sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

NÃO DEPOSITE SUA FELICIDADE NAQUILO QUE VOCÊ PODE PERDER

Quem só consegue ser feliz quando o outro lhe retorna afeto, quando consegue comprar a roupa da moda e o celular de última geração, quando tem sol com praia, dias sem problema algum ou amizade correspondida, tem pouquíssimas chances de sorrir com verdade.

Não raro, acabamos sentindo como se a felicidade fosse algo longínquo, uma utopia, inalcançável e distante, uma vez que costumamos dar atenção demasiada aos momentos desagradáveis que enfrentamos, enquanto tratamos de nos esquecer rapidamente dos prazeres que pontuam nossos dias. Simplesmente porque a maioria de nós se esquece de prestar atenção em si mesma, ocupando-se com comparações entre o que se tem e o que se deseja sem possuir.

Embora seja lugar comum aquela velha ideia que nos aconselha a tentarmos procurar ser feliz, encontrando dentro de nós o que existe de bom, para que cultivemos a gratidão pelo que somos; por tudo e por todos que já fazem parte de nossas vidas, acabamos por nos desviar de nossas conquistas, lamentando tudo aquilo que não está ao nosso alcance. E, assim, fugimos ao contentamento pessoal, em meio a queixas e angústias, sentindo-nos menos afortunados, menos vencedores, menos felizes.

Da mesma forma, muitas vezes depositamos a fonte de nossa alegria naquilo que se encontra fora de nós, como se nossa felicidade dependesse de tudo e de todos que estão bem longe, como se não fôssemos capazes nem merecedores de felicidade. Com isso, ser feliz passa a ser uma condição que independe de nós, mas sim do parceiro, das roupas, do carro, enfim, do que podemos comprar, de quem nos rodeia, do acaso, menos do que temos dentro de nós.

Infelizmente, quem só consegue ser feliz quando o outro lhe retorna afeto, quando consegue comprar a roupa da moda e o celular de última geração, quando tem sol com praia, dias sem problema algum ou amizade correspondida, tem pouquíssimas chances de sorrir com verdade. Porque a gente vai levar rasteira da vida, a gente vai se decepcionar com as pessoas, a gente vai ficar sem dinheiro, vai levar porrada, sim, não tem como fugir a isso.

Por essa razão, uma das piores coisas que faremos por nós mesmos será ficar esperando que o mundo à nossa volta nos retorne o que queremos para que possamos sorrir, como se fôssemos meros espectadores do que ocorre, como se nossa felicidade não estivesse em nossas próprias mãos. É preciso que sejamos responsáveis por nossas vidas, agindo para que possamos desfrutar dias de sol e de tempestade com coragem e equilíbrio, de mãos dadas com quem for capaz de nos roubar sorrisos sinceros, ou simplesmente acompanhados de nós mesmos, afinal, sempre seremos a nossa melhor companhia.

Texto de Marcel Camargo no CONTI outra

*O título deste artigo baseia-se em uma citação de C. S. Lewis

A ARTE DA SABEDORIA

Amor e paixão se traem e se atraem!

"Há homens implacáveis que fazem de tudo um crime, não por paixão, mas devido ao próprio temperamento. Condenam a todos, alguns pelo que fizeram; outros pelos que deixaram de fazer. Trata-se de espíritos mais que cruéis realmente, mesquinhos. Criticam os outros com tal exagero que fazem de um cisco um motivo para arrancar os olhos. São como feitores, que podem transformar um paraíso num inferno. Quando dominados pela paixão, levam tudo a extremos. Ao contrário, para os ingênuos há sempre desculpas. Insistem em que os outros tinham boas intenções ou erraram inadvertidamente."
Baltazar Gracián

ENTRE A FOME, O DESPERDÍCIO E A FARTURA

Hoje, por causa do medo de uma grande catástrofe, natural ou causada pelo homem, o mundo está preocupado se no futuro haverá o que comer. Com a crise mundial dos alimentos, essa preocupação aumenta porque a previsão é que, em curto prazo, milhões padecerão de fome. Mas a fome não é um problema de agora, ela sempre existiu na Terra e sempre existirá, porque, além de outras coisas, há abismos sociais e ganância que garantem isso.

Enquanto muitos morrem de fome, outros têm além do que precisam para viver bem. Quanto gasta em alimentação uma família típica da Alemanha, dos Estados Unidos, do Equador ou uma família de refugiados do Chade, na África, durante uma semana?  

Veja as fotos abaixo e compare:
 Feira de uma família da Alemanha - 375,39 Euros (500,07 dólares) em uma semana

 Feira de uma família dos EUA - 341,98 dólares em uma semana

Feira de uma família do Equador - 31,55 dólares em uma semana.

 Feira de uma família do Chade – 685 francos (1,23 dólar) em uma semana

E no Brasil considerando a desigualdade da renda entre pobres e ricos, nas diferentes regiões do país, como será?

DITADURA DO CAPITAL FINANCEIRO DESEMPREGA MILHÕES DE PESSOAS EM TODO O MUNDO

Quem vai pagar pela crise?
Desde setembro de 2008, e, em particular ao longo de 2011, o mundo vive a agonia do sistema capitalista e o desenvolvimento de sua crise. 

Como todos já perceberam não se trata da crise de um país, os EUA, ou de um grupo de países, a União Europeia, ou de uma moeda, o dólar ou o euro, como insistentemente os grandes meios de comunicação da burguesia divulgam, mas de uma crise geral do capitalismo, a maior desde a Segunda Guerra Mundial, e que afeta todas as economias. Até a economia chinesa já mostra sinais de desaceleração e uma possível crise no mercado imobiliário com os bancos chineses reconhecendo que de 23% dos créditos sofrem um risco sério de não serem pagos. É a globalização, não a tão cantada em prosa e verso pelos apologistas da economia de mercado, mas sim a da pobreza e do desemprego.
A destruição provocada por essa crise é gigantesca. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), nos últimos anos, 80 milhões de trabalhadores foram demitidos em todo o mundo. Somente nos EUA, maior economia do planeta, e, outrora a locomotiva do capitalismo, são 22 milhões de desempregados. O Reino Unido, 3ª maior economia do mundo, tem 8,3% da população desempregada, mas entre os jovens de 16 a 24 anos, o desemprego é de 21,9%. Na Espanha, 45,8% dos jovens não têm emprego. Na Itália, metade das mulheres está fora do mercado de trabalho e 29% dos jovens estão desempregados. No total, ainda segundo a OIT, os desempregados no mundo já somam mais de 205 milhões e 1,6 bilhão de pessoas estão em situação de emprego vulnerável.
Até setores da economia que registram aumento de lucros, demitem. Relatório da consultoria Gartner informa que no terceiro trimestre deste ano foram vendidos 440,5 milhões de telefones celulares no mundo, crescimento de 5,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Entretanto, a joint-venture Nokia Siemens Networks, segunda maior fabricante de aparelhos para telecomunicação sem fio, anunciou em 25 de novembro, que vai demitir 17 mil, 23% do quadro de funcionários da empresa.
Assim é o sistema capitalista: produz a crise, mas joga sobre os trabalhadores todo o seu ônus. Por isso, cresce em todo o planeta o número de familias sem teto, de prostituição e do comércio mundial de drogas.
Em 2008, disseram os governos e os economistas burgueses que o caminho para sair da crise era  o Estado utilizar os recursos públicos para salvar os bancos e monopólios. E assim foi feito. Trilhões de dólares foram injetados no sistema financeiro internacional. No Brasil, lembremos que o governo salvou da falência os bancos Votorantim, de Antonio Ermirio de Morais, e o Panamericano, de Silvio Santos e financiou a juros baixíssimos as  montadoras de automóveis.
Portanto, para salvar a oligarquia financeira ou “essa gentalha”, como diria Quico, personagem do programa Chaves, os Estados se endividaram, tomando dinheiro emprestado exatamente do capital financeiro a juros altíssimos e entregaram quase de graça para os bancos. Resultado, as dívidas públicas dispararam: a Alemanha deve 83% do PIB; a França, 86%; a Itália, 121%; Portugal, 106%, a Espanha, 65% e a Grécia 151,9%. A dívida do Japão atinge 200% do seu PIB e a dos EUA, 100%, cerca de 14,5 trilhões de dólares.
Fonte: Jornal A Verdade

