terça-feira, 25 de abril de 2017

NOTÍCIAS FALSAS SÃO TÃO DISSEMINADAS QUANTO ÀS VERDADEIRAS

Pesquisa da Universidade de Oxford alerta para a proliferação de mensagens fictícias na internet. Saiba mais sobre o problema e como combatê-lo

Você confia em tudo que lê na internet? Uma pesquisa da Universidade de Oxford alerta para o perigo das informações inverídicas na rede. O estudo publicado em março deste ano revelou que as notícias falsas são tão compartilhadas na internet quanto as verdadeiras.

O levantamento usou uma amostragem de 140 mil usuários da rede social Twitter no Estado de Michigan, nos Estados Unidos (EUA), durante os dias anteriores à eleição presidencial daquele país. O resultado indicou que mentiras e notícias confiáveis foram compartilhadas na mesma proporção.

Segundo reportagem do jornal Financial Times, a proliferação de notícias falsas via redes sociais está sendo apontada como causa da distorção das percepções públicas e do debate político em países ocidentais. Outro problema é que alguns líderes políticos também se aproveitam da existência de notícias falsas para desqualificar informações de fontes confiáveis, quando elas apresentam tom crítico a eles, em uma tentativa de confundir o público.

Robôs virtuais

A pesquisa de Oxford também revelou que muitas notícias falsas são geradas e disseminadas por robôs virtuais, os chamados bots. Em entrevista ao jornal The Washington Post, Philip Howard, professor da Oxford, explicou que os perfis no Twitter controlados por robôs fazem postagens mais frequentes do que usuários humanos (mais de 50 por dia) e suas mensagens estão concentradas em um só tema. Alguns não têm perfil e podem apresentar frases desconexas ou sem sentido.

Como identificar?

As notícias falsas representam um risco para toda a sociedade. Uma informação falsa pode colocar toda população em risco, disseminar o ódio, destruir reputações e gerar até processos judiciais. Para combater o problema, cada pessoa deve ficar atenta às informações, fotos, áudios e vídeos que recebe antes de enviá-los para amigos nas redes sociais ou no WhatsApp.

Ao ler uma notícia, tente descobrir quem produziu a informação, qual o objetivo dela e quais consequências ela pode trazer. Busque outras fontes de informação, como sites, jornais e especialistas. A proliferação de notícias falsas nas redes sociais levou até o Facebook a lançar uma campanha para reduzir o fluxo desse tipo de conteúdo. Confira no boxe ao lado algumas sugestões elaboradas pela rede social.

Fique atento

Veja o resumo de algumas dicas publicadas pelo Facebook em parceria com a First Draft

- Desconfie de manchetes sensacionalistas, em letras maiúsculas e com pontos de exclamação.
- Verifique a URL e certifique-se de que ela não imita o site de um veículo de imprensa conhecido.
- Investigue a fonte da notícia, veja se ela é confiável e tem boa reputação. Se não conhece a organização, procure saber mais sobre ela.
- Formatações incomuns, com erros ortográficos e layouts estranhos podem ser sinais de que a notícia é falsa.
- Veja se as fotos e os vídeos relacionados à informação foram manipulados ou retirados do contexto. Busque a origem das imagens.
- Confira as datas das notícias e se elas são coerentes.
- Verifique as evidências, citações de especialistas e as fontes do autor da reportagem para confirmar se são confiáveis. Caso contrário, cuidado.
- Leia outras reportagens sobre o mesmo tema. Se não encontrar o assunto em outro veículo de imprensa, isso pode ser indício de que a história é falsa.
- Verifique se a história é uma farsa ou um conteúdo de humorou sátira.
- Faça uma análise crítica das histórias e compartilhe apenas as notícias que você sabe que são verossímeis.

Por Rê Campbell / edição 1307 Folha Universal

A REALIDADE DOS ERROS MÉDICOS

A cada três minutos, dois brasileiros morrem por falhas em hospitais do País. Confira os relatos de quem quase fez parte dessa estatística

Recentemente, os noticiários divulgaram o caso de uma menina de 12 anos que morreu após uma doença grave nos rins e nos pulmões que foi diagnosticada erroneamente como gases.

Horas antes de morrer, ela foi levada à Unidade Básica de Saúde (UBS) de seu bairro, em Iperó, São Paulo, mas foi orientada a voltar para casa. Como o mal-estar persistia, a menina foi levada a outra unidade de saúde. Contudo, não pôde ser avaliada, pois estava fora da faixa etária que era atendida no local.

A família seguiu para outro posto médico, onde foi informado que o quadro, na verdade, era muito grave e que ela estava com edema pulmonar e insuficiência renal. No entanto, não havia mais tempo para que fosse tratada. Alguns minutos depois do atendimento, ela faleceu.

Infelizmente, erros em atendimento médico têm sido muito comuns atualmente. Esse cenário é tão espantoso que a Organização Mundial da Saúde o reconhece como um problema de saúde pública. E não é para menos, já que, no mundo todo, acontecem 42,7 milhões de complicações hospitalares em um universo de 421 milhões de internações realizadas por ano.

No Brasil, o número de falhas médicas é assustador. Conforme um estudo divulgado no final de 2016 pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), até 434 mil pessoas podem ter morrido em 2015 por erros desse tipo enquanto estavam hospitalizadas nos sistemas público e privado do País – o que equivale a dois óbitos a cada três minutos.

De acordo com o estudo, essas mortes estariam à frente daquelas causadas por doenças do aparelho circulatório (que mataram mais de 339 mil pessoas em 2013) e até por câncer (que respondeu por mais de 196 mil óbitos em 2013).

A culpa é de quem?

As complicações durante atendimentos médicos ocorrem por causa de uma infinidade de eventos adversos, como erros na dosagem de medicamentos, uso incorreto de equipamentos e até infecção hospitalar.

As causas também podem estar relacionadas aos profissionais, como baixa remuneração e longas jornadas de trabalho. Porém, nem sempre estão diretamente ligadas a eles, mas a um conjunto de falhas no sistema de saúde, como explica Renato Couto (foto ao lado), professor da Faculdade de Medicina da UFMG e um dos responsáveis pelo estudo. “O determinante é a má organização do trabalho. A atividade assistencial é muito complexa e organizá-la não é algo trivial. Por isso, há técnicas de gestão específicas para esse tipo de organização que não se encontram disseminadas no País, mas que são necessárias para controlar o problema”, diz.

