domingo, 19 de novembro de 2017

CONSCIÊNCIA NEGRA É COISA DE PRETO?

Uma data para celebrar a negritude vai de encontro ao ideário de embranquecimento, que busca expurgar o sangue negro e limpar a raça brasileira

A história de resistência do povo negro encontrou no 20 de novembro sua data de celebração, mas o mito da democracia racial ainda faz crer que essa luta não tem sentido.

Afinal, por que precisamos do Dia da Consciência Negra? E consciência negra é só pra negros? Qual a dificuldade em entender o sentido da data? Perguntas oportunas, necessárias, especialmente quando se percebe que alguns setores sempre ameaçam se rebelar contra o feriado e ainda há cidades que o revogam sem o menor constrangimento.

Gostaria muito que me dissessem por que Zumbi, que assim como Tiradentes é um herói nacional, não merece um feriado. E gostaria mais ainda de ver um presidente da República fazer História e decretar o Dia da Consciência Negra feriado no Brasil inteiro. Seria uma medida emblemática que daria não só a dimensão do legado de Palmares, mas colocaria no patamar adequado a história de luta e resistência do povo negro deste País. Nas palavras cantadas por Luís Carlos da Vila: "é preciso a atitude de assumir a negritude pra ser muito mais Brasil!" Mas se fosse simples já estaria feito.

Além dos quilombos remanescentes, há territórios negros que continuam evocando a herança de Palmares. São espaços de preservação e disseminação cultural, como os terreiros de Candomblé, afoxés, maracatus e escolas de samba. Nesses territórios, a memória coletiva segue viva e é essencial para a construção das identidades negras, que, na maioria das vezes, permanecem na triste condição da invisibilidade ou, mais grave, são combatidas pela sociedade e pelo poder público.

Assumir uma data para celebrar a negritude vai de encontro ao ideário de embranquecimento, que busca expurgar o sangue negro e limpar a raça brasileira. É a mesma ideologia que cria e sustenta a ilusão de que não existe racismo no Brasil e que serve como base para muitos argumentos que questionam a necessidade e a importância do Dia da Consciência Negra. No fundo, a estratégia de fragmentar sua identidade e dificultar que o povo negro atue enquanto grupo tem sido a consequência mais perversa do mito da democracia racial.

Quando dizem, por exemplo, que “alma não tem cor”, “precisamos de consciência humana, não de consciência negra”, “a questão é social”, percebe-se claramente que não conhecem a dimensão do problema. Mais da metade da população brasileira convive com a exclusão e a vulnerabilidade. Não se trata apenas de denunciar uma situação social gravíssima, mas de reconhecer que é a exclusão e não a presença do negro o fator determinante no entrave e no baixo desenvolvimento do país, ao contrário do que se propagou desde o fim da escravidão.

Nos últimos tempos, denunciar o racismo, o machismo, a intolerância religiosa ou a homofobia virou “vitimismo”. Esse neologismo infame, além de mostrar a superficialidade dos discursos, dilui o sentido da exclusão e da desigualdade que, de fato, determinam os lugares sociais de negros e de outras minorias, comprovando que existe uma elite que pretende manter as coisas como estão, aliás, como sempre foram.

Quando negros e negras denunciam situações de racismo, muitas vezes são “confortados” com certas frases feitas, do tipo: “mas você é um moreno lindo”; “mas você tem que ser superior a isso”, “a cor da pele não quer dizer nada”, ou ainda “isso é coisa da sua cabeça”, “você tem complexo de inferioridade”. Não se pode esquecer que quem sofre o racismo é o corpo negro, porque é impossível despir-se da própria pele. Portanto, é o corpo negro que toma tiro, é o corpo negro que não se vê representado, é o corpo negro que não tem oportunidade, é o corpo negro que vira estatística.

Disfarçar o racismo com esse negócio de “consciência humana” é o mesmo que revigorar o mito da democracia racial e condenar o povo negro a outros séculos de exclusão e desigualdade. A consciência tem que ser negra, e antes que qualquer um venha falar do que é justo ou injusto, vistam minha pele. Se alma tem cor, apesar de sacerdote, eu realmente não sei, até porque não é a alma que toma tiro da polícia, não é a alma que não recebe oportunidade de emprego, não é a alma que leva pedrada e apanha quando ousa carregar as insígnias dos orixás, não é a alma que só se vê como subalterno nas novelas da tevê.

O corpo tem cor, os símbolos da religião negra têm cor. O corpo e a cultura do negro são discriminados, olhados com toda carga de preconceito. Antes de falarmos em consciência humana ou dizermos que alma não tem cor, temos que ter a boa vontade de compreender e de vencer racismo velado, que sempre faz questão de dizer que a luta do povo negro não tem sentido.

Há negros de todas as cores. Existem, porém, muitos negros que não sabem que são negros. Mais do que necessária, a consciência negra é uma condição para impedir que nossa sociedade racista aponte do pior jeito a cor da nossa pele, nossos traços ou nossa origem (por exemplo, jogando bananas para jogadores de futebol que nem se autodeclaravam negros). Além disso, uma vez forjados de orgulho e resistência, podemos reagir ao racismo sem permitir que determinem nosso lugar no mundo.