CHEGAMOS AO NOSSO LIMITE?

Estudo indica que homem já chegou onde queria
A busca desesperada pelo conhecimento expulsou Adão e Eva do Paraíso, mas também foi graças a ela que o Homo sapiens saiu das cavernas, dominou o fogo e inventou a roda. A inteligência humana parece não ter limites, o que leva muita gente a tentar aumentá-la com jogos de memória, "ginástica cerebral" e, até mesmo, substâncias químicas. Enquanto, contudo, o saber pode continuar a ser adquirido ao longo de toda a vida, isso não acontece com a inteligência. Segundo um estudo publicado na revista especializada Current directions in psychological science, o homem já chegou onde devia e, se tentar comer o fruto proibido de novo, pode sofrer graves prejuízos.
Os autores alegam que, ao desafiar sua natureza limitada, os humanos poderiam até expandir a memória, a inteligência e o nível de atenção, mas o ganho desequilibraria a cognição - para levar vantagem em uma habilidade, outra ficaria prejudicada. Ralph Hertwing, professor de psicologia social da Universidade de Basel, na Suíça, e Thomas Hills, da Universidade deWarwick, no Reino Unido, dizem que a questão é evolutiva: assim como dificilmente alguém mede mais de 2m de altura, as mentes extremamente brilhantes não passam de exceção. E, assim como pessoas muito altas sofrem com problemas de coluna e de coração, os muito inteligentes pagam um preço alto por seus supercérebros. "Analisamos diversas pesquisas realizadas com pessoas caracterizadas por um alto QI ou que possuem uma habilidade especial, como memória fotográfica, e descobrirmos que, geralmente, esses indivíduos sofrem de distúrbios como autismo, sinestesia debilitante (sentido é trocado por outro) e diversos outros problemas neurológicos". As deficiências estão associadas ao tamanho do cérebro, que, em indivíduos muito inteligentes, costuma ser maior que o normal.
Fonte: DN

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

ALTA DOS COMBUSTÍVEIS. CADÊ AS MANCHETES?

Em outubro, a Petrobras promoveu uma demagógica redução do preço dos combustíveis. Foi o que bastou para a mídia chapa-branca fazer o maior escarcéu. O factoide virou manchete dos jornalões e destaque nas telinhas da tevê. O Judas Michel Temer foi aplaudido e os puxa-sacos da imprensa – os ex-urubólogos – garantiram que a queda reduziria a inflação e alavancaria a economia. Tudo mentira.

A redução do preço nem chegou aos postos – pelo contrário. Agora, porém, a Petrobras reajusta o preço da gasolina em 8,1%, do diesel, em 9,5%, e do gás de cozinha em 12,3%. Em mais um golpe contra o jornalismo e ética, a mídia mercenária simplesmente abafa o assunto.

A revista Época, da famiglia Marinho, até tenta justificar a porrada no consumidor. “Em linha com a política de preços para os combustíveis que criou há apenas dois meses, e alheia a um possível impacto negativo na economia e na política em momento delicado para o governo, a Petrobras acaba de anunciar reajuste de 9,5% no diesel e de 8,1% na gasolina que saem da refinarias. De acordo com a empresa, a decisão foi tomada pelo Grupo Executivo de Mercado e Preços, na tarde desta segunda-feira (5), ao observar o aumento nos preços do petróleo e derivados e desvalorização do câmbio recente”. Ou seja: o governo acertou ao não se curvar diante das pressões. Haja cinismo!

Ainda segundo a reportagem, “se o ajuste for integralmente repassado, calcula a empresa, o preço ao consumidor final será 5,5% mais alto no diesel, ou cerca de R$ 0,17 por litro. Na gasolina será 3,4% superior, ou R$ 0,12 por litro... A medida chama a atenção também porque é anunciada em meio à crise política que abate o governo de Michel Temer, denotando uma mudança em relação à política anterior, em vigor nos governos de Dilma Rousseff, em que as oscilações de preços no mercado externo não eram repassadas aos combustíveis”. Antes, de acordo com os golpistas do Grupo Globo, era o populismo lulopetista; agora, no reinado de Michel Temer, é a austeridade do deus-mercado.

No mesmo rumo, outros veículos publicaram pequenas notinhas – sem manchetes ou chamadas de capas – e juraram que o aumento terá pouco impacto na inflação e no crescimento do país. Antes, os urubólogos da imprensa garantiam que não havia crise internacional e que as dificuldades brasileiras eram decorrentes dos erros da presidenta Dilma. Agora, os otimistas de plantão na mídia chapa-branca culpam o cenário mundial – “o preço do barril saiu da casa de US$ 44 para US$ 55 em pouco mais de 20 dias”, lamenta a revista Época – e tentam limpar a barra do Judas Michel Temer. O que não faz a grana da publicidade, além das opções políticas e ideológicas dos barões da mídia.

Por Altamiro Borges*, em seu blog

“VOCÊ ESTÁ FAZENDO O TEU POSSÍVEL OU O TEU MELHOR?”

“Não é o melhor do mundo. É o teu melhor na condição que você tem enquanto não tem condições melhores para fazer melhor ainda. Pergunto de novo, mas não responda ainda, você está fazendo o teu possível ou o teu melhor? Porque se você ou eu podendo fazer o meu melhor, me contento com o possível, eu caio num lugar perigoso chamado ‘mediocridade’. Uma pessoa medíocre é aquela que é morna. Que está na média. Que não é quente e nem fria.

