segunda-feira, 29 de agosto de 2016

NINGUÉM FICA ONDE NÃO EXISTE RECIPROCIDADE

Ou regamos, cuidamos e nos importamos, ou não manteremos junto aquilo que for mais precioso e quem faz a diferença em nossas vidas, porque ninguém fica onde não existe reciprocidade.

por Marcel Camargo

Uma das maiores razões do sofrimento humano é a idéia de que possuímos certas coisas e determinadas pessoas, como se fossem nossas. Muitos de nós achamos que o emprego, o cargo, a mesa de trabalho e seus objetos, o parceiro, o amigo são posses, são nossos por direito e ninguém há de mudar isso. Ledo engano.

O que temos de nosso, na verdade, é tão somente aquilo que temos dentro de nós, aquilo que nasce conosco, nosso corpo, nossa mente, nossos sentimentos, vá lá alguns objetos que compramos nossa vida tão somente. Tudo o mais faz parte do mundo, dos momentos, de segmentos de nossa jornada e, por isso, não têm obrigação de permanecer conosco.

Tudo e todos que estão junto de nós ali permanecerão enquanto for propício, enquanto estiver servindo a interesses, sejam eles de que natureza for, mesmo que por amor. Podemos ser demitidos a qualquer hora, podemos deixar de amar e deixar de ser amados a qualquer tempo, poderemos ter nossos pertences roubados, nosso cargo exonerado, nossa posição questionada. Como dizem, nada é tudo está.

Na verdade, ninguém rouba o nosso parceiro, ninguém tira o nosso emprego, ninguém destrói as nossas amizades, simplesmente porque certas coisas e determinadas pessoas a gente não perde, pois, na verdade, nunca foram nossas de fato. O que sai de nossas vidas apenas estava conosco, mas não era algo aqui de dentro, não nos pertencia, ou nem mesmo nos esforçávamos por mantê-lo. Sim, muitas de nossas perdas são consequência direta da maneira como nos comportávamos em relação a elas.

Cabe-nos, portanto, sermos o melhor que pudermos, dar o que temos de bom, compartilhar o que for mais verdadeiro, onde e com quem estivermos, sem achar que somos donos do que nos rodeia. Assim, nos momentos em que perdermos o que parecia certo, teremos consciência de que fizemos o que tinha de ser feito. Ao final, o que e quem ainda permanecer em nossas vidas será tudo aquilo de necessitamos para que possamos ser verdadeiramente felizes.

No Vida em Equilíbrio

NORDESTE - SECA REVISITADA

Pesquisadores explicam origem do fenômeno que atinge semiárido nordestino e comentam suas consequências sociopolíticas.

Por Henrique Kugler

Sol escaldante no semiárido nordestino. A inclemência das secas há tempo arrasa a terra e a vida do sertanejo. Ainda assim, “apesar das dolorosas tradições que conhece através de um sem-número de terríveis episódios, ele alimenta a todo transe esperanças de uma resistência impossível”, narrou Euclides da Cunha (1866-1909) em Os sertões. Esse texto é de 1902. De lá para cá muito mudou, mas ainda hoje a complexidade do sistema climático continua a desafiar a ciência; e as consequências da seca na região ainda nutrem acirrados debates entre acadêmicos, técnicos e gestores.

Como entender a origem das agruras climáticas que afligem o Nordeste de nosso país? “As secas costumam ser ocasionadas por dois fenômenos climatológicos de escala global”, explica o climatologista José A. Marengo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O primeiro deles é o El Niño. Trata-se de um aquecimento incomum das águas superficiais do oceano Pacífico – o que origina, na costa oeste da América do Sul, índices de evaporação e precipitação bastante elevados.

E, por incrível que pareça, essa mudança ocasional em um oceano distante é capaz de alterar, também, os padrões de circulação atmosférica no território brasileiro. Uma das consequências do El Niño é o decréscimo – por vezes radical – no regime das chuvas sobre o Nordeste de nosso país. A periodicidade desse fenômeno natural é incerta, mas ele costuma ocorrer em ciclos de dois a sete anos.