Neste país, todo negro é um sobrevivente. Sobrevivemos a toda sorte de adversidade, ao descaso, à violência, à miséria, às doenças, às piores condições de trabalho, aos piores salários, à falta de assistência, à discriminação. Sobrevivemos à escravidão, ao massacre da nossa cultura, à perseguição da nossa religião, a humilhações históricas e cotidianas.

Precisamos do Dia da Consciência Negra para que todos os brasileiros possam pensar no país que querem construir. Precisamos deste dia para simplesmente celebrar o orgulho do povo negro: o orgulho de ter sobrevivido!

Por Pai Rodney - Fonte: Carta Capital

sábado, 18 de novembro de 2017

MULHERES NEGRAS ACUMULAM PIORES INDICADORES SOCIAIS NO BRASIL

Em relação às mulheres brancas, pretas ou pardas são mais pobres, têm menos oportunidade e estão sem perspectiva de mobilidade social.

A mulher negra, em uma pirâmide social, está na base, então a dificuldade de ascender é maior', lamenta ativista. Foto: EBC

As mulheres negras acumulam os piores indicadores sociais no Brasil. Os números apontam que elas são as mais pobres, as que têm menos oportunidades, que ganham menos e vivem em uma situação de, praticamente, nenhuma mobilidade social. "As dificuldades de gênero são maiores, mas a mulher negra, em uma pirâmide social, está na base, então a dificuldade de ascender é maior", afirma a ativista e museóloga Rafaela Caroline.

De acordo com o Disque 180, as mulheres negras representam 58,8% das vítimas em casos de violência doméstica. Elas também são 65,9% das que sofrem com a violência obstétrica, como aponta a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Já o Ministério da Saúde mostra que elas morrem mais em decorrência do parto: são 53,9% dos casos.

As mulheres negras também enfrentam desigualdade no ambiente de trabalho. Segundo o IBGE, o rendimento médio delas é de R$ 800 ao mês. Já homens brancos chegam a ganhar quase o dobro: R$ 1.559.

Para tentar resolver o problema, foi criada em 2003 a Secretaria Especial de Política para Mulheres. Desde então, o país reconhecia a necessidade de um olhar mais cuidadoso para a melhoria da qualidade de vida das mulheres negras, porém a pasta foi extinta pelo governo Temer.

"O governo tem os dados, mas não consegue tirar a mulher negra dessa invisibilidade. Nós, mulheres negras, continuamos em marcha para o nosso bem viver, que não é só para nós, mas para sociedade", diz Joseane Lima, do Movimento de Mulheres Negras

A professora de Pedagogia da Universidade de Brasília (UnB) Rita Silvana dos Santos acredita que falta professoras negras na educação básica. "Esse fato se deve porque, para atuar como docente na educação básica é necessária formação de nível superior, mas os negros no Brasil ainda têm baixa escolaridade, por ausência de políticas públicas nessa área."

Fonte: Rede Brasil Atual

O BRASIL DA MISÉRIA VOLTOU: CRIANÇA DESMAIA DE FOME EM ESCOLA DO DF

A criança que desmaiou e os dois irmãos não haviam comida nada no dia anterior ao desmaio

Fazia tempo que Brasil não convivia com notícias tão cruéis relacionadas à fome. Na última segunda-feira (13) – a informação veio à tona na última sexta (17) – uma criança de 8 anos desmaiou de fome em uma escola pública do Distrito Federal.

A unidade de ensino recebe inúmeras crianças carentes que moram longe – muitas chegam a aula sem ter comido nada. O menino que desmaiou, no caso, mora em um conjunto habitacional do Minha Casa Minha Vida no Paranoá Parque.

Ele chegou na escola, de acordo com a professora Ana Carolina Costa, tremendo e chorando “Ele estava com a mão no peito, coração disparado, passando mal. Cheguei a levá-lo para a direção. Por lá, ele desmaiou duas vezes e não reagia”, contou.

O Samu foi chamado e a criança socorrida. Segundo relatos dos irmãos da criança, que são alunos da mesma escola, eles não comeram nada no domingo e, na segunda-feira, dia do desmaio, a única coisa que comeram foi um mingau de fubá.

A escola, após o episódio, doou uma sexta básica para a família do garoto. O Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF), por sua vez já pediu à Secretaria de Educação a construção de uma escola na região do Paranoá Parque. “Se não é possível construir agora, a escola tinha de, no mínimo, oferecer uma refeição na entrada: arroz, feijão e frango, e um lanche à tarde”, disse Samuel Fernandes, diretor da entidade.
Fonte: Revista Fórum

A HORA DA GLOBO

Não vejo Jornal Nacional por recomendação médica, mas fui ver o VT da edição recente, sobre o escândalo da Fifa.

É pânico em estado puro.

Sem nenhum outro argumento, o JN anunciou, em quatro oportunidades, num jogral constrangido de seus apresentadores, que uma "investigação interna" nada encontrou que corroborasse a denúncia de pagamento de propina feita, nos Estados Unidos, pelo empresário argentino Alejandro Burzaco.