Lembra quando você chegava da escola com o boletim escrito: 6,0 em português, 5,5 em matemática, 4,0 em história… e você dizia: ‘deu pra passar’. Medíocre – ’Deixa, eu toco a minha vida’ – Isso é mediocridade. Porque uma pessoa medíocre é aquela que podendo fazer o seu melhor se contenta em fazer só possível.

Mediocridade é falta de capricho. Capricho é você fazer o teu melhor na condição que você tem. Exemplo: minha mãe e eu moramos na mesma rua em São Paulo e às vezes eu passo na casa dela por volta de cinco da tarde e ela me olha e pergunta: ‘você ainda não almoçou, né?’ –  e completa – espera aí que eu vou fazer um negocinho pra você.  Ela poderia fazer qualquer coisa, mas faz um talharim, com azeite. Depois corta um tomate cereja e coloca por cima. Isso é capricho.

Eu no Paraná, quantas vezes, caipira, ia até a roça visitar alguém que morava numa casa de pau-a-pique e via o chão de terra todo varrido – capricho: fazer o melhor na condição que tem enquanto não tem condição de fazer melhor ainda para não ser medíocre. Na roça eu pedia para tomar um gole d’água e a mulher pegava uma carequinha de alumínio toda amassada, mas muito bem areada – passava areia em volta. ‘Ah, mas já é pobre mesmo’ – Êpa – É pobre, mas é limpinho. Tem gente que é pobre e limpinho não é. Isso é medíocre.

Tem gente que é medíocre e sua obra é medíocre: ‘ah, mas do jeito que me pagam; mas eu não tenho condição…’. Há pessoas que em nome da condição, degradam a ação. Ao invés de ter um trabalho que é concomitante, luta para melhorar as condições e vai fazendo o seu melhor com aquelas que tem”.

Texto de Mario Sergio Cortella, no Portal Raízes

NATAL: “É UM CRIME ESTIMULAR A EMOÇÃO DAS CRIANÇAS PARA UM CONSUMO DESENFREADO”

Na época de Natal, o consumismo se torna algo muito perigoso. A mídia exaustivamente aproveita essa época para incentivar a comprar, comprar, comprar. Hoje as crianças não se contentam apenas com um presente pedido ao Papai Noel, mas fazem listas de brinquedos enormes e se frustram quando não recebem. E é justamente nessa época do ano que vemos as grandes diferenças entre as famílias. Muitas não têm sequer o que comer e outras se esbanjam em coisas supérfluas.

Crianças e pré-adolescentes precisam ter infância e consumir mais alegria, aventuras, desafios, e menos produtos. Empresas, inclusive programas infantis, que massacram as crianças para consumir, têm uma dívida impagável com a humanidade. As publicidades  são registradas inconscientemente em frações de segundos pelo fenômeno RAM (registro automático da memória), formando uma janela no córtex cerebral que contém não apenas o produto, mas as benesses a ele associadas. Desse modo, gera-se uma mensagem subliminar, que faz com que o consumidor, ao ver ou pensar no produto, detone o gatilho da memória, abrindo a janela que gera o desejo instantâneo de possuir não apenas o produto, mas também o prazer, ainda que falso, a ele vinculado”.

A doação e preocupação com o próximo deve ser ensinado às crianças desde cedo, inclusive durante o Natal.

Preparar sacolinhas de roupas, calçados, brinquedos e guloseimas para crianças carentes é uma forma de ensinar as crianças o verdadeiro sentido do Natal.

No começo não será fácil para a criança entender que entramos nas lojas para comprar algo que não seja para ela, mas é importante conversar e mostrar que não é só ela que gosta de brincar. Ela acabará aceitando e ainda ajudará a escolher os presentes.

O momento de maior aprendizado com certeza será a participação do seu filho na entrega das sacolinhas com brinquedos e roupas às crianças carentes. Com o passar do tempo, a criança que aprendeu a dividir e a doar, vai ficar até ansiosa em acordar cedo para levar os presentes com a mamãe e o papai, e ao chegar no local, irá se aproximando aos poucos e logo estará brincando com outras crianças.

A época do Natal é uma oportunidade muito importante para os pais ensinarem seus filhos sobre os prejuízos que envolvem o consumismo exagerado.

Até mesmo na hora na montagem da árvore de Natal e do presépio, são momentos importantes de ensino, explicando cada significado de cada enfeite e personagens da árvore e do presépio. Nessa hora, cabe aos pais ensinarem até mesmo as crianças menores, que a árvore não está ali apenas para que os presentes sejam colocados embaixo dela.

Não é preciso passar valores negativos em relação aos presentes. Muito pelo contrário, a troca de presentes mostra o valor da confraternização, da troca de carinho e amor. Os pais podem até mesmo fazer lembrancinhas com os filhos para entregarem aos familiares.

O ensino em dividir e doar vai mostrar à criança a importância em prestar atenção ao sentimento e dores de outras pessoas, no respeito aos idosos e aos animais de estimação. A criança que aprende valores torna-se multiplicadora potencial para um mundo cada vez melhor.

FILHOS SEGUEM EXEMPLOS, NÃO SEU CONSELHO

O papel dos pais é um dos mais complicados que vamos aprender ao longo da vida, posto que ter um filho implica, entre muitas outras coisas, uma felicidade extrema e um esforço constante para sua educação e seu crescimento como pessoa. Como pai ou mãe sua figura será provavelmente o maior exemplo, o maior ponto de referência, que seu filho irá ter na vida.

A maioria das crianças ouve o que dizem a elas, algumas inclusive fazem o que é dito, mas todas as crianças fazem o que os adultos fazem. De fato você aprende que, conforme cresce, seu filho escolherá, conscientemente ou não, imitar suas condutas, e isso poderá até mesmo fazê-lo consciente de alguns comportamentos que não sabia que tinha, mas que, em algum momento, são refletidos pelas crianças. Ser pai é ser exemplo até que seu filho possa ter consciência suficiente para moldar seus próprios padrões de vida.

Os anos da infância e da adolescência são decisivos

A infância e a adolescência trazem muitos desafios tanto para a vida da criança como para de seus pais. Isso se dá desse modo porque são etapas da vida em que uma pessoa começa a inserir-se em uma família, a conhecer costumes e culturas específicas e a forjar o que podem ser seus futuros valores e princípios.

Por essas razões, a disciplina e a genética que seu filho possui são tão importantes. Afinal, a educação vem dos pais, dos amigos e mais adiante a criança irá aprender também com o ambiente de seu colégio, seus professores, etc. O que seu filho valorizará nos círculos sociais é o que puder ver e o que puder aprender a partir dos exemplos observados.

Os conselhos devem ser sempre condizentes com os atos

As crianças prestam atenção em tudo, e tudo o que disser a elas deve ser acompanhado de um ato representativo: então, como pai, se você aconselha seu filho sobre qualquer aspecto e faz o contrário, provavelmente a criança dará mais atenção ao que fez do que ao que disse. Muitas serão as ocasiões na quais seu filho irá recriminá-lo, pois você não age conforme sua lição, o que lhe ajudará também a se dar conta de suas fragilidades e defeitos.