O segundo fenômeno responsável pelas sucessivas secas na região tem um nome ligeiramente mais complicado: é o que climatologistas chamam de variação do gradiente de temperatura da superfície do Atlântico Tropical. O conceito é bastante simples. De tempos em tempos, as águas do Atlântico Tropical Norte – região oceânica entre o Equador e a latitude 15° Norte – ficam mais aquecidas que as águas do Atlântico Tropical Sul – localizado entre o Equador e a latitude 15° Sul. Isso acarreta notórias alterações nas zonas de precipitação.

“Onde temos águas mais quentes, há mais evaporação; e maiores taxas de evaporação favorecem a formação de chuvas”, ensina Marengo. Quando as águas do norte se aquecem, portanto, a precipitação tende a se concentrar por lá – abandonando parte do Atlântico Tropical Sul e reduzindo significativamente o índice pluviométrico do Nordeste do Brasil.

É comum confundir os conceitos de seca e estiagem. Vale o esclarecimento. “O clima da região Nordeste é semiárido, o que significa que o ano é dividido em estações chuvosas e estações de estiagem”, explana Marengo. “Seca é quando não chove nos meses em que deveria chover.” No caso do semiárido nordestino, há expectativa de chuva entre janeiro e junho; e ausência de precipitação é esperada entre julho e dezembro.

COMO NASCEM OS PRECONCEITOS

Por Frei Betto

García Márquez, em Doze contos peregrinos, conta a história de um cachorro que, todos os domingos, era encontrado no cemitério de Barcelona, junto ao túmulo de Maria dos Prazeres, uma ex-prostituta.

Com certeza se inspirou nas histórias reais de Bobby, um terrier de Edimburgo, Escócia, que durante catorze anos guardou o túmulo de seu dono, enterrado em 1858. Pessoas comovidas com a sua fidelidade cuidavam de alimentá-lo. O animal foi sepultado ao lado e, hoje, há ali uma pequena       escultura dele e uma lápide, na qual gravaram: “Que a sua lealdade e devoção sejam uma lição para todos nós.”

Em Tóquio, ergueram também uma estátua, na estação Shibuya, em homenagem a Hachiko, cão da raça Akita que todos os dias ali aguardava seu dono retonar do trabalho. O homem morreu em 1925. Durante onze anos o cachorro foi aguardá-lo na mesma hora em que ele costumava regressar. Hoje, a estação tem o nome do animal.

Cães e seres humanos são mamíferos e, como tal, exigem cuidados permanentes, em especial na infância, na doença e na velhice. Manter vínculos de afeto é essencial à felicidade da espécie humana. A Declaração da Independência dos EUA teve a sabedoria de incluir o direito à felicidade, considerada uma satisfação das pessoas com a própria vida.

Pena que atualmente muitos estadunidenses considerem a felicidade uma questão de posse, e não de dom. Daí a infelicidade geral da nação, traduzida no medo à liberdade, nas frequentes matanças, no espírito bélico, na indiferença para com a preservação ambiental e as regiões empobrecidas do mundo.

É o chamado “mito do macho”, segundo o qual a natureza foi feita para ser explorada; a guerra é intrínseca à espécie humana, como acreditava Churchill; e a liberdade individual está acima do bem-estar da comunidade.

O darwinismo social é uma ideologia cujos hipotéticos fundamentos já foram derrubados pela ciência, em especial a biologia e a antropologia. Basta ler os trabalhos do pesquisador Frans de Waal, editados no Brasil pela Companhia das Letras. Essa ideologia foi introduzida na cultura ocidental pelo filósofo inglês Herbert Spencer, que no século XIX deslocou supostas leis da natureza, indevidamente atribuídas a Darwin, para o mundo dos negócios.

John D. Rockfeller chegou ao ponto de atribuir à riqueza um caráter religioso ao afirmar que a acumulação de uma grande fortuna “nada mais é que o resultado de uma lei da natureza e de uma lei de Deus.” Na natureza há mais cooperação que competição, afirmam hoje os cientistas. O conceito de seleção natural de Darwin deriva de sua leitura de Thomas Malthus, que em 1798 publicou um ensaio sobre o crescimento       populacional. Malthus afirmava que a população que crescer à velocidade maior que o seu estoque de alimentos seria inevitavelmente reduzida pela fome.