"Investigação interna" é, obviamente, uma fantasia ridícula pensada às pressas para ser colocada no Jornal Nacional, uma vez que a outra alternativa - não falar sobre o assunto - deixou de ser viável, por causa das redes sociais.

Qualquer mentecapto, mesmo entre os que veem o JN todo dia, percebeu que nunca houve investigação interna nenhuma, mas a construção de uma desculpa esfarrapada para segurar as pontas enquanto a turma decide como sair dessa enrascada com a cabeça em cima do pescoço.

Explica-se: o crime de perjúrio, nos Estados Unidos, é gravíssimo, e o processo de delação, ao contrário do que ocorre na República de Curitiba, existe para gerar consequências práticas dentro do processo legal. Em suma, o Judiciário americano não usa a delação para fustigar inimigos, mas para produzir provas.

Burzaco não iria acusar a Globo e outra meia dúzia de ultra poderosos grupos internacionais de mídia se não tivesse como provar o que está dizendo.

E como a Globo não tem como amansar juízes dos EUA com diáfanas premiações do tipo faz-a-diferença, é certo que, pela primeira vez na vida, os Marinho correm um risco real de se dar mal.

A conferir.

Por Leandro Fortes - No Brasil 247

AS APARÊNCIAS E AS PALAVRAS

Podem até dizer que serão amigos a vida toda, que se amarão em qualquer situação, que é para sempre, mas poucos sobrevivem às turbulências, à ausência de conforto e de dinheiro. Porque o que se diz na bonança raramente se sustenta na tempestade.

Hoje, pouco se valoriza o que somos, como nos comportamos, nosso valores e princípios, nossas atitudes para com o próximo, mas sim o quanto consumimos. O que importa é o poder de compra de cada um, a despeito dos meios que se utilizam para a obtenção daquilo que se quer. Quanto mais moderno for o seu celular, quanto mais possante for o seu carro, quanto mais carimbado for seu passaporte, quanto mais grifes suas vestimentas ostentarem, mais gente você se torna perante a sociedade.

Nada mais tem durabilidade, nem objetos, nem sentimentos. Antigamente, as coisas eram feitas para durar, a afetividade contava muito, para além das aparências. Nossos pais se gabavam por possuírem, durante toda a vida, os presentes de casamento: as camas, os móveis, a louça, os talheres, o enxoval, tudo permanecia na casa por anos e anos. Geladeiras, fogões, televisões, armários, entre outros, faziam parte do patrimônio familiar, inclusive por mais de uma geração.

As pessoas costumavam mandar consertar o que quebrava, porque a qualidade dos produtos valia a pena – até mesmo o ferro de passar roupa era levado para reparos. Hoje, pelo contrário, não se conserta quase nada, joga-se fora e compra-se outro. Substituem-se utensílios, objetos, móveis, eletrodomésticos. Substituem-se casas, carros, terrenos, brinquedos. Substituem-se sonhos, afetos, sentimentos. Substituem-se pessoas.

Nesse contexto em que os bens materiais são supervalorizados, em detrimento do bem que cada um carrega dentro de si, cada vez mais as pessoas se apegam às aparências. O mundo virtual das redes sociais torna essa sistemática ainda mais forte, haja vista a necessidade de se postarem fotos de felicidade inconteste e check-ins em restaurantes badalados e em aeroportos internacionais. Com isso, a felicidade vai se tornando algo que somente se consegue quando se está rodeado de luxo e de conforto material.

Por essa razão é que tudo o que carregamos dentro de nós, nossas verdades e sonhos de vida, parecem não valer muito aos outros. Somos interessantes apenas enquanto oferecemos algo para que o outro possa desfrutar de alguma forma. A partir do momento em que nada pudermos oferecer além do que somos enquanto pessoa, deixamos de existir para a maioria dos indivíduos. Quem fica porque gosta de nossa presença é quem nos ama de verdade, porque o restante não mantém afeto, não mantém sentimento, não mantém palavra alguma.

Podem até dizer que serão amigos a vida toda, que se amarão em qualquer situação, que é para sempre, mas poucos sobrevivem às turbulências, à ausência de conforto e de dinheiro. Porque o que se diz na bonança raramente se sustenta na tempestade. Infelizmente.

Texto de Por Marcel Camargo no CONTI outra

SOBRE BUSCAR COM O CORAÇÃO

Sobre o que realmente temos controle na vida? Às vezes, faço-me essa pergunta e chego à conclusão de que sobre pouquíssimas coisas.

A vida é mesmo frágil, é a chama de uma vela, como diria Shakespeare. Além de frágil, é fugaz, passa rápido e, contemporaneamente, em um mundo de extrema fluidez, a sensação que tenho é de que a vida passa sem que eu possa, de fato, senti-la.

Temos que fazer mil e uma coisas em um dia, quando não temos condições de fazer cinco com qualidade. Cheios de obrigações e sem tempo para nada, as horas passam e a chama que nos mantém vivos fica mais fraca. Esse tempo não volta e, pior, não fica na memória, pois não o gastamos com o que de fato deveria ser gasto.