Segundo a pesquisa, grande parte da rede hospitalar não atende aos requisitos mínimos necessários para a segurança dos pacientes. Muitos hospitais, por exemplo, têm superlotação, falta de insumos e informações desatualizadas, que podem causar os erros médicos.

Outro fator que prejudica o atendimento é a falta de transparência dos hospitais. O professor destaca que, no Brasil, eles não são obrigados a divulgar indicadores de qualidade, como tempo de internação ou número de mortes. Além disso, as instituições acabam sendo beneficiadas pelo método de pagamento, que remunera o procedimento e não o resultado gerado. Isso significa que, se uma pessoa fica mais tempo hospitalizada por causa de uma complicação, por exemplo, em vez de o hospital ser punido por não ter prevenido o problema, acaba ganhando mais pelo tempo extra que a pessoa ficou lá. “O modelo de pagamento é o indutor do péssimo funcionamento. Quanto maior a qualidade de organização, menos ela ganha”, aponta Couto.

Ele admite que a superlotação que existe na maioria dos hospitais pode causar erros médicos, mas considera que “dentro da estatística o erro é previsto”. “O que nós da Federação procuramos orientar é que os hospitais estejam sempre informados, acompanhando a legislação que frequentemente está mudando e que eles não atendam acima da sua capacidade”, informa.

O presidente ainda observa que a Federação está atenta ao controle para minimizar as falhas. “A FBH tem a missão de orientar os hospitais para que ofereçam materiais, medicamentos e equipamentos para que os pacientes tenham condições adequadas à sua plena recuperação.”

Para mudar o cenário

A tramitação de processos por erros médicos no Brasil geralmente é muito lenta e são raros os casos de cassação do diploma. De acordo com o advogado Elton Fernandes (foto ao lado), especialista em Direito da Saúde, ainda se vê muita impunidade. “Há casos que tudo leva a crer que houve erro médico, mas o silêncio dos envolvidos e a pressão são tão grandes que ninguém fala, dificultando, inclusive, a realização de um trabalho de prevenção. Já vi até o prontuário médico ser alterado para evitar que o paciente descobrisse o erro e para que tudo parecesse apenas uma complicação natural da cirurgia”, aponta.

Quando uma pessoa passa por um erro médico ela pode denunciar a instituição e o profissional. O objetivo não é prejudicar pessoas ou punir, mas reparar direitos para que os cuidados sejam redobrados e se evitem mais falhas.

É fundamental que médicos e locais de assistência ofereçam atendimento marcado por um bom relacionamento pessoal, com dedicação e tempo de atenção, e que pacientes ou responsáveis aprendam a questionar a forma como serão assistidos e que não julguem toda a categoria por causa de um caso isolado.

Por Janaina Medeiros /edição 1307 Folha Universal

COMPRAS: VOCÊ TEM O DIREITO DE SE ARREPENDER

Consumidor pode desistir da aquisição de produtos comprados pela internet ou por telefone

O que você faz quando vê na tela do telefone ou no computador uma promoção imperdível? Há quem não resista à oferta e adquira, na hora, o produto com preço reduzido. E como você deve agir ao se arrepender da compra feita assim por impulso?

O artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor (CDC) garante ao comprador o direito de desistir dos produtos que ele adquiriu fora do estabelecimento comercial (por telefone, em domicílio, pela internet ou por outro meio similar) dentro do prazo de sete dias corridos, a contar da data da assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço.

Segundo a pesquisa “Perfil do E-commerce no Brasil”, realizada pela empresa Big Data, no País, o mercado de varejo on-line movimentou mais de R$ 90 bilhões em 2016, o maior da América Latina. As compras feitas principalmente pela internet podem gerar problemas para o consumidor, pois ele não tem contato direto com o produto.

Passagens aéreas

Um exemplo desse tipo de compra é a aquisição de bilhetes aéreos. Antes, a aquisição das passagens feitas pela internet não entrava no rol de produtos que poderiam ser devolvidos ou cancelados.

No mês passado, a situação mudou. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) instituiu o direito do arrependimento em até 24 horas. Mas a regra só vale se o cancelamento for feito em até sete dias antes da viagem.

Para isso, o consumidor deve formalizar o pedido à empresa aérea. Isso pode ser feito por telefone ou e-mail. É importante lembrar de guardar cópia do pedido, número de protocolo e o nome do funcionário que prestou o atendimento na hora do cancelamento.

Segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), 53% dos brasileiros admitem ter realizado pelo menos uma compra por impulso nos últimos três meses. Esse tipo de compra é um dos principais motivos do descontrole financeiro. Cuide sempre do seu dinheiro e evite dívidas e problemas financeiros.

Por Michele Francisco / edição 1307 Folha Universal

domingo, 23 de abril de 2017

CONTRASTES DO BRASIL: AS ATUAIS DIFERENÇAS ENTRE PB E RN



Mesmo sendo estados vizinhos, Paraíba e Rio Grande do Norte vivem situações completamente distintas entre eles, quando os assuntos são infraestrutura e investimento público. Os contrastes se agravam e tornam-se mais nítidos num momento em que o país enfrenta uma das maiores crises econômicas da história.

Nesta reportagem você vai conferir esses contrastes, enquanto o Governo da Paraíba investe em infraestrutura para melhorar as condições de vida de sua população, o Rio Grande do Norte amarga um retrocesso em todas as áreas do desenvolvimento humano e social.

Confira!

ABUSOS PSICOLÓGICOS MUITAS VEZES COMEÇAM COM UMA “BRINCADEIRA INOCENTE”

Pessoas aparentemente boas podem ser cruéis; adolescentes aparentemente frágeis podem ser cruéis; crianças aparentemente inofensivas podem ser cruéis. É tudo uma questão circunstancial.