Spencer agarrou essa ideia para concluir que, na sociedade, os mais aptos progridem à custa dos menos aptos e, portanto, a competição é positiva e natural. E os que são cegos às verdadeiras causas da desigualdade social alegam que a miséria decorre do excesso de pessoas neste planeta, e que medidas rigorosas de limitação da natalidade devem ser aplicadas. Nem Malthus nem Spencer se colocaram uma questão muito simples que, em dados atuais, merece resposta: se somos 7 bilhões de seres humanos e, segundo a FAO, produzimos alimentos para 12 bilhões de bocas, como justificar a desnutrição de 1,3 bilhão de pessoas? A resposta é óbvia: não há excesso de bocas, há falta de justiça.

Quanto mais são derrubadas barreiras entre classes, hierarquias, pessoas de cor de pele diferente, mais os privilegiados e seus ideólogos se empenham em busca de possíveis justificativas para provar que, entre humanos, uns são naturalmente mais aptos que outros. Outrora os nobres eram considerados uma espécie diferente, dotada de “sangue azul”. Como quase não tomavam sol e tinham a pele muito branca, as veias das mãos e dos braços davam essa impressão.

Com a Revolução Industrial, gente comum se tornou rica, superando em fortuna a nobreza. Foi preciso então uma nova ideologia para tranquilizar aqueles que galgam o pico da opulência sem olhar para trás. “Que o Estado e a Igreja cuidem dos pobres”, insistiam eles. E tão logo o Estado e a Igreja passaram a dar atenção aos pobres (e é bom frisar, sem deixar de cuidar dos ricos, que o digam o BNDES e a Cúria Romana), como no caso do Estado de bem-estar social, do socialismo e da Teologia da Libertação, os privilegiados puseram a boca no trombone, demonizando as políticas sociais, acusadas de gastos excessivos, e a “opção pelos pobres” da Igreja.

Preconceitos e discriminações não nascem na natureza. Brotam em nossas cabeças e contaminam as nossas almas.

CIGARRO PODE COLABORAR PARA AUMENTO DE PESO

O efeito é maior em mulheres que estão acima do peso, segundo estudo americano. Com o paladar comprometido, elas não identificam bem o sabor de alimentos gordurosos e os consomem mais

Câncer, gastrite, úlcera, derrame, infarto, bronquite, enfisema, cárie. Longa, a lista de males provocados pelo cigarro acaba de ganhar um integrante no mínimo surpreendente. Pesquisadores dos Estados Unidos colocaram em xeque a máxima de que o tabagismo emagrece. Nem sempre. O vício engorda especialmente um grupo em que os quilos adicionais são ainda mais desastrosos: as mulheres obesas. De acordo com um estudo da Universidade de Washington, o cigarro dificulta a percepção do sabor de alimentos açucarados e gordurosos, comprometendo a sensação de saciedade por esses produtos.

“Descobrimos que as mulheres que fumam anseiam alimentos gordurosos mais frequentemente do que as que não fumam, e que o desejo por cigarros e o por comida estão relacionados de tal forma que, quanto mais elas querem o cigarro, maior é o desejo por carboidratos e alimentos ricos em gordura”, detalha Marta Pepino, integrante do estudo. Pepino e Julie Mennella partiram de constatações de que os fumantes têm hábitos alimentares insalubres se comparados aos não tabagistas.

A escolha por observar somente o comportamento das mulheres é justificada pelo fato de fumarem por razões diferentes das dos homens. Elas são, inclusive, menos propensas a parar influenciadas, entre outros fatores, pela preocupação sobre o ganho de peso pós-cessação e pela crença de que fumar emagrece. “Os fumantes não ganham menos peso corporal ao longo do tempo do que os não fumantes. Pior que isso, o fumo está associado ao aumento da obesidade central — melhor preditor de morbidade e mortalidade do que o índice de massa corporal”, detalham, no artigo publicado na revista científica Obesity.

Fonte: Correio Brasiliense

VEJA OS NÚMEROS DOS MALES DO CIGARRO


ARTISTAS E INTELECTUAIS LANÇAM NOVO MANIFESTO EM APOIO A DILMA

O ator Wagner Moura emitiu neste domingo (28) um manifesto em rechaço ao golpe em curso no Brasil. Artistas e intelectuais o apoiaram e assinaram junto o documento. Entre os signatários estão Chico Buarque, Caetano Veloso, Marieta Severo, Camila Pitanga e Paulo Betti.