A obrigação em dar certo na vida não nos permite parar, ainda que não saibamos para aonde estamos indo. Essa maneira de se comportar intensifica-se com a vida, em uma sociedade capitalista, em que a obrigação em dar certo na vida resume-se a ganhar dinheiro. Vivemos sob o jugo da alta performance e exigências de um mundo cada vez mais dinâmico.

O que me preocupa é a forma como já estamos adaptados a viver dessa forma, sem questionar se essa é a melhor forma de viver, pois, como disse, a vida é breve e, por ser breve, deve ser aproveitada naquilo que realmente importa. Um dia a gente acorda, os anos se passaram e perdemos a oportunidade de deixar a nossa marca no mundo, de dar um abraço e de ganhar um sorriso. Ou seja, ser importante para alguém e fazer alguém importante.

Devemos produzir, devemos correr, devemos “ter” coisas para mostrar, como se objetos definissem pessoas, mas, mesmo que definam, são definições muito superficiais. Nessa busca incessante por um sem número de coisas, existem pessoas em lugares que não querem estar, em trabalhos que não trazem nenhuma felicidade, em relacionamentos vazios, e contentam-se, afinal, vendem-nos a ideia de que essa é uma vida feliz.

Nós a aceitamos, por medo, preguiça ou insegurança de viver uma vida que realmente faça jus à nossa existência e àquilo que somos. Acreditamos que a vida, dessa forma, é levada a sério, que estamos fazendo “coisas sérias”. Como é tola a sabedoria que os adultos carregam. Mal sabem que as areias da ampulheta chegam ao outro lado e suas vidas são vividas como a dos outros, sem diferenças, sem essência, sem nada que possa fazê-los importantes.

Tantas coisas que passam por nós ao longo da vida, tantas coisas que vêm e vão, tantos de que não nos lembramos, tantos que não se lembram de nós. Poderíamos ter nos ocupado de menos coisas, ter ficado mais tempo com o que faz o coração enternecer, chorado quando sentíssemos vontade e colecionado sorrisos para fortalecer a alma.

Mas não temos tempo para essas coisas. No mundo dos adultos, só há tempo para as coisas sérias, para fazer contas, para o racional. Desse modo, ao longo do tempo, vamos esquecendo quem somos e nos transformamos em máquinas ou qualquer outra coisa. Nem tudo pode ser contado e, assim, há coisas que somente são sentidas. Embora tenhamos nos ocupado muito em deixar de sentir. E nos orgulhamos disso, pois somos homens “sérios”.

“Eu conheço um planeta onde há um sujeito vermelho, quase roxo. Nunca cheirou uma flor. Nunca olhou uma estrela. Nunca amou ninguém. Nunca fez outra coisa senão somas. E o dia todo repete como tu: “Eu sou um homem sério! Eu sou um homem sério!” e isso o faz inchar-se de orgulho. Mas ele não é um homem; é um cogumelo!”

Como a sabedoria do principezinho é diferente da nossa. Cegos da nossa razão, estamos inchados de orgulho de uma vida que nos afasta dos outros e de nós mesmos. Acreditamos que a felicidade está na grandiosidade ou quantidade. Guardamos tralhas que, no fim das contas, apenas nos deixam mais vazios. Tentamos cultivar milhares de pessoas, mas não temos tempo para cuidá-las e, logo, não colhemos nada.

Shakespeare disse que a vida é a chama de uma vela; Quintana, que a vida é breve; Niemeyer, que a vida é um sopro. Eu vos digo que a vida só vale a pena, quando com pequenas coisas se ganha um sorriso. Acho que a vida do homem contemporâneo não se adequa ao que penso, mas as pessoas grandes são muito esquisitas e isso não fui eu que disse, mas um frágil e pequenino sábio:

“- Os homens do teu planeta, disse o principezinho, cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim… e não encontram o que procuram…

– Não encontram, respondi…E, no entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa, ou num pouquinho d’água…- É verdade. E o principezinho acrescentou:

– Mas os olhos são cegos. É preciso buscar com o coração…”

Texto de Erick Morais, no CONTI outra

A LEI DO RETORNO É INFALÍVEL

Pode demorar, mas sempre receberemos na medida exata do que oferecemos. Nada mais, nada menos do que isso.

Não raro, costumamos achar que vimos sendo tratados injustamente ou de forma desagradável pelas pessoas que nos rodeiam. É como se estivéssemos recebendo muito menos do que verdadeiramente queremos ou pensamos que merecemos. Assim, passamos a colocar a culpa do que nos ocorre tão somente nas pessoas e no mundo lá fora, o que nos impede de nos enxergarmos como sujeitos de nossas histórias, uma vez que, nessa ótica, seríamos meros joguetes nas mãos dos outros.

E, assim, vamos passando os dias lamentando as supostas injustiças que nos vão sendo impostas, recheando nossas amarguras com os tratamentos que julgamos descabidos por parte das pessoas que convivem conosco, sentindo-nos mal amados, mal interpretados, mal vistos e desvalorizados. Afinal, ninguém parece nos entender ou perceber os potenciais que possuímos, como se estivéssemos sendo subutilizados em todos os setores de nossas vidas.