O ser humano tem em sua essência uma natureza agressiva e belicosa. Somos uma mistura complexa de ações e reações que vão nos constituindo ao longo da vida, enquanto seres sociais. Somos reativos 99% do tempo. A maneira que encontramos de nos relacionar com os nossos familiares, amigos, amores e conhecidos não é acidental, é uma construção, delicada e perigosamente inflamável, a depender dos anteparos emocionais que tivermos recebido enquanto nossa personalidade estava sendo moldada.

A formação do caráter de cada um de nós tem inúmeras tonalidades e nuances, advindas das incontáveis conexões que vão se estabelecendo entre nós e os outros. Ainda antes de conhecer a luz desse mundo, estamos suscetíveis ao ambiente afetivo no qual iremos nascer. As emoções maternas nos afetam diretamente, posto que passamos cerca de quarenta semanas a partilhar com essa pessoa o mesmo corpo físico. O que ela come nos afeta; o que ela pensa nos afeta; o que ela sente nos afeta.

Ao nascer, sofremos uma abrupta ruptura orgânica de laços de sangue e de afeto. Sermos alimentados ao seio da mãe é uma forma de aliviar esse corte e nos ajudar a ir formando outras redes de relação: somos nutridos física e amorosamente.

No entanto, há inúmeras outras formas de sermos acolhidos, além da amamentação. O contato com a mãe é nossa primeira referência de troca emocional. Bebês que passam por situações de rejeição têm muito mais probabilidades de desenvolver transtornos afetivos e cognitivos.

Os relacionamentos estabelecidos no núcleo familiar são os responsáveis pela nossa formação nuclear afetiva. Esse é o nosso esqueleto emocional, uma estrutura tão organizada quanto o nosso esqueleto ósseo; o que nos manterá de pé ou nos ajudará a encontrar novas posturas, conforme tivermos de nos adaptar às infinitas transformações que nos encontrarão no decorrer do processo de amadurecimento.

Ainda muito pequenos, quando começamos a interagir com outros pequenos, a maneira de nos comunicarmos será uma espécie de imagem holográfica criada a partir de nossas relações familiares. Reproduziremos no contato externo as aprendizagens relacionais que constituem nosso interior. É por isso que observamos crianças mais ou menos disponíveis para o afeto; mais ou menos confortáveis com a troca de experiências; mais ou menos arredias, permissivas ou agressivas no contato com o outro.

Uma vez inseridos em novos meios sociais, vamos nos misturando aos demais. Aprendemos – uns mais, outros menos -, a interpretar linguagens explícitas e não explícitas. Reconhecemos ambientes amigáveis ou não. Avaliamos nossas habilidades sociais, por meio de experiências de acolhimento e rejeição. Vamos criando espaços de contato e cascas de proteção. E no início, tudo isso pode ser muito assustador, dada a nossa pouca experiência de interpretação e assimilação das intrincadas redes de relacionamentos a que estamos expostos por toda a vida.

Já um pouquinho maiores, passamos a revelar de forma mais explícita nossa natureza. O mundo vai lendo nossas reações e ações espontâneas e passa nos definir a partir de sua leitura particular. Ainda que não tenhamos conhecimento pleno disso, as pessoas à nossa volta nos imaginam e classificam, de acordo com seu próprio crivo emocional, cultural e cognitivo. Exatamente da mesma forma que nós próprios fazemos em relação ao outro.

Ocorre que alguns de nós somos mais vulneráveis a esses rótulos, que tanto podem ser do tipo transitório, quanto do tipo “cola definitiva”. Pessoas mais sensíveis, dotadas de estruturas menos preparadas para lidar com as agressões – sejam elas veladas ou não -, representam alvos fáceis demais para aqueles que se desenvolveram afetivamente acreditando que precisam subjugar, diminuir ou destruir o outro para ter uma experiência sócio afetiva gratificante.

Abusos psicológicos muitas vezes começam com uma “brincadeira inocente”. Comentários maldosos feitos “de brincadeira” podem expor de forma negativa aqueles que não adquiriram a malícia necessária para localizar no outro o desejo de ferir. Apelidos depreciativos podem afetar terrivelmente a autoimagem e a estima daqueles que cresceram sem recursos para bloquear os que vivem de invadir o espaço afetivo alheio para se auto afirmar. Isolamentos propositais, podem levar os mais vulneráveis a situações dolorosíssimas de solidão.

As crianças e os adolescentes, muito mais que os adultos, estão sujeitas a situações de abuso psicológico. Tanto a criança quanto o jovem podem estar em situação de risco, uma vez que lidam com o paradoxo entre aquilo que constitui a sua essência familiar e o apelo do grupo. É nesse momento que as redes afetivas construídas e desenvolvidas dentro da família fazem toda a diferença.

Famílias com boas estruturas afetivas têm mais recursos para identificar alterações de comportamento em suas crianças e adolescentes, alterações essas que podem indicar a ocorrência de abusos psicológicos. O apoio emocional é algo que se oferece naturalmente; nada têm a ver com regras rígidas ou superproteção. É preciso olhar atento, escuta ativa e disponibilidade afetiva para ver além do óbvio, para enxergar o comportamento do jovem e da criança além do que é senso comum: “criança inventa coisas” ou “adolescentes são instáveis assim mesmo”.

Muitas famílias deixam passar oportunidades únicas de oferecer aos menores um ambiente propício ao desenvolvimento das habilidades necessárias para interagir com o mundo e as outras pessoas. Se uma criança ou jovem anda mais quieto que o habitual; mais agitado que o habitual; com alterações de humor, sono ou apetite; protagonizando explosões de agressividade ou choro excessivo; evitando o contato com as pessoas mais próximas e buscando isolamento… há que se acender um sinal de alerta.

O melhor que se pode fazer em relação àqueles de nós que se encontram em formação é oferecer-lhes atenção genuína, amor, confiança e confiabilidade. É preciso acreditar numa evidente verdade: eles têm muito o que e sobre o que dizer! É indispensável que sejamos capazes de ouvi-los, sem julgar… ouvi-los apenas. Ajudá-los a fazer sua própria leitura da vida, garantir a eles que estejam em um lugar afetivo seguro dentro de suas próprias casas. É preciso deixar que eles falem em voz alta as dores que gritam em silêncio em suas almas em formação. E é preciso que se faça isso imediatamente, antes que não haja mais nada a ser feito.