Deste modo, a coerência é à base de qualquer coisa que deseja ensinar a seu filho: se ele acha que o que escuta e o que vê é coerente, provavelmente começará a lapidar sua personalidade e sua psique a partir daí para o futuro. Seu filho o admira e o vê como seu próprio espelho, onde pode observar seu reflexo quando fica em dúvida sobre algo; aí está o desafio e o esforço de ser pai.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

MILITÂNCIA DEMOCRÁTICA

Na situação atual, todos os avanços e conquistas sociais inscritos na Constituição de 1988 estão sendo atacados e destruídos. Os golpistas violam nossas instituições e as controlam, colocando-as a serviço do retrocesso. Hoje, os direitos sociais são vistos por muitos como abusivos, como privilégios de poucos contra os interesses da maioria.

Acreditávamos ter consolidado a democracia, por isso a questão da reforma política era discutida nos marcos de uma institucionalidade, de regras do jogo que permitiriam enunciar propostas como a de um plebiscito por meio do qual a vontade popular pudesse se manifestar e influir no processo decisório, abrindo espaço para a realização de uma Constituinte independente para a reforma do sistema político. A aspiração era aperfeiçoar o sistema político no sentido de lhe atribuir maior legitimidade e representatividade graças à participação cidadã.

No entanto, o campo político conservador endureceu seu discurso e quebrou a institucionalidade democrática para impor seu programa máximo, sem negociações com a sociedade. A exclusão dos trabalhadores, das mulheres e dos negros na composição do governo Temer é um recado: o programa do governo é o da destituição de direitos em favor de uma maior acumulação rentista.

O financiamento empresarial de campanhas eleitorais em 2014 teve como resultado o controle do Congresso pelo grande capital. Pouco mais de dez grandes grupos empresariais elegeram cerca de 70% dos parlamentares, que constituíram bancadas de defesa de interesses privados. A maioria que aí se configurou obedece às orientações neoliberais e impõe uma dura agenda de ajustes na economia, o Estado mínimo do ponto de vista das políticas de proteção social, as privatizações e o desmonte do ainda incipiente Estado social. Entre seus propósitos está o barateamento do custo de reprodução da força de trabalho, isto é, a promoção do desemprego e o congelamento dos salários e das aposentadorias, com a consequente perda do poder aquisitivo dos trabalhadores.

As eleições municipais deste ano só vieram confirmar a onda conservadora. As maiorias – o que inclui amplos setores dos trabalhadores – expressaram sua insatisfação com o sistema político votando nulo ou em branco, ou deixando de comparecer às eleições. E os que foram votar optaram pelos partidos de direita. Há um descontentamento fermentando na população que, no entanto, não pode ser confundido com uma direitização geral da sociedade. O caso de São Paulo ilustra essa situação. João Dória se elegeu com 32% do total de votos, aí incluídos brancos, nulos e abstenções; 68% não votaram nele.

O golpe é o fim do pacto da Nova República. A direita dá combate aberto às oposições sociais e políticas, criminaliza os movimentos sociais, prende suas lideranças, ataca a liberdade de expressão, planta grampos de escuta e aumenta o controle. É o fim das garantias de que nossos direitos serão respeitados. A forma como o Estado tem tratado as ocupações das escolas secundárias ou os conflitos nas favelas demonstra isso. Sem mandado judicial e caracterizando estudantes e moradores de favelas como vândalos e bandidos, ou como militantes de partidos de esquerda, a polícia entra, bate, expulsa, prende e acusa esses cidadãos e cidadãs de atentarem contra a ordem e as instituições e mesmo contra os interesses das maiorias, referindo-se aos estudantes que estariam sendo privados de assistir a suas aulas.

Na ausência de diálogo e de negociação por parte dos governos, as instituições democráticas se esvaziam de importância, restando aos cidadãos e cidadãs a postura da resistência democrática e a desobediência civil.

A militância democrática se reúne por todo o Brasil buscando compreender a natureza das rupturas políticas e identificar os novos caminhos para enfrentar o governo sem voto e as mudanças que ele promove, cerceando gastos públicos e direitos adquiridos e consagrados na Constituição de 1988. São muitos milhares de pessoas que estão participando de debates, de reuniões, saindo do estado de choque provocado pelo impeachment e buscando novas formas de militância democrática.  

Os golpistas querem uma sociedade a serviço do mercado, mobilizada para maximizar seus lucros. E esse modelo de sociedade se choca com o paradigma da democracia e do respeito aos direitos humanos que, bem ou mal, convivia com a lógica do mercado no período anterior.

Entre muitos dos militantes democráticos há um consenso de que a prioridade não é mais a negociação no plano da política institucional, olhando para o governo e o poder consolidado. A prioridade passa a ser o trabalho na sociedade civil, a disputa de valores ético-políticos, a análise crítica das políticas de governo, o trabalho de formação política, a articulação das múltiplas vozes que se organizam na defesa de direitos. A questão da reforma política se põe em novos termos, desta vez entendida como um processo, que pode ser longo, que vem de baixo para cima, a partir das organizações e movimentos sociais existentes em cada território.

Não existirá uma vitória sobre o golpe sem o desenho de uma nova institucionalidade política. A resistência democrática terá de apresentar sua face propositiva, bebendo de experiências nacionais e internacionais, para propor novas instituições e mecanismos que permitam aos brasileiros e brasileiras superar este momento autoritário.

É preciso estimular a solidariedade, a confiança e a cooperação entre distintos atores: por exemplo, o apoio sindical às ocupações das escolas secundárias, bem como a apresentação e o debate nas Igrejas das ocupações feitas pelos jovens. As manifestações mais radicais de resistência democrática vêm de novos atores, novos movimentos organizados nos territórios, coletivos feministas, autonomistas, que recusam a tutela de partidos políticos.

Texto de Silvio Caccia Bava - Diretor e editor-chefe do Le Monde Diplomatique Brasil

BRASILEIRO TERÁ QUE CONTRIBUIR 49 ANOS PARA TER APOSENTADORIA INTEGRAL

A Reforma da Previdência que o governo Michel Temer encaminhou ao Congresso estabelece que todos os trabalhadores do país – exceto os militares – só poderão se aposentar aos 65 anos e desde que tenham contribuído com o regime por pelo menos 25 anos.

Para receber o valor integral do benefício, contudo, terão que contribuir por 49 anos. As novas regras prejudicam, sobretudo, os mais pobres. Caso sejam aprovadas, trabalhadores informais, do campo e mulheres serão os mais penalizados.

Diante do caráter impopular das medidas, o presidente Michel Temer evitou dar detalhes sobre a proposta no discurso que fez na segunda (5) para os líderes da base aliada. Encaminhou ainda durante a noite a reforma à Câmara, onde ela foi protocolada como PEC 287. E deixou a tarefa de expor as maldades do texto para o secretário de Previdência do Ministério da Fazenda, Marcelo Caetano, nesta terça (6).