Por essa razão é que jamais poderemos fugir ao enfrentamento de nós mesmos, analisando racionalmente o que estamos oferecendo, como estamos nos comportando, enxergando a nós mesmos, na forma como estamos tratando as pessoas, nas palavras que usamos, no tom de voz que colocamos, no olhar que dirigimos ao mundo lá fora. Muitas vezes, apenas estamos recebendo de volta exatamente o que oferecemos, nada mais nem menos do que isso.

Caso consigamos perceber a forma como as pessoas vêm nos enxergando, o que o mundo vem recebendo de nós, muito provavelmente entenderemos várias coisas que nos acontecem, tendo a consciência de que o que nos chega não é injusto e sim retorno de mesma medida. Muitas vezes, estaremos ofertando é nada, tratando mal as pessoas, ignorando-as e menosprezando-as, fechando-nos aos encontros, a tudo o que está fora de nós. Como é que poderão enxergar algo que não demonstramos? Como é que nos enxergarão, caso nos fechemos aqui dentro?

Embora exista quem não consiga fazer outra coisa que não azucrinar a vida de quem quer que seja, muitas pessoas com quem conviveremos estarão abertas a receber o nosso melhor e a fazer bom uso de tudo o que oferecemos, valorizando-nos e tratando-nos com o devido respeito. É preciso, portanto, que nos permitamos o compartilhamento transparente de nossas verdades, para que elas nos tragam o retorno afetivo que nos enriquecerá a vida onde e com quem estivermos. Porque merecemos, sempre, o que oferecemos.

Texto de Marcel Camargo – no Portal Raízes

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

CAICÓ- VEM AI VII MOSTARTE, DE 31/NOV A 3 DEZ NO TERREIRO DAS ARTES.

APOIE, DIVULGUE, PARTICIPE - CULTURA FAZ BEM A ALMA E LIBERTA!

INTERTV CABUGI FEZ MATÉRIA EM CAICÓ PARA DIA DO CORDELISTA

 Cordelistas caicoenses apresentaram a InterTv Cabugi como o cordel em Caicó está resistindo e ganhando espaço na nossa cultura popular

Cordelistas apresentam na feira livre de Caicó seus trabalhos, muitos produzidos pela Oficina de Cordel que tem formado novos poetas populares.

Na última terça-feira, 13, uma equipe da InterTv Cabugi estive em Caicó para gravar matéria em alusão ao Dia do Cordelista, que é comemorada no próximo dia 19 de novembro, na oportunidade foram gravadas entrevistas no Sebo&Arte que fica no Mercado Público, com o professor e poeta Antônio Neves e também no Centro Cultural onde funciona Oficina de Cordel ministrada pelo poeta Djalma Mota onde contou com a participação de outros poetas como Agostinho e Edcarlos.

A exibição da matéria deverá está ocorrendo em uma das edições do jornal da InterTv Cabugi local até o próximo domingo, 19.

A InterTV Cabugi é sediada em Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte. Opera nos canais 11 VHF e 34 UHF digital, e é afiliada a Rede Globo. Fundada em 1987 pelos os irmãos Aluzio e Agnelo Alves, como TV Cabugi, permaneceu com este nome até 2006, quando Agnelo Alves vendeu parte das ações da emissora para o empresário capixaba Fernando Aboudib Camargo, dono da Rede InterTV. Seus estúdios ficam localizados no bairro da Lagoa Nova, e sua antena de transmissão está no Parque das Dunas, no Tirol.

19 DE NOVEMBRO É DIA DO CORDELISTA

Cordel ou "Jornal do Sertão" como foi conhecido durante muito tempo no Nordeste, a arte dos cordelista de se comunicar através da escrita na forma rimada, é comemorada neste dia 19 de novembro. A data foi criada em homenagem ao pioneiro Lenadro Gomes de Barros, nascido no dia 19 de novembro de 1865.



Leandro Gomes de Barros (foto) nasceu em 1865, na Fazenda Melancia, município de Pombal, Estado da Paraíba. A Fazenda pertencia aos seus avós maternos Manuel Xavier de Farias e sua mulher Dona Antônia Xavier de Farias, por quem Leandro foi criado após a morte de seu pai, José Gomes de Barros Lima. Manuel e Antônia eram pais de dona Adelaide, mãe de Leandro e do Padre Vicente Xavier de Farias, que nasceu na mesma fazenda em 1822.

Ordenado sacerdote, aos 24 anos de idade mudou-se para o Teixeira em 1846, tendo permanecido ali durante 61 anos. Faleceu em 13 de dezembro de 1907, com 85 anos de idade. Leandro foi para companhia do Pe. Vicente, vigário da Vila do Teixeira, permanecendo naquela localidade até os 15 anos de idade, quando resolveu mudar-se para Pernambuco.