Texto de Ana Macarini é Psicopedagoga e Mestre em Disfunções de Leitura e Escrita. Acredita que todas as palavras têm vida e, exatamente por isso, possuem a capacidade mágica de serem resignificadas a partir dos olhos de quem as lê!" No CONTIoutra.

AS CRIANÇAS, AS GUERRAS E O FIM DO HUMANO

Reflexões sobre a menina síria que se rende ao confundir câmera fotográfica com uma arma

Há alguns dias um fotógrafo capturou, na Síria, a imagem desta criança que se rendeu em frente sua câmera. Segundo informações do site Huffington Post, a pequena levantou os braços ao confundir a câmera com um rifle.

Quando ainda menina, lia muito Drummond. Achava um exagero ele dizer que chegaria um tempo de absoluta depuração, em que “(…) os olhos não choram./E as mãos tecem apenas o rude trabalho./E o coração está seco.” Mas hoje eu vi no noticiário uma cena muito peculiar, e a verdade do poema me veio à alma, imediatamente. Um fotógrafo, ao tentar retratar a vida das crianças sírias, conseguiu captar não a frieza deste mundo, mas já a sua consequência. Ele enquadra a criança em sua lente e essa levanta os braços, rendida, pensando ser uma arma.

Deus! Que mundo é este, onde a inocência caminha de mãos levantadas e a alma do mundo não sangra, e os olhos dos homens não choram, e a dor já não nos pode chocar? Que mundo é este cujos avanços tecnológicos não encontram eco na evolução moral dos indivíduos e onde só o que conta são os cifrões?

Um mundo cujo colorido já não é convidativo aos olhos. Onde a beleza é preterida. Onde a pureza dos pequeninos ainda é roubada e banhada do sangue de seus pares, de seus pais e, não raro, do seu próprio sangue. Um mundo cujas crianças já têm a esperança prematuramente envelhecida pela dor que transborda dos noticiários e que não raro floresce ao seu lado. Um mundo em que, a cada dia, o homem teme mais e mais o próprio homem.

Frequentei um curso, há um tempo, e algo me deixou sobremodo perplexa. O instrutor mostrava-nos diversos vídeos com acidentes causados por veículos. Em dada situação, um homem fora atropelado por não olhar para a sua direita quando um carro vinha na contra mão.  Alguns dos colegas, a maioria jovens entre 18 e 25 anos, riram da cena. Noutro atropelamento, a maioria riu. Esboçaram alguma comoção, leve, quando uma criança foi atropelada. Mas, pasmem: um cachorro foi atropelado e, nesse momento, houve uma comoção geral: “Ah, pobrezinho! Tadinho dele!”. 

A banalização da dor do outro é hoje tamanha que os jovens se identificam mais e se comovem mais com a dor de um animal que com a dor de um homem ou de uma criança.

A dor do outro é estatística. “Quanta mortes, mesmo, na Síria? Quantos desabrigados no Acre? Quantas mulheres são agredidas por ano? Quantas crianças são estupradas por parentes próximos?” Não! Essa postura desmerece o infinito que somos, desautoriza a angelitude a que estamos destinados, desmente a centelha do Eterno que permeia a alma de cada um de nós!

Necessitamos ver o outro como parte desprendida, mas ainda ligada a nós por lanços infindáveis de natureza espiritual. Ninguém pode ser plenamente feliz enquanto um só de nós estiver de braços levantados, rendida criança assustada pelos estrondos da guerra, cativa da dor e da morte. Esfomeada de uma Justiça que ela não pode compreender ou dizer, mas, humana que é, já a pode desejar e de sua falta se ressentir.

Que esta criança que hoje vi de mãos levantadas por confundir a câmera com uma arma possa ainda, é o que utopicamente desejo, levantar novamente as suas mãos, mas não por medo. Que ela ainda possa, na pontinha dos pés, elevar os seus braços para brincar com as estrelas.

Por Nara Rúbia Ribeiro, no CONTIoutra

sábado, 22 de abril de 2017

POESIA ENTRE OUTROS VERSOS

Soneto do Amor Total
Vinícius de Morais


Amo-te tanto, meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

VEJA 11 GRANDES FILMES PARA QUE VOCÊ POSSA ENTENDER MELHOR A DITADURA MILITAR NO BRASIL

Das sessões de tortura aos fantasmas da ditadura, o cinema brasileiro invariavelmente volta aos anos do regime militar para desvendar personagens, fatos e consequências do golpe que destituiu o governo democrático do país e estabeleceu um regime de exceção que durou longos 21 anos.


Estreantes e veteranos, muitos cineastas brasileiros encontraram naqueles anos histórias que investigam aspectos diferentes do tema, do impacto na vida do homem comum aos grandes acontecimentos do período.

Embora a produção de filmes sobre o assunto tenha crescido mais recentemente, é possível encontrar obras realizadas durante o próprio regime militar, muitas vezes sob a condição de alegoria. “Terra em Transe”, de Glauber Rocha, é um dos mais famosos, retratando as disputas políticas num país fictício. Mais corajoso do que Glauber foi seu conterrâneo baiano Olney São Paulo, que registrou protestos de rua e levou para a tela em forma de parábola, o que olhe custou primeiro a liberdade e depois a vida.

Os onze filmes que compõem esta lista, se não são os melhores, fazem um diagnóstico de como o cinema retratou a ditadura brasileira.

1. MANHÃ CINZENTA (1968)
Olney São Paulo – Em plena vigência do AI-5, o cineasta-militante Olney São Paulo dirigiu este filme, que se passa numa fictícia ditadura latino-americana, onde um casal que participa de uma passeata é preso, torturado e interrogado por um robô, antecipando o que aconteceria com o próprio diretor. A ditadura tirou o filme de circulação, mas uma cópia sobreviveu para mostrar a coragem de Olney São Paulo, que morreu depois de várias sessões de tortura, em 1978.