Divulgação

Dilma e Chico Buarque minutos antes do início da defesa da presidenta no julgamento político, na manhã desta segunda-feira (29)Dilma e Chico Buarque minutos antes do início da defesa da presidenta no julgamento político, na manhã desta segunda-feira (29) Às vésperas do impeachment, os artistas e intelectuais pedem aos senadores para que respeitem o resultado das eleições presidenciais de 2014, quando Dilma Rousseff foi eleita presidenta da República.

Confira o documento na íntegra:

Artistas e Intelectuais brasileiros pedem que senadores respeitem o resultado das eleições de 2014
O Brasil vive um dos momentos mais dramáticos de sua história, com a proximidade da votação final sobre o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

O mundo assiste com preocupação a essa ameaça à democracia, como no caso de nossos colegas do Reino Unido, Estados Unidos, Canada e Índia, que publicaram uma declaração alertando que o impeachment representaria "um ataque às instituições democráticas", que levaria ao retrocesso econômico e social.

Os senadores que defendem o impeachment ficarão marcados na história por protagonizar o ataque mais cruel à nossa democracia desde o golpe militar de 1964. A história cobrará explicações, já que não existe base legal para justificar o impeachment.

De acordo com o Ministério Público Federal, a presidenta Dilma Rousseff não cometeu crime. Por isso, seu afastamento é claramente uma manobra política para tomada de poder sem a aprovação das urnas.

Esse ataque aos processos democráticos representa uma ameaça aos direitos humanos e levará o Brasil a uma situação de maior instabilidade política e desigualdade social e econômica.

O ator Wagner Moura afirmou: "Estamos profundamente agradecidos por essas importantes palavras de apoio de nossos colegas na Grã-Bretanha, Estados Unidos, Canada e Índia. Os políticos corruptos que lideram a articulação para depor Dilma têm de saber que há um holofote internacional iluminando suas ações. Se eles derem continuidade ao seu plano, serão lembrados pela história como os responsáveis pelo mais sinistro ataque à democracia desde o Golpe de 1964".

A manifestação de Wagner Moura contra o impedimento de Dilma recebeu adesões de:

1. Adair Rocha, professor
2. Aderbal Freire Filho, diretor teatral
3, Alice Ruiz, poeta
4. André Lázaro, professor
5.Augusto Sampaio, professor
6. Bete Mendes, atriz
7. Biel Rocha, militante de direitos humanos
8. Caetano Veloso, compositor e cantor
9. Camila Pitanga, atriz
10. Carla Marins, atriz
11. Cecília Boal, psicanalista
12. Cesar Kuzma, teólogo e professor
13. Célia Costa, historiadora e documentarista
14. Charles Fricks, ator
15. Chico Buarque, compositor e cantor
16. Clarisse Sette Troisgros, produtora
17. Cristina Pereira, atriz
18. Dira Paes, atriz
19. Dulce Pandolfi, cientista política
20. Eleny Guimarães-Teixeira, médica
21. Generosa de Oliveira Silva, socióloga
22. Gilberto Miranda, ator
23. Gaudêncio Frigotto - escritor e professor
24. Isaac Bernat, ator
25. José Sérgio Leite Lopes, antropólogo
26 Julia Barreto, produtora Julia Barreto
27. Jurandir Freire Costa, psicanalista e professor
28. Leonardo Vieira, ator
29. Leticia Sabatella, cantora e compositora
30. Luis Carlos Barreto, cineasta e produtor
31. Luiz Fernando Lobo, diretor artístico
32. Marco Luchesi, poeta e professor
33. Maria Luisa Mendonça, professora e jornalista
34. Marieta Severo, atriz
35. Paulo Betti, ator
36. Ricardo Rezende Figueira, padre e professor
37. Roberto Amaral, escritor
38. Sílvia Buarque, atriz
39. Tuca Moraes, atriz e produtora
40. Virginia Dirami Berriel, jornalista
41. Xico Teixeira, jornalista

Do Portal Vermelho, com agências

sábado, 27 de agosto de 2016

O GOLPE E A RETOMADA DOS PRIVILÉGIOS

O golpe é patriarcal, sexista, capitalista e midiático

por Eleonora Menicucci

Quem são os articuladores desse golpe em vigência? São homens brancos, ricos, violentos e vorazes, os quais se explicitaram como estruturantes do patriarcado brasileiro, que une gênero, raça e classe.