Entre as principais medidas anunciadas, está a exigência da idade mínima de 65 anos para a aposentadoria de homens e mulheres, do campo e da cidade, dos setores público e privado. A única categoria que não será afetada pelas novas normas previdenciárias é a dos militares. O tempo mínimo de contribuição exigido também aumentará, passando a ser de 25 anos.

Hoje, o cálculo é feito de duas formas: em cima da contribuição, 35 anos para homens e 30 mulheres; ou por idade, 65 homens e 60 mulheres, com 15 anos de contribuição mínima.

Na reforma de Temer, nada é tão ruim que não possa piorar. Embora a idade mínima seja de 65 anos na proposta, o projeto diz que a regra pode ser alterada automaticamente, a depender a expectativa de vida do brasileiro. De acordo com as estimativas atuais usadas pelo secretário, a idade mínima deverá subir ao menos duas vezes até 2060, chegando a 67 anos.

E, apesar de o tempo mínimo de contribuição passar a ser 25 anos, ao cumprir esse requisito, o aposentado terá direito a apenas 76% do benefício. A cada ano de contribuição a mais, ele vai conquistando o direito a mais 1%. Significa que o trabalhador vai precisar contribuir por 49 anos para garantir o recebimento de 100% do benefício.

Direito adquirido, conceito flexível

Segundo o secretário, as novas regras, se aprovadas pelo Congresso Nacional, teriam validade somente para as pensões concedidas a partir daquele momento, ou seja, não abrangem as pensões já pagas. Segundo ele, isso significa que o governo não está mexendo em "direito adquirido".

Ocorre que, nessa interpretação, a gestão exclui as pessoas que já estão no mercado de trabalho e que começaram a contribuir para o regime acreditando que poderiam se aposentar com as regras em vigor naquele momento. Para estas, restou uma regra de transição.

Para os trabalhadores que estão mais próximos da aposentadoria (acima de 50 anos no caso dos homens e 45 anos, mulheres), será permitido requerer a aposentadoria pelas regras atuais, pagando um pedágio: um adicional de 50% sobre o tempo que faltava.

Assim, um homem com 52 anos e 34 anos de contribuição precisaria, pela regra antiga, trabalhar mais 1 ano para requerer o benefício. Sob as regras novas, ele deverá trabalhar 1 ano e meio.

Abaixo do mínimo

A PEC do governo mantém o valor das aposentadorias atrelado à política de reajuste do salário mínimo. Mas os beneficiários da LOAS (Lei Orgânica de Assistência Social) - deficientes e idosos da baixa renda - poderão receber um valor inferior ao mínimo. A idade para requerer o benefício assistencial também subirá dos atuais 65 anos para 70 anos.

O valor das pensões por morte também será menor que o piso nacional. "Nas pensões por morte, o valor pago à viúva ou ao viúvo será de 50% da aposentadoria do morto com um adicional de 10% para cada dependente. O valor pago será então igual a 60% no caso de um dependente e de 100% no caso de cinco dependentes. Essa cota não se reverterá para o parente ainda vivo quando o filho completar 18 anos de idade. Também não será possível acumulá-la com outra aposentadoria ou pensão", informou o secretário.

Trabalhadores rurais

Os trabalhadores rurais e pescadores artesanais também terão que seguir as novas regras da Previdência, caso a PEC seja aprovada. Categorias que costumam ingressar no mundo do trabalho muito cedo e cujo ofício é muitas vezes extenuante, só poderão se aposentar com 65 anos de idade e 25 anos de contribuição.

Mais que isso. Atualmente, os trabalhadores do campo podem se aposentar sem necessariamente terem contribuído para o regime, precisam apenas comprovar a atividade no campo. A partir da aprovação da reforma, eles serão obrigados a pagar contribuição, que será diferente do valor pago pelo trabalhador urbano.

A nova alíquota para a aposentadoria rural só será decidida depois de a PEC ser aprovada, por meio de um projeto de lei a ser enviado ao Congresso Nacional.

Receitas sobre exportações

O governo também quer acabar com a isenção da contribuição previdenciária sobre exportações. De acordo com Marcelo Caetano, os exportadores que contribuem hoje sobre as receitas terão que pagar a contribuição previdenciária também sobre as receitas obtidas com as vendas ao exterior.

Militares são privilegiados

As Forças Armadas não precisarão participar do "esforço coletivo" do ajuste fiscal. O governo afirmou que não incluiu os militares na reforma, uma vez que o regime de aposentadoria dos militares não precisaria ser modificado por meio de uma emenda à Constituição, como ocorre com civis. A gestão não informou, entretanto, quando e se haverá um projeto de lei a parte, estabelecendo novas regras para a previdência dos militares.
Do Portal Vermelho, com agências

METADE DOS ALUNOS BRASILEIROS NÃO SABE FAZER CONTA, NEM ENTENDE O QUE LÊ

Os países asiáticos, com Cingapura à frente, lideram o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês) de 2015, enquanto o Brasil caiu nas três áreas de avaliação

O Brasil está estacionado entre os piores desempenhos do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), de acordo com os resultados da avaliação de 2015, divulgados hoje (6) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O Pisa mediu o conhecimento dos estudantes de 72 países em leitura, ciências e matemática. Nas três, a média dos estudantes brasileiros ficou abaixo da dos demais países. Em matemática, o país apresentou a primeira queda desde 2003, início da série histórica da avaliação.

Em ciências, a média do Brasil foi 401 pontos, enquanto a média dos países da OCDE foi 493. Em leitura, o país obteve 407 pontos, abaixo dos 493 pontos dos países-membros da OCDE e em matemática, o desempenho brasileiro foi de 377 contra 490 da OCDE.

De acordo com os critérios da organização, 30 pontos no Pisa equivalem a um ano de estudos. Isso significa que, em média, os estudantes brasileiros estão cerca de três anos atrás em ciências e leitura e mais de três anos em matemática.

O Pisa testa os conhecimentos de estudantes de 15 anos de idade em matemática, leitura e ciências. A avaliação é feita a cada três anos, e cada aplicação é focada em uma das áreas. Em 2015, o foco foi em ciências, que concentrou o maior número de questões da avaliação.

Participaram da edição do ano passado 540 mil estudantes que, por amostragem, representam 29 milhões de alunos dos países participantes. A avaliação incluiu os 35 países-membros da OCDE, além de economias parceiras, como o Brasil. No país, participaram 23.141 estudantes de 841 escolas. A maior parte deles (77%) estava matriculada no ensino médio, na rede estadual (73,8%), em escolas urbanas (95,4%).

QUASE METADE DOS ESTUDANTES BRASILEIROS ESTÁ ABAIXO DO NÍVEL DE APRENDIZAGEM

Quase metade dos estudantes brasileiros (44,1%) está abaixo do nível de aprendizagem considerado adequado em leitura, matemática e ciências. Esses estudantes obtiveram uma pontuação que os coloca abaixo do nível 2, considerado adequado nas três áreas avaliadas pelo Pisa.