2. PRA FRENTE, BRASIL (1982)
Roberto Farias – Um homem comum volta para casa, mas é confundido com um “subversivo” e submetido a sessões de tortura para confessar seus supostos crimes. Este é um dos primeiros filmes a tratar abertamente da ditadura militar brasileira, sem recorrer a subterfúgios ou aliterações. Reginaldo Faria escreveu o argumento e o irmão, Roberto, assinou o roteiro e a direção do filme, repleto de astros globais, o que ajudou a projetar o trabalho.

3. NUNCA FOMOS TÃO FELIZES (1984)
Murilo Salles – Rodado no último ano do regime militar, a estreia de Murilo Salles na direção mostra o reencontro entre pai e filho, depois de oito anos. Um passou anos na prisão; o outro vivia num colégio interno. Os anos de ausência e confinamento vão ser colocados à prova num apartamento vazio, onde o filho vai tentar descobrir qual a verdadeira identidade de seu pai. Um dos melhores papéis da carreira de Claudio Marzo.

4. CABRA MARCADO PARA MORRER (1984)
Eduardo Coutinho – A história deste filme equivale, de certa forma, à história da própria ditadura militar brasileira. Eduardo Coutinho rodava um documentário sobre a morte de um líder camponês em 1964, quando teve que interromper as filmagens por causa do golpe. Retomou os trabalhos 20 anos depois, pouco antes de cair o regime, mesclando o que já havia registrado com a vida dos personagens duas décadas depois. Obra-prima do documentário mundial.

5. O QUE É ISSO, COMPANHEIRO? (1997)
Bruno Barreto – Embora ficcionalize passagens e personagens, a adaptação de Bruno Barreto para o livro de Fernando Gabeira, que narra o sequestro do embaixador americano no Brasil por grupos de esquerda, tem seus méritos. É uma das primeiras produções de grande porte sobre a época da ditadura, tem um elenco de renome que chamou atenção para o episódio e ganhou destaque internacional, sendo inclusive indicado ao Oscar.

6. AÇÃO ENTRE AMIGOS (1998)
Beto Brant – Beto Brant transforma o reencontro de quatro ex-guerrilheiros, 25 anos após o fim do regime militar, numa reflexão sobre a herança que o golpe de 1964 deixou para os brasileiros. Os quatro amigos, torturados durante a ditadura, descobrem que seu carrasco, o homem que matou a namorada de um deles, ainda está vivo e decidem partir para um acerto de contas. O lendário pagador de promessas Leonardo Villar faz o torturador.

7. CABRA CEGA (2005)
Toni Venturi – Em seu melhor longa de ficção, Toni Venturi faz um retrato dos militantes que viviam confinados à espera do dia em que voltariam à luta armada. Leonardo Medeiros vive um guerrilheiro ferido, que se esconde no apartamento de um amigo, e que tem na personagem de Débora Duboc seu único elo com o mundo externo. Isolado, começa a enxergar inimigos por todos os lados. Belas interpretações da dupla de protagonistas.

8. O ANO EM QUE MEUS PAIS SAIRAM DE FÉRIAS (2006)
Cao Hamburger, conhecido por seus trabalhos destinados ao público infantil, usa o olhar de uma criança como fio condutor para este delicado drama sobre os efeitos da ditadura dentro das famílias. Estamos no ano do tricampeonato mundial e o protagonista, um menino de doze anos apaixonado por futebol, é deixado pelos pais, militantes de esquerda, na casa do avô. Enquanto espera a volta deles, o garoto começa a perceber o mundo a sua volta.

9. HOJE (2011)
Tata Amaral – Os fantasmas da ditadura protagonizam este filme claustrofóbico de Tata Amaral. Denise Fraga interpreta uma mulher que acaba de comprar um apartamento com o dinheiro de uma indenização judicial. Cíclico, o filme revela aos poucos quem é a protagonista, por que ela recebeu o dinheiro e de onde veio à misteriosa figura que se esconde entre os cômodos daquele apartamento. Denise Fraga surpreende num papel dramático.

10. TATUAGEM (2013)
Hilton Lacerda – A estreia do roteirista Hilton Lacerda na direção é um libelo à liberdade e um manifesto anárquico contra a censura. Protagonizado por um grupo teatral do Recife, o filme contrapõe militares e artistas em plena ditadura militar, mas transforma os últimos nos verdadeiros soldados. Os soldados da mudança. Irandhir Santos, grande, interpreta o líder da trupe. Ele cai de amores pelo recruta vivido pelo estreante Jesuíta Barbosa, que fica encantado pelo modo de vida do grupo.

11. BATISMO DE SANGUE (2007)
Apesar do incômodo didatismo do roteiro, o longa é eficiente em contar a história dos frades dominicanos que abriram as portas de seu convento para abrigar o grupo da Aliança Libertadora Nacional (ALN), liderado por Carlos Marighella. Gerando desconfiança, os frades logo passaram a ser alvo da polícia, sofrendo torturas físicas e psicológicas que marcaram a política militar. Bastante cru, o trabalho traz boas atuações do elenco principal e faz um retrato impiedoso do sofrimento gerado pela ditadura.
Fonte: Pragmatismo Político

sexta-feira, 21 de abril de 2017

PESQUISA: 78% QUEREM A CASSAÇÃO DE TEMER, DIZ VOX POPULI/CUT

Levantamento também aponta que 90% dos brasileiros desejam eleições diretas, 93% reprovam a reforma da previdência e 80%, a lei de terceirização

Pesquisa realizada pelo Instituto Vox Populi, encomendada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), mostra que 78% dos brasileiros desejam que Michel Temer seja cassado por conta de irregularidades na chapa Dilma-Temer, em 2014.

Segundo a Constituição, se Temer fosse cassado, o novo presidente seria escolhido por eleições indiretas. Porém, o levantamento aponta também que nove entre dez brasileiros querem escolher o novo chefe da nação por eleições diretas.

Além de revelar o desejo pela cassação, os entrevistados mostraram que a popularidade de Temer não para de cair. Em outubro do ano passado, 14% aprovavam o governo, segundo o instituto. Agora, apenas 5% avaliaram a gestão do peemedebista como ótima ou boa.

