, você deixa de ser quem você é? Claro que não, porque você é muito mais profundo e complexo do que isso.

Eu sempre me achei tonta por não me sentir “a tal” (a que trabalha em tal empresa, a que conhece fulaninho-importante, a que estudou em escola boa, a que tem cultura). Hoje dou graças ao meu coração que nunca me deixou levar por esta vaidade tão egóica, ilusória e superficial.

Dentro de mim sempre senti o grande: – e daí que eu trabalho com isso? Que conheço sei lá quem? Que eu sei sobre essas coisas? Continuo sendo a mesma pessoa de carne e osso que vive em um pequeno universo em um grande multiverso.

Demorei em reconhecer o valor grandioso que carrego em mim por não ser deslumbrada por coisas que facilmente podem servir como uma armadilha para o ego. Sempre me encantei por pessoas com conhecimentos, mas no decorrer da vida, também descobri que se elas não tem prática, somente teoria, rapidamente me desinteresso. Meu coração se nega a dar credibilidade para quem fala uma coisa e faz outra. Sou do tipo: me mostre com seus exemplos e não com suas palavras.

Por isso, aprendi a cada vez mais filtrar minhas relações. Não sei compartilhar meias verdades, meia essência, e exatamente por isso, ao meu redor, vou criando relações com pessoas também enraizadas em suas verdades, em suas filosofias, em sua própria força. Preste mais atenção a si e a quem está ao seu redor. As nossas relações dizem muito sobre nós.

Os deslumbrados estão preocupados em ter e não em ser, em mostrar ao invés de apreciar, reprimidos por seu próprio medo em enxergar o que são verdadeiramente, sem arrogância, com humildade.

Se apropriar de sua essência traz paz ao mundo interior e esta se expande para tudo ao seu redor porque você já aceitou tudo o que é – o que inclui “seus defeitos”. Seja realista, afinal, como diria William A. Ward: “O pessimista reclama sobre o vento, o otimista espera que mude e o realista apenas ajusta as velas.”.

Por Helena Cecília de Fraga Verhagen - jornalista de formação e escritora por intuição. Nasceu em São Paulo, viajou pelo mundo e agora parou na Espanha. Em 2015 lançou seu primeiro livro "O Mundo é das Bem-Amadas" que trata sobre o amor próprio e intuição. Vive a vida para contar histórias. Escreve para o seu site, que leva o mesmo nome do livro (www.omundoedasbemamadas.com.br) e outras mídias que abordam sobre o tema autoconhecimento.

NÃO HÁ ÊXITO SEM CONCESSÕES.

Gente que já acorda jurando que não fará concessões e começa o dia quebrando a promessa, porque a rotina é feita de cessões, concessões e negociações, para que, minimamente, se consiga algum êxito.

De nada adiantam a atitude superior e a carranca fechada, as exigências descabidas, as vias sem saída e as vontades mimadas. No máximo, cansam e afastam quem poderia contribuir para algumas soluções do dia.

Gente que se enxerga como o ponto focal, que desconsidera o espaço e valor alheios, que pega a primeira cadeira de qualquer lugar sem se incomodar com quem vem atrás. Gente que acha que conceder é sinal de covardia, que confunde arrogância com personalidade forte, e apresenta total falta de cortesia como seu cartão de visitas.

Gente que crê merecer sempre mais e melhor… do que os outros.

Tem gente que vive desse jeito, que não para para observar os movimentos e mudanças do mundo, das pessoas, dos comportamentos e relações. Gente que parou no tempo da realeza, que embora nada tenha de nobre, insiste em viver como tal.

A vida é dura para toda essa gente. Sem nenhuma noção colaborativa nem solidária, se perdem no oceano de reclamações e protestos quanto ao seu direito de exclusividade e prioridade. Sofrem com a ideia de compartilhar espaços, direitos, ideias e conquistas.

Se trancam na fortaleza reforçada de certezas e asperezas, solitários e mal humorados, prometendo em vão que jamais farão concessões. E a vida vai passando, por vezes sorrindo, outras nem tanto, mas mudando sempre o caminho e as possibilidades dos encontros e uniões.

Por detrás das grades, gente que até queria seguir a vida, mas, por não fazer concessões, não encontra mais meios de se encaixar nem de seguir o ritmo. Gente que engessou as chances de ir adiante, por conta de um orgulho infantil.

E, por fim, para mudar essa história, só mesmo arrebentando as correntes, quebrando as juras, se misturando no mundo e perdendo o medo de ser gente como a gente. Qualquer gente.
Por Emilia Freire: Administradora, dona de casa e da própria vida, gateira, escreve com muito prazer e pretende somente se (des)cobrir com palavras. As ditas, as escritas, as cantadas e até as caladas.

OS BILIONÁRIOS: SERIA TÃO BOM SE FOSSEM APENAS 1%

Os 1% mais ricos não podem controlar sozinhos a sociedade. Ao seu redor há os grupos sociais que dominam a gestão econômica, têm os cordéis do poder e da mídia, pensam como eles e trabalham para eles.