Na vigência de um golpe patriarcal, machista, sexista, capitalista, fundamentalista, midiático e parlamentar, que retirou da Presidência da República a primeira mulher eleita e reeleita com mais de 54 milhões de votos, como ficam os direitos conquistados e a cidadania das mulheres?

Quem são os articuladores desse golpe em vigência? São homens brancos, ricos, violentos e vorazes, os quais se explicitaram como estruturantes do patriarcado brasileiro, que une gênero, raça e classe. Desmontam as políticas sociais que sustentam a vida cotidiana, eliminam direitos civis, sociais e trabalhistas que garantem a cidadania e privatizam com a maior velocidade já vista todos os bens públicos.

A relação entre o patriarcado e o ultraliberalismo econômico se mostra com muito vigor no atual contexto golpista fascista, explicitado pelo fundamentalismo do Congresso Nacional, em especial da Câmara dos Deputados.

Um retrospecto na linha do tempo do golpe, que teve início com as manifestações de 2013, deixa claro que o capital, que rege os envolvidos e a Fiesp, aproveitou e financiou as manifestações de direita, conhecidas como dos “coxinh@s”. A marca do tempo se deu com a violência sexual explícita contra a presidenta na abertura da Copa do Mundo em 2014, quando a mandaram “tomar no cu”.

O governo da presidenta Dilma priorizou a autonomia das mulheres, garantindo o viver numa sociedade onde cada pessoa exerça o direito de ir e vir sem se expor a nenhum tipo de violência, discriminação e preconceito. Assim, combatemos com firmeza a cultura patriarcal da violência e do estupro com o Programa Mulher, Viver sem Violência, uma das exigências da Lei Maria da Penha, e com a Lei do Feminicídio, que tornou crime hediondo o estupro e alterou no Código Penal a tipificação da morte de mulher por sua condição de mulher como feminicídio, e não homicídio.

As mulheres estão em alerta e em luta contra os retrocessos nas políticas do governo golpista: transformar a Secretaria de Políticas para as Mulheres em “puxadinho” no Ministério da Justiça e criar um departamento de mulheres na Polícia Federal significa voltar às trevas dos anos 1970, quando todas as ações para o enfrentamento da violência contra as mulheres eram tratadas como caso de polícia.

Veio, depois, a nomeação para a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres de uma pessoa que, além de envolvida em esquema de corrupção, declarou ser contra o aborto nos casos legais.

Idade das trevas, fundamentalista, em que opinião e religião interferem na gestão das políticas. E para onde vão as mulheres estupradas, violentadas e massacradas.

Na resistência contra a efetivação do golpe, as mulheres têm assumido um protagonismo fundamental. Estão nas ruas, nas cidades, no campo, na floresta e em todos os lugares, porque sabem o que significou ter direito de ir e vir, acesso a oportunidades e cidadania.

Sabemos que nossa democracia pode ser transformada num sistema fascista, no qual se rompem os direitos, com a imposição da cultura do medo decorrente do fato de rasgarem a Constituição.

Estamos em um confronto incontornável com o patriarcado para resgatar o mandato da presidenta Dilma, com a afirmação de uma agenda política e social voltada para a superação das desigualdades sociais e garantias de todos os direitos individuais, civis, sociais, econômicos, culturais.

Eu e minha geração, que vivemos o golpe de 1964, conhecemos as barbaridades sofridas pelas torturas e sabemos que o golpe de hoje se apresenta como muito perigoso por sua forma dissimulada e fascista: entrando o dia inteiro na casa das pessoas pelas TVs com informações seletivas e distorcidas.