Outros dados são em relação à rejeição às reformas de Temer: 93% rejeita o aumento da idade mínima para aposentadoria e do tempo de contribuição. E 80% reprova a Lei de Terceirização.

A pesquisa foi realizada entre os dias 6 e 10 de abril com 2 mil eleitores com mais de 16 anos, residentes em 118 municípios, de todos os estados e do Distrito Federal. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

*Com informações da CartaCapital

STF REABRE PROCESSO DE IMPEACHMENT CONTRA MICHEL TEMER

Ministro Marco Aurélio Melo aceitou ação que pede abertura da Comissão que investigará o presidente golpista

Um pedido de impeachment contra o presidente golpista, Michel Temer, protocolado há cerca de um ano pelo advogado Mariel Marley Marra foi reaberto pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello, ontem (20).

A ação pede que partidos que não indicaram parlamentares para a Comissão na Câmara dos Deputados responsável por julgar a deposição de Temer sejam responsabilizados por “flagrante prática de crime de desobediência”, afirma o advogado na petição. Segundo Marra, 18 das 26 siglas não fizeram indicações.

O ministro Marco Aurélio Melo pedirá ao Ministério Público Federal que investigue se os líderes partidários cometeram o crime. Caso a Procuradoria acate a decisão, um pedido de instauração de inquérito contra os deputados à frente das siglas, será solicitado ao STF.

O pedido de impeachment contra Temer está calcado em quatro decretos de crédito suplementar – a mesma prática que gerou o processo de deposição da ex-presidenta Dilma Rousseff – assinados por ele, no exercício da Presidência. Para iniciar as investigações contra Temer, a Comissão deveria indicar 66 parlamentares, que julgarão se o processo deve ser aberto, ou não.

Para o advogado, a deposição ganha ainda mais fôlego após a entrevista de Temer à TV Bandeirantes, quando afirmou que Eduardo Cunha lhe telefonou em 2015 para informar que arquivaria os pedidos de impedimento contra Dilma se o PT lhe garantisse os votos para absolvê-lo no Conselho de Ética.

Fonte: Brasil de Fato

O QUE VOCÊ NÃO VIU NA GLOBO

Temer revela meandros do golpe, mas Jornal Nacional só fala em Lula

Em setembro do ano passado, The Intercept Brasil publicou uma confissão de Michel Temer durante sua passagem por Nova York. O presidente não eleito revelou que os motivos que levaram ao impeachment não seriam as pedalas fiscais de Dilma, mas o fato de ela ter se recusado a adotar o plano de governo neoliberal dos tucanos, rejeitado nas urnas. Apesar da gravidade, ninguém na imprensa ficou escandalizado.

À época, a grande mídia brasileira fingiu que a declaração não existiu. Pior: teve uma jornalista do Estadão insinuando que The Intercept Brasil teria adulterado o vídeo acima. Para ela, Temer seria incapaz de dizer uma bobagem dessas, já que “ele é professor de Direito Constitucional”. Deve ser mesmo muito duro passar meses defendendo a legalidade do impeachment, debochando da “narrativa do golpe”, e depois ver um dos seus principais articuladores confessando, mesmo que indiretamente, que foi golpe, sim, e que as pedaladas fiscais foram um mero pretexto legal.

Nessa semana, Temer esteve muito à vontade em uma entrevista para seus colegas da Band e deixou escapar uma nova confissão. Dessa vez, o motivo para o impeachment seria outro:

“Em uma ocasião, ele (Eduardo Cunha) foi me procurar dizendo ‘hoje vou arquivar todos os pedidos de impeachment da presidente, porque prometeram-me os três votos do PT no Conselho de Ética’. Eu disse ‘ah, que bom! Muito bom! Porque assim acaba com essa história de que você estava na oposição. (…) naquele dia eu disse a ela (Dilma) ‘presidente, pode ficar tranquila, porque o Eduardo Cunha me disse que vai arquivar todos os processos de impedimento’. Ela ficou muito contente e foi bem tranquila para a reunião.

No dia seguinte, eu vejo logo o noticiário dizendo que o presidente do PT e os três membros do partido se insurgiram contra aquela fala e votariam contra (Cunha no Conselho de Ética). Mais tarde, ele me ligou e disse ‘tudo aquilo que eu disse, não vale, vou chamar a imprensa e vou dar início ao processo de impedimento’.

Então veja que coisa curiosa! Se o PT tivesse votado nele naquele comitê de ética, seria muito provável que a senhora presidente continuasse.”

Sim, foi isso mesmo o que ele disse. Segundo Temer, quem derrubou Dilma não foi o cometimento de um crime de responsabilidade, mas a recusa dela em não ceder à chantagem de Cunha, cujo único objetivo era se livrar da cassação no Conselho de Ética. A história contada pelo não eleito é, aliás, a confirmação da versão de Dilma para a sua derrubada. Em sua defesa no processo de impeachment no Senado, a então presidenta disse aos senadores:

“A aceitação de meu pedido de impeachment tratava-se de uma chantagem explícita do senhor Eduardo Cunha, com a qual infelizmente vocês se aliaram. (…) As provas deixam claro que as acusações contra mim dirigidas não passam de pretextos, embasados por frágil retórica jurídica. Contrariei interesses. Por isso, paguei e pago um elevado preço pessoal pela postura que tive. Arquitetaram minha destituição, independentemente da existência de fatos que pudessem justificá-la perante a nossa Constituição.”

Ou seja, o atual presidente do país, atolado nas mais graves delações da Lava Jato, confessa em rede nacional que a presidenta anterior só foi derrubada por não ceder às chantagens do seu principal aliado político – um criminoso cujo único objetivo era manter o foro privilegiado para evitar a cadeia. Sem nem corar, o usurpador confirma a tese do golpe defendida por Dilma. E isso, meus amigos, não é a grande notícia do país dessa semana! Os jornalistas da Band aceitaram com tranquilidade, e a repercussão nos dias seguintes foi mínima, irrelevante, para não dizer inexistente.