No Teixeira, Leandro conviveu com violeiros da estatura de Inácio da Catingueira, Romano da Mãe d'Água, Bernardo Nogueira, Ungulino Nunes da Costa e Nicandro Nunes da Costa. Por eles nutriu admiração e deles adquiriu o estro da poesia popular. De Teixeira mudou-se para Vitória de Santo Antão e de lá para o Recife, onde viveu na rua Motocolombó, nº 87, em Afogados.

Leandro era casado com Dona Venustiniana Eulália de Barros, união da qual nasceram 04 filhos, três mulheres e um rapaz. A mais velha, Raquel Aleixo de Barros Batista (1894-1921) casou-se com o poeta Pedro Batista (1890-1938). Os outros filhos eram Esaú Eloy, Julieta (ou Gilvanetta) e Herodias.

Sobre Leandro, Luiz da Câmara Cascudo in Vaqueiros e Cantadores nos dá o seguinte depoimento (pág. 264 - edições de ouro):

"Nasceu e morreu na Paraíba, viajando pelo Nordeste. Viveu exclusivamente de escrever versos populares inventando desafios entre cantadores, arquitetando romances, narrando as aventuras de Antônio Silvino, comentando fatos, fazendo sátiras. Fecundo e sempre novo, original e espirituoso, é o responsável por 80% da glória dos cantadores atuais. Publicou cerca de mil folhetos, tirando deles dez mil edições. Esse inesgotável manancial correu ininterrupto enquanto Leandro viveu. É ainda o mais lido dos escritores populares. Escreveu para sertanejos e matutos, cantadores, cangaceiros, almocreves, comboieiro, feirantes e vaqueiros. É lido nas feiras, nas fazendas, sob as oiticicas nas horas do "rancho", no oitão das casas pobres, soletrado com amor e admirado com fanatismo. Seus romances, histórias românticas em versos, são decoradas pelos cantadores. Assim Alonso e Marina, O Boi Misterioso, João da Cruz, Rosa e Lino de Alencar, O Príncipe e a Fada, o satírico Cancão de Fogo, espécie de Palavras Cínicas, de Forjaz de Sampaio, a Órfã Abandonada, etc constituem literatura indispensável para os olhos sertanejos do nordeste. Não sei se ele chegou a medir-se com algum cantador. Conheci-o na capital paraibana. Baixo, grosso, de olhos claros, o bigodão espesso, cabeça redonda, meio corcovado, risonho, contador de anedotas, tendo a fala cantada e lenta do nortista, parecia mais um fazendeiro que um poeta, pleno de alegria, de graça e de oportunidade.

Quando a desgraça quer vir
Não manda avisar ninguém,
Não quer saber se um vai mal
E nem se outro vai bem,
E não procura saber
Que idade Fulano tem.

Não especula se é branco,
Se é preto, rico, ou se é pobre,
Se é de origem de escravo
Ou se é de linhagem nobre!
É como o sol quando nasce
O que acha na terra, cobre!

Um dia, quando se fizer a colheita do folclore poético, reaparecerá o humilde Leandro Gomes de Barros, vivendo de fazer versos, espalhando uma onda sonora de entusiasmo e de alacridade na face triste do sertão." O poeta João Martins de Ataíde, que comprou os direitos autorais de Leandro a Venustiniana Eulália de Barros, escreveu o seguinte no folheto A Pranteada Morte de Leandro Gomes de Barros:

Poeta como Leandro
Inda o Brasil não criou,
Por ser um dos escritores
Que mais livros registrou,
Canções, não se sabe quantas,
Foram seiscentas e tantas
As obras que publicou.

No dia de sua morte
O céu mostrou-se azulado,
No visual horizonte
Um círculo subdourado
Amostrava no poente
Que o poeta eminente
Já havia se transportado.

Fonte: Blog Acorda Cordel

O QUE É UM CORDELISTA?


Cordelista conta história
Conta causo, até piada
Puxa a rima da memória
A obra é metrificada
Seja a quadra ou quintilha
A sextilha, a setilha
Brilha de qualquer maneira
A oitava usa bem
E a décima também
Faz estrofes como queira

Na silábica contagem
Redondilha predomina
A Maior leva vantagem
A Menor pouco fascina
O Martelo dá "ibope"
Juntamente c'o Galope
São usados nos escritos
Pois versos com simetria
Soam como melodia
E ficam demais bonitos

Os temas são variados
O campo, cidade ou mar
Os amores já passados
As dores a perturbar
As tristezas, as agruras
Infortúnios, desventuras
Põe de tudo no papel
Alegrias e surpresas
Os encantos e belezas
São matéria de cordel

A pena desse poeta
Gera risos, gera sonhos
Transformar possui por meta
Dias tristes em risonhos
Leva amor aos corações
Com as belas criações
Que sua mente concebe
Tem leveza, tem humor
O aplauso do leitor
É o prêmio que recebe

Leandro Gomes de Barros
Maior de todos talvez
Ninguém nunca tirou sarros
Das obras que ele fez
Porque tinham qualidade
Além de variedade
Grande mestre nesse estilo
Nestes versos que desfio
De homenagem, elogio
Certamente vou cobri-lo

A bandeira nacional
Exaltada nesse dia
Coincidência legal
Pro mundo da poesia
Dezenove, que maneiro
Do mês décimo primeiro
A bandeira da cultura
Uma nova estrela ganha
Que nas letras se entranha
Competente criatura

Os poetas populares
Cumprimento, satisfeito
São tão lindos seus cantares
Nas estrofes me deleito
Essa verve, esse talento
Enchem de contentamento
Os que leem, felizardos
Nobre amigos, pra vocês
Um abraço mui cortês
Meu apreço, ilustres bardos

NEGROS GANHAM METADE DA RENDA DE BRANCOS

A Oxfam estima que negros e brancos só terão uma renda equivalente no país em 2089, daqui a pelo menos 72 anos.