Eleonora Menicucci é ex-ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres do governo da presidenta Dilma Rousseff e professora titular de Saúde Coletiva da Unifesp - Ilustração: Aroeira

A FRONTEIRA ENTRE SINCERIDADE E A MATURIDADE

Sinceridade: você está preparado(A) para isso?
Costumeiramente, ao citarmos qualidades que admiramos nas pessoas elencamos a sinceridade como uma delas. Contudo, até que ponto estamos preparados para aceitar o outro como ele é e para ouvir e ponderar sobre o que o outro nos aponta?
Pensemos juntas: queremos estar rodeadas de pessoas sinceras, que nos digam tudo, que não nos escondam nada, em quem possamos confiar e com quem também possamos ser assim… Lindo isso! Em teoria, né? Vamos combinar que na prática isso não funciona bem assim.
Explico: primeiramente, nenhum de nós é um livro completamente aberto, todos têm segredos e questões particulares, e isso não precisa nem deve ser diferente. O primeiro ponto, então, é que sinceridade não é sinônimo de obrigatoriedade em dizer tudo de nós ao outro nem de esperar dele isso.  Segundo: cada um tem um histórico de vivências, uma bagagem pessoal que interfere no seu modo de ver e de lidar com as coisas. Terceiro: cada relação se constrói mediante pontos específicos e, se você parar para analisar, vai ver que tem diferentes pessoas à sua volta desempenhando diferentes funções e propiciando diferentes coisas (grupos familiares, sociais, profissionais, etc). As pessoas não são iguais e, portanto, as relações não são iguais bem como os lugares que ocupamos nas relações também não são iguais. Logo, sinceridade não se baseia necessariamente em confiança e igualdade. Essas coisas podem coexistir, mas nem sempre é assim.
Ok, e daí? Daí que a gente adora dizer que sinceridade é uma característica primordial nas relações. De fato penso que seja, mas convido-as a pensar sobre isso. Para começo de conversa, sinceridade é uma via de mão dupla, e muita gente esquece-se disso. No momento em que eu me coloco no direito de dizer o que eu bem entendo a alguém, estou automaticamente dando a esse alguém o direito de fazer o mesmo comigo. Humm… daí complica né? Percebem o quanto é fácil falarmos do outro e quão difícil é ouvirmos o outro falando dos nossos defeitos? E me refiro a defeitos, aqui, propositadamente, pois via de regra ninguém se importa muito quando suas qualidades são apontadas… mas os defeitos… ah, os defeitos! Esses doem, arfam, latejam lá dentro. Latejam tanto que muitas vezes a reação é devolver imediatamente ao outro algo que sabemos também latejar nele, como estratégia de defesa que aponta para a nossa própria falta de maturidade.
A palavra sinceridade tem sua origem no latim e significa “sem máscaras” – numa menção às máscaras que antigamente eram feitas de cera; “sem cera”, portanto.  Sincero, então, é o sujeito que usa de franqueza, de verdade. Sinceridade, dessa forma, em essência, não confere a alguém o direito de dizer ao outro o que bem entende sem medir consequências, sem pensar no efeito que isso pode causar em quem está do outro lado. Desculpem-me, mas penso que isso não seja sinceridade – embora em certa instância seja ao falar muito mais de quem despeja as falhas e dores do outro do que do outro em si e, nesse caso, é sincero, pois desvela a verdade do próprio locutor – mas sim imaturidade, incapacidade de alteridade e talvez até maldade e egoísmo maquiados de sinceridade. 
Por fim, sinceridade é qualidade e como tal pode ser positiva ou negativa.  Cada um de nós define seu uso conforme a intenção e/ou amadurecimento, utilizando-a como meio de vínculo de confiança, de aprimoramento ou como arma – podendo ferir como tal. Cada um de nós escolhe. O principal, é que para sermos sinceros não precisamos magoar, pois podemos ponderar a melhor forma de dizer o que consideramos necessário. Obviamente, não há garantias de que o outro não se magoe, já que somos todos suscetíveis à tristeza e sabemos melhor que ninguém onde apertam nossos calos.
Então, ao ouvir do outras questões sobre nós mesmos, antes de simplesmente reagir, que tal experimentar parar e pensar se não existe algum sentido naquilo que está sendo dito? E, sinceramente, me diga: está preparada para lidar com as formas de sinceridade e seus atravessamentos? É pra refletir, hein! Procure ser sincera!”
Texto de Aline Bäumer - Psicóloga

A CHAVE DA FELICIDADE SEGUNDO: ARISTÓTELES, EPICURO, NIETZSCHE, ORTEGA E SLAVOJ ZIZEK

“Todos os mortais estão em busca da felicidade, um sinal de que nenhum deles é feliz”.
                                                          Balthazar Gracian

A felicidade é uma das palavras mais difíceis de definir. A felicidade do místico não tem nada a ver com a do homem poderoso ou da pessoa comum.