Faltou espaço para esse escândalo, mas não para Lula no telejornal de maior audiência do país. Mais uma vez, o Jornal Nacional fez o seu recorte sapeca ao noticiar as intermináveis delações da Odebrecht. Na terça-feira (11/04), o dia em que a Lista de Fachin foi divulgada, a edição do jornal surpreendeu e me pareceu bastante equilibrada. Mas, no decorrer da semana, o jornal voltou para a sua programação normal. Enquanto Temer enfrenta uma das mais graves acusações da Lava Jato, quem foi apresentado como o grande vilão do país foi, claro, Lula – o único nome da esquerda com capital eleitoral e que lidera as pesquisas de intenções de voto para 2018.

Fonte: The Intercept Brasil

O SITE Poder360 ANALISOU O TEMPO DEDICADO PELO JORNAL NACIONAL A CADA CITADO NA DELAÇÃO LAVA JATO DURANTE A SEMANA DA DIVULGAÇÃO DA LISTA:

Juntos, Dilma e Lula somaram 51 minutos de exposição, enquanto todos os outros somados chegaram a 54 minutos.

Mesmo sem estar exercendo nenhum mandato há 7 anos, o Jornal Nacional falou mais tempo sobre Lula do que sobre todos os principais tucanos somados que ocupam cargos públicos importantes – dois senadores e o governador do estado mais rico do país. Mesmo com toda essa pesada artilharia, a rejeição de Lula despencou nas últimas semanas e ele lidera isoladamente as pesquisas.

Não se trata de separar bandidos e mocinhos, culpados e inocentes, mas de apontar de qual lado estão os oligopólios de mídia e quais são os escolhidos para apanhar mais no horário nobre. Não que houvesse dúvidas, mas nunca é demais registrar.

Podem confessar mais mil vezes. Cunha e Temer podem vir a público e assumir textualmente que comandaram um golpe parlamentar que nada irá acontecer.

O colunismo não irá se indignar, o Jornal Nacional não vai dedicar meia hora para o assunto, o Estadão não vai noticiar na capa. Até porque, assim como foram em 64, todos eles são coautores do golpe de 16. Com bem disse o ex-presidente da Câmara – e atual presidiário – durante a leitura do seu voto a favor do impeachment, “que Deus tenha misericórdia dessa nação”.

Fonte: The Intercept Brasil

quarta-feira, 19 de abril de 2017

CRISE POLÍTICA NÃO SERÁ SOLUCIONADA POR “SALVADOR DA PÁTRIA”

A torcida, às vezes, acaba sendo para que "venha alguém e dê um jeito". O perigo está aí!

A sociedade é composta por vários grupos. Cada grupo tem uma determinada força, que pode ser: o número de pessoas que consegue mobilizar, a quantidade de dinheiro que se tem e o controle de determinados espaços de poder político.

Na nossa sociedade, a capitalista, os grupos mais fortes são aqueles com mais dinheiro. O poder econômico garante a esses grupos a capacidade de controlar os espaços de poder político. A mídia, os poderes executivo, legislativo e judiciário, são exemplos de espaços de poder político.

Na última semana se tornaram públicas as denúncias de corrupção feitas por executivos de certa empreiteira. Muitos políticos e muitos partidos foram citados. A sensação que se tem é que ninguém presta, que todo mundo é corrupto, que a democracia não serve para nada. A torcida, às vezes, acaba sendo para que "venha alguém e dê um jeito". O perigo está aí!

A política é a forma de organização das pessoas para encontrar saídas coletivas para os problemas comuns. Desacreditar essa forma de construção coletiva e chamar um "salvador da pátria" é um grande risco. “Salvadores da pátria” podem significar o autoritarismo batendo à porta de nossas casas.

As perguntas que ficam são: a quem interessa uma saída autoritária? Por que certos setores, como a mídia, tentam fazer crer que ninguém presta?

A principal prejudicada com a destruição da política é a própria população. É a política que garante ao povo se organizar para fazer frente ao poder econômico. A força do povo contra os poderosos está justamente na organização e na mobilização de muitos.

No Brasil de Fato

PAPA FRANCISCO RECUSA CONVITE DE TEMER PARA VISITAR O BRASIL

Em resposta oficial, líder da igreja expressa preocupação com o momento político vivido no país

Em carta, o Papa Francisco recusou o convite do presidente golpista, Michel Temer, para visitar o Brasil para participar das celebrações dos 300 anos da aparição da imagem de Nossa Senhora Aparecida, em outubro desse ano.

A informação é do jornalista Gerson Camarotti, da Globo News, que por sua vez, ouviu relatos de pessoas que tiveram acesso ao conteúdo da carta.

O Papa Francisco já havia sinalizado, em janeiro desse ano, que não viria ao Brasil em 2017. Na avaliação de um integrante da CNBB, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, ouvido por Camarotti e cujo nome não foi divulgado, o Papa Francisco evita viajar para países que enfrentam um momento político mais delicado para não correr o risco de ser usado por alguma das partes envolvidas.

Ainda segundo o integrante da CNBB, o Papa não costuma visitar países em ano eleitoral, o que o impediria de visitar o Brasil em 2018. No entanto, na carta enviada a Temer, o Papa demonstrou preocupação com a situação política do país.

O Papa Francisco diz entender que a crise não é de solução fácil, uma vez que tem raízes sócio-político-econômicas, mas que não corresponde à Igreja nem ao Papa dar uma receita concreta para resolver algo tão complexo. O trecho foi publicado no blog do jornalista da Globo News.

O papa também escreveu que não pode deixar de pensar em tantas pessoas, “sobretudo nos mais pobres, que muitas vezes se veem completamente abandonados e costumam ser aqueles que pagam o preço mais amargo e dilacerante de algumas soluções fáceis e superficiais para crises que vão muito além da esfera meramente financeira".

Temer havia enviado a carta convite ao líder da igreja católica no fim do ano passado. Nessa carta, o Papa Francisco respondeu que não poderá vir devido a uma agenda intensa.