Separadamente, 56,6% estão abaixo do nível 2 e apenas 0,02% está no nível 6, o máximo da avaliação. Em leitura, 50,99% estão abaixo do nível 2 e 0,14% estão no nível máximo; em matemática, 70,25% estão abaixo do adequado, contra 0,13% no maior nível.

Isso significa que esses estudantes não conseguem reconhecer a ideia principal em um texto ou relacioná-lo com conhecimentos próprios, não conseguem interpretar dados e identificar a questão abordada em um projeto experimental simples ou interpretar fórmulas matemáticas.

"O nível 2 é o nível considerado mínimo para a pessoa exercer a cidadania", diz a secretária executiva do Ministério da Educação (MEC), Maria Helena Guimarães de Castro. "Todos os educadores insistem e nós também na questão da equidade. Esse resultado mostra problema de desigualdade muito grande".

Em matemática, o país teve uma trajetória positiva desde 2003, início da série histórica, quando obteve 356 pontos. Nas avaliações seguintes, obteve 370 em 2006 e 386, em 2009. Em 2012, o país atingiu 389 pontos. Houve uma elevação real de 21 pontos na média dos alunos no período de 2003 a 2012. Em 2015, no entanto, o país caiu para 377, o que significa um declínio de 11,4 pontos. Apesar de ser uma queda, pelos critérios da OCDE, não se trata de grande diferença.

Nas demais avaliações, o país está estagnado. Em ciências, a proficiência média do Brasil foi 390 em 2006; 405 em 2009; e 402 em 2012. As pontuações não apresentam diferenças estatísticas, segundo o relatório da OCDE, o que mostra que o país está estagnado. O mesmo ocorre em leitura. Em 2000, o país obteve 396; em 2003, 403; em 2006, 393; em 2009, 412 e em 2012, 407. Essas diferenças são consideradas insignificantes estatisticamente.

BRASIL OCUPA A 63ª POSIÇÃO EM CIÊNCIAS; A 59ª POSIÇÃO EM LEITURA E A 65ª POSIÇÃO EM MATEMÁTICA

Em comparação com os demais países, o Brasil ocupa a 63ª posição em ciências; a 59ª posição em leitura e a 65ª posição em matemática. O ranking considera 70 economias - foram excluídas a Malásia e o Cazaquistão, que não seguiram as mesmas regras de amostragem dos demais países, o que não permite a comparação.

No topo do ranking de ciências estão Cingapura (556), o Japão (538) e a Estônia (534). Em leitura estão Cingapura (535), Hong Kong (China), o Canadá (527) e a Finlândia (526). Em matemática, Cingapura também aparece em primeiro lugar, com 564 pontos, seguida de Hong Kong (548) e Macau (China), com 544 pontos.

A OCDE pondera que as condições socioeconômica do Brasil e dos países da OCDE são diferentes. Enquanto no Brasil, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita considerado no estudo é de US$ 15,9 mil, a média da OCDE é de US$ 39,3 mil por habitante. Os países-membros da organização também investem mais por estudantes dos 6 aos 15 anos, US$ US$ 90,3 mil, enquanto no Brasil esse gasto é de menos da metade, 38,2 mil.

Outros países, no entanto, como a Colômbia, o México e o Uruguai gastam menos por estudante que o Brasil e tiveram um desempenho melhor em ciências - respectivamente, 416, 416 e 435 pontos. O Chile, que gasta o mesmo que o Brasil, também obteve uma pontuação maior, de 447.

DESIGUALDADE ENTRE SISTEMAS DE ENSINO NOS ESTADOS

Dados apresentados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela aplicação do Pisa no Brasil, mostram que há no país grande desigualdade entre os estados em relação aos resultados do exame.

Em ciências, o estado que obteve a maior pontuação foi o Espírito Santo, com 435 pontos. O estado com o pior desempenho foi Alagoas, com 360 pontos. De acordo com os critérios da organização, 30 pontos no Pisa equivalem a um ano de estudos. Isso significa que, em média, há mais de dois anos de diferença entre os dois estados. A média do Brasil em ciências foi de 401 pontos.

Em leitura, cuja média do Brasil foi de 407 pontos, e em matemática, cuja média foi 377, 15 estados ficaram abaixo da média nacional: Roraima, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Pará, Pernambuco, Rondônia, Amapá, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Sergipe, Maranhão, Tocantins, Bahia e Alagoas.

Entre os fatores destacados pelo Inep que influenciam o baixo desempenho está o índice de repetência que, entre outras questões, pode desestimular os estudantes. Na avaliação, 36% dos jovens de 15 anos afirmaram ter repetido uma série pelo menos uma vez.

O nível socioeconômico também influencia o desempenho. Alunos com maior nível socioeconômico tendem a tirar notas maiores. Entre os países da OCDE, a diferença entre estudantes com maior e menor nível pode chegar a 38 pontos de proficiência. No Brasil, essa diferença chega a 27 pontos, ou o equivalente um ano de aprendizagem.

DESEMPENHO DO BRASIL EM EDUCAÇÃO É PIOR ENTRE OS QUE MENOS INVESTEM NO SETOR

Na avaliação da secretária executiva do Ministério da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, o resultado geral do Brasil "é muito ruim em comparação até com países que têm investimento menor que o nosso em educação e, inclusive, um nível de desenvolvimento inferior ao do Brasil. Países como a Colômbia e o México, que tinham um desempenho parecido e agora ja superaram o Brasil", afirma.
                                       
De acordo com Maria Helena, é possível "dar um salto de qualidade" desde que haja políticas públicas adequadas. Segundo ela, a formação de professores é chave nesse processo. Ela aposta na definição da Base Nacional Comum Curricular para melhorar o ensino. A base vai definir o mínimo que estudantes devem aprender, desde o ensino infantil até o ensino médio. O documento, que está em discussão para o ensino médio e em fase final de elaboração para as demais etapas, vai orientar também a formação dos professores.

"Acho que o Pisa é bom relatório para que se entenda as enormes dificuldades do país, que não melhora a educação básica e, ao mesmo tempo, pensa em melhorar a economia. Só vai conseguir melhorar [a economia] se melhorar a educação básica."

CORTE DE EMPREGOS E DE DIREITOS: DUAS FACES DA MESMA MOEDA

Duro ajuste fiscal tem, por um lado, fechado grande quantidade de agências do BB e da Caixa. Por outro, corta dezenas de milhares de Bolsas Família e ameaça Minha Casa, Minha Vida.
Por Emir Sader

Governos precisam de bancos públicos quando vão realizar importantes políticas sociais. Por isso, governos tucanos terminaram com os bancos públicos em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, entre outros estados. Porque não priorizam as políticas sociais. Seus bancos são os bancos privados.