"A gente fez um cálculo da média da equiparação salarial entre negros e brancos de 1995 a 2015 e projetou o resultado para saber em quanto tempo, seguindo o ritmo desses 20 anos, se chegaria à igualdade de salários", explica Rafael Georges, cientista político e coordenador de campanhas da Oxfam Brasil, ao Uol.

Em 2015, brancos ganharam o dobro do recebido por negros, R$ 1.589 contra R$ 898 mensais. No intervalo de 20 anos, os rendimentos dos negros passaram de 45% do recebido por brancos para 57%. Neste ritmo, a igualdade chegaria apenas em 2089, isto se a equiparação continuar mesmo a avançar.

"Se a gente tirasse a informação sobre os programas sociais, que chegam mais para a população negra, que é a mais pobre, talvez esta projeção de equiparação salarial fosse ainda pior", comentou Georges com o portal de notícias.

De acordo com a Oxfam, 67% dos negros brasileiros estão entre as pessoas que recebem até 1,5 salário mínimo, enquanto os brancos são menos de 45%.

Já entre homens e mulheres, segundo a Ong, 65% das mulheres ganham até 1,5 salário mínimo, ante 52% dos homens. Se mantida a tendência dos últimos 20 anos, a equiparação salarial chegará em 2047.

 Fonte: JB

REFORMA TRABALHISTA – O BRASIL DE VOLTA AO PASSADO

Na última sexta feira (10) ocorreram manifestações contrárias em todas as unidades da Federação, em todas as capitais de Estado e inúmeras cidades.

Os brasileiros têm razão. Estão na raiz de seu descontentamento as sucessivas traições que Temer cometeu – primeiro, contra a presidenta Dilma Rousseff, ao protagonizar o golpe que roubou o poder que o povo havia conferido a ela em eleições legítimas e legais.

A lista de traições aumentou desde que ele ocupou o governo, levado pelo golpe. Cortou recursos que a Constituição destinou à saúde, educação, ao investimento público. Tenta cortar o direito dos trabalhadores à aposentadoria. Tenta reimplantar o trabalho escravo. Fez aprovar a contrarreforma trabalhista, que rasgou a CLT e empurrou o Brasil de volta ao passado, aos tempos em que os trabalhadores ficavam sob a ganância e as arbitrariedades patronais.

As pesquisas mostram uma rejeição ao ilegítimo Michel Temer superior a 85%, e apenas 3% o apoiam. Revelam também igual condenação aos parlamentares que aprovaram a contrarreforma trabalhista que entra vigor neste sábado (11): 79% (isto é, oito em cada dez) declaram que não votarão novamente nos parlamentares que, em 11 de julho passado, traíram o povo e jogaram a CLT na lata do lixo, com enormes prejuízos para os trabalhadores. Os brasileiros não se deixam enganar – uma pesquisa recente, da Vox Populi/CUT, mostra que dois terços dos entrevistados (67%) sabem que a “reforma” trabalhista só favorece os patrões e corta direitos dos trabalhadores, duramente conquistados em lutas históricas ocorridas ao longo de décadas.

A entrada em vigor da decisão que eliminou a CLT – uma temeridade que nem mesmo os militares da ditadura de 1964 cometeram – deve levantar o Brasil contra Temer e as novas regras draconianas e contra os trabalhadores. 

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

SERVIDORES MUNICIPAIS DÃO PROVA DE RESISTÊNCIA E GREVE CONTINUA

O prefeito batata até que tentou de todas as formas acabar com a greve na pressão e ameaças, mas os servidores e servidoras municipais, numa prova de luta e unidade decretaram, por unanimidade, pela continuidade do movimento.

Servidores votaram unanimamente pela continuidade da greve na assembleia geral da manhã de hoje 18.

Apesar de o prefeito ter entrado com pedido na Justiça de ilegalidade da greve usando falsos argumentos contra os sindicatos e as categorias de servidores, a maioria decidiu na assembleia realizada na manhã de hoje, 18 de setembro, pela continuidade do movimento.

Para o presidente do SindServ. Thiago Costa, só há duas formas agora de os servidores e servidoras voltarem ao trabalho: ou pela via da negociação e do retorno do diálogo do governo municipal com os sindicatos ou por via de imposição judicial, que para isso, os servidores ainda poderão avaliar em assembleia extraordinária se acatam ou não a decisão da Justiça, disse o sindicalista.

Os servidores e servidoras presentes na assembleia decidiram que agora só voltam depois que a Justiça se pronunciar.