Por Reginaldo Moraes*

 Irmãos Marinho estão entre os seis mais ricos do Brasil (Forbes) e mantém o império da comunicação a serviço da concentração de renda.

Por que mandam e como mandam os famosos “1%”? É verdade que temos um país (e um mundo) que se divide entre “eles” e “nós”, os de cima e os de baixo. Mas a divisão é um pouco mais complicada… e decisiva.

Não se controla uma sociedade apenas com 1% de nababos. Em torno desses 1% tem mais gente, muito mais. Os grupos sociais que controlam a gestão econômica, os cordéis do poder, da mídia – pode ser que não estejam entre os tais 1% mais ricos, mas pensam como eles, trabalham para eles, sonham em ser como eles.

Um relatório recente da organização humanitária Oxfam traz algo que já sabemos e que está disponível no sistema de contas federais e nos relatórios do Incra. O documento da Oxfam é este: Terrenos da Desigualdade – Terra, agricultura e desigualdades no Brasil rural, Oxfam Brasil, 2016.

A estória é crua e dura. Começa com o fato de que no Brasil existem, sempre existiram, políticas sociais… para ricos e associados. No Brasil, umas 4 mil pessoas físicas ou jurídicas (empresas) devem ao fisco quase 1 trilhão de reais. Para ter uma ideia da coisa, o PIB do país em 2016 foi algo próximo de 5 trilhões. Outro dado para comparar: o “rombo” no orçamento federal, que o governo do golpe anunciou com estardalhaço, é de 170 bilhões.

Essa comparação permite avaliar uma coisa básica: se esses fazendeiros devedores pagassem o que devem não teríamos rombo algum. Muito pelo contrário. Mas eles não são forçados a pagar nem vão para presídios, como os pobres que devem a pensão alimentar.

A coisa fica ainda pior quando olhamos para cima nessa pirâmide: umas 700 dessas pessoas devem 200 bilhões. Maior do que o rombo do Meirelles!

Esses 700 ricos devedores certamente estão entre os grandes financiadores de campanhas – elegem legisladores e executivos. São também os clientes fortes do sistema judiciário – do mundo seleto de advogados, juízes, procuradores e desembargadores. Assim florescem os grandes escritórios de advocacia, assim florescem os regalos e festejos com os quais se azeitam as sentenças e decisões judiciais. Assim se produzem as leis, os decretos e normas que distribuem subsídios, créditos baratos, isenções e outros benefícios.

Os 1% movimentam lá os seus 10% de lacaios.

Os nababos da terra são como os nababos dos bancos e da indústria. Eles elegem aqueles que fazem as leis e tomam as decisões. E estes eleitos fazem leis e tomam decisões que aumentam ainda mais a riqueza daqueles 700, reduzem seus impostos etc. Com isso, eles têm mais dinheiro para comprar políticos e juristas. O círculo se fecha. É simples entender quem compra o poder. É uma questão de classe e eles sabem disso.

Por isso a coisa é um pouco mais complicada do que o cerco aos 1%. Eles têm seus cães de guarda e seus cães de lazer.

Um escritor espanhol disse algo interessante sobre os cães de raça. Diz ele que com o tempo seus donos adquirem o cérebro do cão, começam a morder os pobres. Resolvi desenvolver o raciocínio. Por que isso ocorre e o que revela? Por que o cão morde o pobre? Ele vive diariamente cercado de gente com gestos de rico, fala de rico, roupa de rico, cheiro de rico. Rico, para ele, é gente “normal”, segura, confiável. Daí, vem alguém com roupa diferente, gestos e fala diferentes, cheiro diferente. É classe perigosa, a tal gente diferenciada. Eles mordem você se você não morder antes. As pessoas “de bens” vivem assim. Seus filhos vivem assim, crescem assim, como seus cães – aliás, gente de bens não distingue muito a criação dos cães e dos filhos.

São Paulo deve ter mais pet shop e clínica para animais do que posto de saúde. O raciocínio se aplica, inclusive e dolorosamente, para aqueles garotos e garotas que vão para os cursos que cuidam de gente, como a medicina. Quando cheiram um pobre, reagem como aquele cão. Morder seria muito. Mas aprendem outros modos de atacar, como um reflexo condicionado de defesa. Do pobre, do sujo, de cheiro estranho, do rude, do… perigoso e mal comportado.

Pois é. Há uns 10% ou 20% do Brasil que se comportam desse modo, pensam desse modo. E se reproduzem desse modo. É assim que são educados os filhos dos homens de bens, aqueles que serão os advogados, promotores, juízes, médicos, administradores. São esses jovens que estamos “educando”? Some-se a isso o fato de que o Brasil praticamente não tem imposto sobre herança. Desse modo, no país em que tanto se fala em meritocracia e vencer pelo próprio esforço, estamos reproduzindo uma safra de herdeiros estúpidos e preguiçosos. Isso vai acabar mal. Por que insistimos em chamar de elite esses caras?

*Reginaldo Moraes é professor da Unicamp, pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-Ineu) e colaborador da Fundação Perseu Abramo. É colunista do Brasil Debate