Na última campanha eleitoral, embora afirmassem que manteriam as políticas sociais dos governos do PT – reconhecidas como chave do sucesso desses governos –, os candidatos da direita eram desmentidos por seus gurus econômicos, que revelavam a verdade das suas posições. Um desses gurus chegou a dizer que a economia não cresce porque o salário mínimo é muito alto – afirmação reiterada por FHC. Outro dizia que dos bancos públicos não restaria quase nada. Não se sabe se o seu candidato tivesse triunfado, se seguiria fazendo políticas sociais com o Bradesco ou o Itaú.

Agora, com o governo golpista, a aplicação do duro ajuste fiscal tem, por um lado, fechado grande quantidade de agências do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. Por outro, estão cortando dezenas de milhares de Bolsas Família e ameaçando fazer o mesmo com o Minha Casa Minha Vida. São duas caras da mesma moeda. Menos políticas sociais, menos agências dos banco públicos.

Para isso, contam com a distância entre os funcionários da Caixa, por exemplo, e os beneficiários do Bolsa Família e do Minha Casa Minha Vida. Quando o destino dos dois está totalmente imbricado um no outro. Resistir contra o fechamento das agências do Banco do Brasil e da Caixa é resistir contra o brutal corte de recursos para as políticas sociais.

É o momento de os trabalhadores dos bancos públicos estabelecerem estreita aliança com os beneficiários dessas políticas, usando os cadastros desses beneficiários nos distintos programas sociais do governo. Buscá-los, ajudá-los a se reunir, discutir com eles estratégias conjuntas, trazê-los para as manifestações dos trabalhadores bancários. Da mesma forma que os petroleiros têm de unir suas lutas às dos estudantes e dos professores, que resistem aos cortes dos recursos para as políticas educacionais e que são diretamente afetados pelas privatizações do pré-sal, que tem destinado recursos para as políticas sociais.

São dois temas centrais na ação devastadora do governo golpista: golpear os trabalhadores, elevando significativamente o desemprego e enfraquecendo a sua capacidade de negociação. E rebaixar as condições de vida da massa da população, diminuindo radicalmente as políticas sociais.

Todos os que lutam contra o governo golpista e suas medidas antinacionais, antidemocráticas e antipopulares têm de estudar essas medidas, se dar conta dos setores que são afetados por elas e ajudar a que tomem consciência disso, para construir uma barreira popular de contenção contra esses retrocessos. Hoje, a linha divisória não é mais entre os que estão a favor e contra o golpe, mas entre os que estão a favor dessas medidas e os que estão contra, entre o 1% mais rico e a quase totalidade dos brasileiros.

Fonte: Rede Brasil Atual

ATÉ A IMPRENSA INTERNACIONAL RECONHECE DANO DA PEC 55

The Guardian: PEC 55 é mais um golpe contra os pobres do Brasil

O britânico The Guardian publicou um editorial de Mariana Prandini Fraga Assis, doutoranda em Política pela New School for Social Research, em Nova Iorque, de onde ela também recebeu um M.Phil em Política. No texto ela critica fortemente a PEC 55, a antiga PEC 241, uma emenda que estabelece um limite de gastos no Brasil. Essa medida é tão séria que para ser aplicada necessita modificar a Constituição de 1988, por isso trata-se de uma PEC – Projeto de Emenda Constitucional.

A autora conta em seu texto para o Guardian que os pobres brasileiros há muito tempo contam com um sistema de direitos humanos básicos, como saúde, educação e segurança social. Mas esta realidade pode em breve mudar drasticamente. O presidente não-eleito do Brasil, Michel Temer, está buscando alterar a Constituição para impor medidas de austeridade sem precedentes para as próximas duas décadas, privando efetivamente os brasileiros comuns, e especialmente os cidadãos mais vulneráveis do país.

Temer, ex-aliado de Dilma Rousseff e vice-presidente, chegou ao poder em agosto, quando Rousseff foi deposta do cargo em um processo de impeachment altamente controverso, denominado por muitos como um golpe parlamentar, descreve Mariana para The Guardian. O país que assumiu está enfrentando uma grave crise econômica semelhante à que enfrenta muitos dos vizinhos do Brasil; Sua resposta para uma economia estagnada é congelar o orçamento federal por décadas através de uma emenda constitucional.

PEC 55, como a emenda é conhecida no Brasil, estabelece que para os próximos 20 anos, o crescimento da despesa pública anual será limitada à taxa de inflação do ano anterior, congelando, em termos reais, as despesas federais até 2037.

O artigo lembra que enquanto alguns países, como a Alemanha e o Reino Unido, recorreram no passado a regras de despesas como um mecanismo para reduzir o déficit orçamental, nenhum deles o fez através de uma alteração constitucional ou por uma duração tão prolongada. Em todos os outros casos, as regras fiscais foram consagradas em lei ou em um acordo de coligação, deixando flexibilidade suficiente para mudanças futuras que serão quase impossíveis no caso brasileiro.

PEC 55 não só significa que os gastos públicos com educação, assistência médica e assistência social permanecerão os mesmos durante anos à medida que a população cresce e envelhece, mas também que vários grupos de interesse estarão lutando pelo escasso dinheiro restante, informa a Bacharel em Direito no texto para o Guardian.

Além disso, esta alteração é fundamentalmente antidemocrática, analisa a Mestre em Ciência Política (2007) pela Universidade Federal de Minas Gerais. "O escandaloso Temer não foi eleito para o cargo, e a agenda econômica austera que ele procura implementar nunca recebeu apoio do povo. Como está estruturada, a PEC 55 é um ataque aberto aos direitos dos pobres: não importa quem eles elejam nas próximas duas décadas, eles terão de suportar uma política de austeridade inalterável. "

Mariana complementa afirmando que a PEC 55 é um caso de deja vu: "o novo regime está fazendo com que os pobres paguem, mais uma vez, por um projeto de lei que eles não participaram na criação, nem se beneficiarão. É uma questão emblemática em um dos países mais desiguais do mundo, onde 25% da renda total do país chega ao 1% superior."

Texto de Mariana Prandini Fraga Assis - Bacharel em Direito (2004) e Mestre em Ciência Política (2007) pela Universidade Federal de Minas Gerais. Hoje é doutoranda em Política pela New School for Social Research, em Nova Iorque, de onde ela também recebeu um M.Phil em Política (2013). Já lecionou política global, teoria política, direito processual civil, direitos humanos e prática jurídica em várias instituições no Brasil (Universidade Federal de Ouro Preto e Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix), nos EUA (Pratt Institute e Eugene Lang College), e na Alemanha (Technische Universität Dresden). Seu trabalho aparece em revistas especializadas em inglês e português, e ela contribui regularmente para blogs, como Public Seminar, Brasil em 5 e Live Encounters.
Fonte: JB

SAÚDE PUBLICA E UTI NEONATAL, UM DIREITO!

Por José Procópio
Ex-presente e atualmente membro do conselho Municipal de Saúde de Caicó

Participei na segunda-feira (05) de audiência publica na câmara municipal de Caicó com a presença do secretario estadual de Saúde, George Antunes, onde foram discutidos o descaso e a negligência do governo do estado com o Hospital Regional do Seridó e a transferência da UTI Neonatal de Caicó para Currais Novos.