Com as medidas impositivas tomadas, o prefeito Batata deu um tiro no pé. A luta continua.

SERVIDORES MUNICIPAIS: PRECISAMOS UNIR NOSSAS FORÇAS ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS

Por Antônio Neves – professor, ex-presidente do SindServ. e atual secretário geral da CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil.

      Companheiros e companheiras

   O momento que nós servidoras e servidores públicos passamos aqui em Caicó, com o escancarado desrespeito aos nossos direitos e a instabilidade no pagamento dos nossos salários, é crítico e merece muita união, força e coragem. A cada dia fica mais clara a desorganização da gestão municipal quanto à forma de lidar com a “coisa” pública e no gerenciamento das finanças municipal; o resultado é nada mais do que querer colocar em nossas costas a conta desse desastre administrativo, situação esta que, para nós, também não é nenhuma novidade, estamos diante de uma tragédia administrativa anunciada desde as eleições passadas.

   O momento não é para lamentações, mas de resistência a todos estes desmandos para nos organizarmos com firmeza e unidade. A grave crise econômica e política que estamos vivenciando no Brasil é exatamente o resultado do confronto da luta de classes que se agravou a partir do golpe midiático-parlamentar e empresarial dado sobre a ex-presidenta Dilma e contra o projeto desenvolvimentista que estava em vigor desde 2002 nos governos Lula. As conquistas obtidas nesse período, resultado das lutas dos trabalhador@s e do povo garantiram melhorias em diversos setores da vida social e econômica da nação, principalmente dos trabalhadores e das camadas populares excluídas, isso tudo revoltou as elites dominantes que não gostam de povo nem de pobre, menos ainda dos trabalhador@s, e a única saída que encontraram, foi o golpe que coloca hoje a democracia e os direitos fundamentais do cidadão em situação de desmonte total: A Reforma Trabalhista, da Previdência, Terceirização, o FIM do Fundeb, arrocho salarial, inflação, demissões, desemprego, aumento das violências contra as mulheres, jovens e negros, homofobia, racismo, intolerância ideológica e religiosa, privatizações, entrega da Amazônia ao capital estrangeiro, repressão policial e constantes ataques ao Estado Democrático de Direito com violações de várias prerrogativas constitucionais de defesa do cidadão nada mais são que parte do desmonte da nação (e isso é só o começo).

   O pacote de maldades que o ILEGÍTIMO presidente Temer (PMDB) e do presidente da Câmara,deputado Rodrigo Maia (DEM) preparam para nós servidores públicos, depois de concretizada todas as reformas em curso com o apoio imoral do STF (Supremo Tribunal Federal), é uma verdadeira armadilha contra a garantia dos nossos empregos, e isso precisa ser compreendido como uma declaração de guerra a todos e todas. Enquanto patrões e governos federal, estaduais e municipais, associados às grandes estruturas econômicas e do capital estrangeiro estão unidos aprovando as reformas de seus interesses, contra o país e o povo, parte dos trabalhador@s assiste a tudo inerte, sem nenhuma reação; tal comportamento não só é perigoso para nós, como significa um consentimento passivo para que eles façam o que bem entendam contra a nação brasileira. Precisamos mirar na defesa dos nossos direitos, do emprego e dos salários, e isso começa pela nossa cidade, nos sindicatos e associações, nas escolas e demais locais de trabalho, através da discussão política e de ações em prol das negociações e rigoroso cumprimento da nossa agenda de reivindicações que, nesse momento está sendo completamente descumprida.

   Isso tudo nos mostra que a luta não é só por salários, mas a continuidade do enfrentamento legítimo do que precisaremos combater, sem medo, num futuro próximo. A tendência, pelo comportamento dos atuais governantes por todo o país E NO NOSSO MUNICÍPIO é que as coisas irão se agravar, e como nós reagiremos a tudo isso é o que vai definir a garantia não apenas dos nossos direitos e salários, mas da nossa própria sobrevivência como servidores públicos. A maléfica intensão do governo é forçar demissões em massas no serviço público em nome de um falso enxugamento da máquina administrativa, porém, contraditoriamente, continua a gastança e a farra com o dinheiro público para comprar deputados e garantir apoio nos parlamentos. Nós não vamos pagar essa conta.

   As ameaças, provocações, mentiras, intimidações e insultos contra nós, cometidos por parte de agentes da gestão municipal desde que deflagramos este movimento paredista em Caicó, faz parte de um jogo antiético e intencional que visa nos confundir, dividir e enfraquecer. Na falta de compromisso, competência e seriedade para governar e de argumentos convincentes que justifiquem as ações e atitudes desastrosas tomadas contra nós servidoras e servidores, resta então à agressão aos direitos e a tentativa de penalizar os que trabalham honestamente. Não temamos. Não nos acovardemos. Não nos calaremos. Se não reagirmos agora, poderemos está alimentando o pior que ainda está por vir, pois nossos inimigos estão no Poder.

   Lutar, resistir, vencer!
   Até o último servid@r.
   Só unidos seremos fortes!


Caicó-Rn 18 de setembro de 2017