Edição: Radioagência Brasil de Fato

DILMA QUESTIONA SILÊNCIO DA MÍDIA EM CONFISSÃO DE TEMER SOBRE O GOLPE

Presidente golpista disse, em TV aberta, que Cunha aceitou o processo de impeachment porque o PT não votou a seu favor

A presidenta Dilma Roussef deposta pelo golpe, em 2016, questionou o silêncio da mídia sobre a declaração que Michel Temer fez em entrevista à TV Bandeirantes na noite do último sábado (15), quando admitiu que a abertura do processo de impeachment contra ela se deu por motivo de chantagem de Eduardo Cunha, então presidente da Câmara dos Deputados.

"Em qualquer lugar do mundo, essa é uma declaração que enseja a característica de desvio de finalidade do impeachment", disse Dilma, após descrever a frase de Temer na entrevista, durante palestra na Howard University, em Washington, nos Estados Unidos. "Um presidente da República aceitando que era normal a chantagem. Que se tivéssemos cedido a ela, eu ainda estaria na Presidência. Pergunto eu: algum impresso registrou essa denúncia feita em canal aberto de televisão? Ninguém! Só a rede social", completou.

As declarações sobre a entrevista de Temer foram feitas logo após Dilma ter dito que a "mídia no Brasil é oligopolizada". "Enquanto você oligopoliza a opinião pública, a democracia fica comprometida", afirmou, destacando o papel das redes sociais.

Na entrevista, Temer conta que Cunha só aceitou o processo de impeachment contra Dilma porque o PT não aceitou votar em favor do deputado no processo do Conselho de Ética que poderia cassar seu mandato. "Algum impresso registrou essa denúncia feita em canal aberto de televisão? Ninguém!", denunciou Dilma, sobre o silêncio da mídia.

"Vejam vocês. Aceitar uma chantagem é algo que é incompatível com a ética. Principalmente nesse sentido de 'vamos salvar uma pessoa que não deve ser salva para manter a presidente'. E ele ainda lamentou dizendo 'eu queria que aceitasse'", prosseguiu Dilma, em tom de incredulidade. "Porque quando ele fez isso estava em curso já o golpe", completou.

Para ela, a fala de Temer "é eivada da pós-verdade". "No Brasil, hoje, impera a pós-verdade", constatou. Em seguida, na palestra que tinha como tema os desafios da democracia brasileira, a presidenta deposta destacou como "fundamental a democracia" e ainda a reforma do sistema político no Brasil. Ela defendeu a criação de uma constituinte exclusiva para a reforma. "Isso é crucial para a próxima etapa", ressaltou.

Sobre 2018, ela disse ser "crucial também que não mudem as regras do jogo, como decidir que presidente eleito duas vezes não pode se eleger novamente. Podem até mudar essa regra, mas não para a próxima eleição". Dilma se referia ao ex-presidente Lula, que deve se candidatar para o próximo pleito.

Numa comparação entre Eduardo Cunha e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Dilma Rousseff disse achar "Cunha pior do que Trump". "Ele é de extrema-direita, bastante conservador, é ultraneoliberal em economia e é uma pessoa dada a práticas questionáveis", descreveu o articulador do golpe, exatamente um ano depois da votação que deu início ao processo que culminou em seu afastamento do Palácio do Planalto.

Edição: Brasil 247

terça-feira, 18 de abril de 2017

OS EUA E SEUS GOVERNANTES CRETINOS

Está se tornando embaraçoso ser (norte)Americano. Nosso país teve quatro presidentes em sucessão, todos criminosos de guerra. Clinton lançou dois ataques militares contra a Sérvia, ordenando que a Otan bombardeasse a antiga Iugoslávia duas vezes, em 1995 e 1999, cometendo assim dois crimes de guerra.

Por Paul Craig Roberts, no blog do Alok

Clinton, Bush, Obama e Trump: os senhores das guerras

George W. Bush invadiu o Afeganistão e o Iraque e atacou províncias do Paquistão e do Iêmen pelo ar. Quanto a Bush, são então quatro crimes de guerra. Obama usou a Otan para destruir a Líbia e mandou mercenários para destruir a Síria, cometendo desta forma dois crimes de guerra. Trump atacou a Síria com as forças dos Estados Unidos, cometendo assim um crime de guerra logo no início de seu regime.

Na medida em que a ONU participou destes crimes de Guerra junto com os vassalos europeus, canadenses e australianos, também é culpada de crimes de guerra. Talvez fosse bom que a própria ONU fosse levada aos tribunais de crimes de guerra junto com Estados Unidos, União Europeia, Austrália e Canadá.

É um belo currículo. A civilização ocidental, se é que pode ser chamada de civilização, é a maior criminosa de guerra da história da humanidade.

E há outros crimes – a Somália, e os golpes de Obama contra Honduras e Ucrânia, bem como as tentativas em andamento de derrubar os governos da Venezuela, Equador e Bolívia. Washington precisa derrubar o governo do Equador só porque quer prender e torturar Julian Assange, um dos maiores líderes da democracia mundial.

Estes crimes de Guerra foram cometidos por quatro presidentes dos EUA em sequência, causando milhões de mortes e ferimentos de civis e oprimindo e deslocando milhões de pessoas, que agora estão chegando como refugiados na Europa, Reino Unido, Estados Unidos, Canadá e Austrália, trazendo consigo uma série de problemas, como os já causados aos europeus, como a formação de gangues e estupros.

Qual é a razão para todas essas mortes e destruição que faz o ocidente ser inundado por refugiados que fogem da violência ocidental? Não sabemos. Ouvimos um monte de mentiras: Saddam Hussein possui “armas de destruição em massa”, mesmo quando o governo dos Estados Unidos sabia muito bem que essas armas não existiam. “Assad fez uso de armas químicas”, uma mentira deslavada e óbvia. “Bombas nucleares iranianas”.Outra mentira absurda. As mentiras sobre Kaddafi na Líbia foram tão absurdas que é perda de tempo repeti-las aqui.

Que essas mentiras estavam sendo usadas para justificar o bombardeio de tribos no Paquistão ou o novo governo do Iêmen? Os (norte)americanos não sabem nem se importam. Por que a violência dos Estados Unidos contra a Somália? Mais uma vez os (norte)americanos não sabem nem querem saber.

Ou então os imbecis pensam que é um filme.

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