Quanto ao Hospital Regional do Seridó, cabe reforçar que seu abandono pelos governos estaduais é histórico. Mudam os nomes de governadores (as), mas as mazelas se mantêm. Um descalabro que deveria envergonhar os agentes políticos de Caicó e do estado. Depois da regularização fundiária do terreno onde se encontra o hospital é de responsabilidade do governo do estado implementar em caráter de urgência as ações estruturantes e permanentes de pleno funcionamento deste hospital, inclusive antecipar a reforma e aquisição de equipamentos com os R$ 7. 300.000,00 previsto pelo RN SUSTENTÁVEL, ministério da saúde e SESAP , conforme determinou a juíza titular da 9ª Vara Federal, Sophia Nóbrega Câmara Lima, em abril de 2015. Ao mesmo tempo agilizar e transformar este hospital regional do Seridó em hospital universitário, ou seja, incluí-lo na rede de hospitais federais de ensino.

No tocante ao deslocamento da instalação da UTI NEONATAL de Caicó para Currais Novos, sou contrário e, me baseio nos seguintes argumentos: a) Caicó é um município pólo não só de uma região, mas, de dois estados, PB e RN; b) Em Caicó esta a sede física da Escola Multicampi de Ciências Médicas, assegurando aos estudantes os cenários de práticas para sua formação e garantindo a criação de programas de Residência Médica e pós-graduação; c) Aqui está o curso de Odontologia e enfermagem da UERN considerado entre os melhores do País; d) A sede da IV URSAP para todo Seridó esta em Caicó; e) A Central de regulação do Seridó se encontra em Caicó; f) O hospital Fundação Carlindo Dantas- referencia no Seridó para o atendimento materno-infantil, após intervenção judicial pratica mensalmente em média 90 partos por mês; f) O projeto de implantação da UTI Neonatal em Caicó já está elaborado e aprovado pela ANVISA; g) Os equipamento adquiridos com recursos bloqueados pelo ministério publico estão todos tombados em nome da prefeitura do município de Caicó; h) Está disponível em conta especial na prefeitura de Caicó fruto de bloqueio do ministério publico em torno de R$ 600.000,00, suficientes para executar o projeto já elaborado e de forma imediata; i) O gestor municipal atual e futuro de Caicó defenderam a permanência UTI Neonatal e se comprometeram em participar com o governo do estado do custeio, corpo técnico, manutenção e operação da unidade; j) A Comissão Interregional(CIR) dos secretários de saúde do Seridó aprovaram a implantação da UTI Neonatal e da rede cegonha no hospital fundação Carlindo Dantas entendendo que essa casa de saúde tem as condições físicas adequada para esse serviço de referencia materno-infantil.

Diante de tantas evidencias e justificativas quais as razões para não ser implantada a UTI Neonatal no Hospital Fundação Carlindo Dantas? Questões de ordem política? Jurídica? Pessoal qualificado? Infraestutura? Até onde sei para o ministério publico e a justiça o maior gargalho é de natureza jurídica. A lei 8080\90 não permite investimento publico em casa de saúde privada. Isso é relevante, porém, nesta mesma casa de saúde que hoje passa corretamente por uma intervenção judicial, tem funcionários do estado a disposição e recentemente recebeu um investimento de melhoria com recursos públicos do governo do estado, através do RN SUSTENTAVEL? Isso pode? Se pode, por que não pode implantar a UTI Neonatal estabelecendo ajustes técnicos-juridicos-administrativos cabíveis legalmente! Sei que existe uma saída imediata e sem traumas para resolver esse episódio que provoca graves prejuízos à saúde da mulher. Se for verdade que o deputado estadual Vivaldo Costa defende a permanência da UTI Neonatal em Caicó, basta um gesto de sua parte! Abdicar de ação jurídica em favor da Fundação Carlindo Dantas e deixar o hospital ser de fato uma rede de saúde publica do município, pelo contrário estar a favor que a UTI vá pra Currais Novos.

Como tantas outras vozes, eu também, quero o hospital Fundação Carlindo Dantas público, estruturado com UTI Neonatal, quadro de pessoal e profissional qualificados, sem politicagem e a serviço de uma saúde pública descente para atender com dignidade as mulheres e crianças de toda a região Seridó. Isso não é sonho. É uma necessidade e um direito das mulheres e um dever dos governantes. 

sábado, 3 de dezembro de 2016

VOCÊ ENTRE A OPÇÃO E A PRIORIDADE

Aqueles que nos procurarão quando em vez, nos momentos em que não encontrarão ninguém e então se lembrarão de nossa existência, deixemos que o tempo e a vida se encarreguem de ensinar-lhes a ser mais gente – se é que pessoas assim são capazes de aprender com os tombos.

Em tempos de relacionamentos fugazes, interesses líquidos e amores fracos, fica difícil mantermos nossa autoestima em um nível minimamente coerente. Fica difícil conseguir encontrar pessoas que conseguem se aproximar da gente de forma transparente e incondicional, saindo de si, do próprio mundinho, doando-se com generosidade sincera, mostrando-se disposta a fazer concessões, a parar bem de pertinho.

As pessoas, entre outras coisas, também são movidas por interesses, no entanto, ultimamente, parece que somente o que temos a oferecer em termos de materialidade e o que mais pesa na aproximação de quem nos procura. As necessidades atrelam-se majoritariamente ao que traz conforto material, popularidade, visibilidade social e status; ou seja, aquilo de mais precioso que temos dentro de nós não chega a valer nada.

Por isso é que algumas pessoas deixam de nos procurar, simplesmente porque o que temos é tão somente o que somos e podemos oferecer de humano, de sentimento, de afetividade. Isso é pouco, isso não tem etiqueta, o dinheiro não compra, isso não revela nosso salário mensal. E, assim, vamos deixando de ser prioridade na vida dos outros, enquanto assistimos aos amigos, parceiros, colegas de trabalho saindo à procura de alguém com quem possam desfrutar de conforto e pretenso sucesso.

Cabe-nos, nesse contexto, manter por perto somente quem vem com verdade e despretensão, quem vem somar, quem vem porque sim, sem interesses, sem cobrar por mais, quem nos enxerga além do que aparentamos. Os demais, que nos procurarão quando em vez, nos momentos em que não encontrarão ninguém e então se lembrarão de nossa existência, deixemos que o tempo e a vida se encarreguem de ensinar-lhes a ser mais gente – se é que pessoas assim são capazes de aprender com os tombos.

Somos humanos, somos sentimentos, não podemos achar que conseguiremos ficar tranquilos sendo opções últimas das pessoas, aceitando o desprezo que convém aos interesses alheios, o descaso de quem só nos enxerga quando quiser, quando estiver sozinho. Sempre seremos prioridade para a pessoa certa, para quem nos ama por inteiro e se entrega sem nem pensar em porquês. Já quem vier com menos, que se apequene para lá, bem longe de nossa felicidade.

Texto de Marcel Camargo, colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.