Assim como na vida cotidiana encontramos diferentes definições para a felicidade, na filosofia também existem diferentes abordagens para o tema.

Aristóteles e a felicidade metafísica

Para Aristóteles, o mais proeminente dos filósofos metafísicos, a felicidade é o maior desejo dos seres humanos. Do seu ponto de vista, a melhor forma de conseguir ser feliz é através das virtudes. Cultive as boas virtudes e alcançará a felicidade.

Segundo Aristóteles, a felicidade é um estilo de vida: o ser humano precisa exercitar constantemente o melhor que tem dentro dele.

É preciso cultivar também a prudência de caráter e ter um bom “daimon” (boa sorte), para alcançar a felicidade plena. Por isso, a sua tese é conhecida como “eudaimonia”.

Aristóteles forneceu a base filosófica sobre a qual foi edificada a igreja cristã. Por isso, existe uma grande semelhança entre o que este pensador propôs e os princípios das religiões judaico-cristãs.

Epicuro e a felicidade hedonista

Epicuro era um filósofo grego que teve muitas contradições com os filósofos metafísicos. A diferença entre eles é que ele não acreditava que a felicidade provinha somente do mundo espiritual, mas também tinha muito a ver com as dimensões terrenas.

Ele fundou a “Escola da Felicidade” e a partir dela chegou a conclusões muito interessantes.

Ele postulou o princípio de que o equilíbrio e a temperança davam origem a felicidade. Essa abordagem se reflete em uma das suas grandes máximas: “Nada é suficiente para quem o suficiente é pouco”.

Ele acreditava que o amor, ao contrário da amizade, não tinha muito a ver com a felicidade. Insistia na ideia de que não devemos trabalhar para adquirir bens materiais, mas por amor pelo que fazemos.

Nietzsche e a crítica da felicidade

Nietzsche acreditava que viver pacificamente e sem qualquer preocupação era um desejo das pessoas medíocres e que não valorizam a vida.

Para ele, “estar bem” graças a circunstâncias favoráveis ou a boa sorte não é felicidade. Isto é uma condição efêmera que pode mudar a qualquer momento.

Estar bem seria uma espécie de “estado ideal de preguiça“, onde não existem preocupações e sobressaltos.

Em vez disso, a felicidade é força vital, espírito de luta contra todos os obstáculos que restrinjam a liberdade e a autoafirmação.

Então, ser feliz é ser capaz de provar dessa força vital, através da superação de dificuldades e criando formas diferentes de viver.

José Ortega y Gasset e a felicidade como confluência

Para Ortega y Gasset, a felicidade é definida quando “a vida projetada” e a “vida real” coincidem. Ou seja, quando a vida que desejamos coincide com o que realmente somos.

Este filósofo observou que se nos perguntarmos o que é felicidade, encontraremos facilmente uma primeira resposta: a felicidade consiste em encontrar algo que nos satisfaça plenamente.

Mas, na verdade, essa resposta não faz sentido. O que é esse estado subjetivo de satisfação plena? Além disso, quais são as condições objetivas para que algo consiga nos satisfazer”?

Todos os seres humanos têm potencial e desejo de ser feliz. Isto quer dizer que cada um define o que irá fazê-lo feliz; se conseguir construir a sua vida de acordo com os seus desejos, será feliz.

Slavoj Zizek e a felicidade como paradoxo

Este filósofo acredita que a felicidade é uma questão de opinião, e não de verdade; ele a considera um produto dos valores capitalistas que prometem implicitamente a satisfação através do consumo. No entanto, o ser humano é um eterno insatisfeito porque na realidade não sabe o que quer.

As pessoas acreditam que se alcançarem algo melhor (comprar uma casa, elevar o seu status, etc), poderiam ser felizes. Mas, na realidade, inconscientemente o seu desejo é outro e por isso permanecem insatisfeitos.

E para você, o que é felicidade?

Texto de Edith Casal extraído de A Mente é Maravilhosa, no Portal Raízes

TOMAR UMA, TOMAR TODAS

Por Cristina Hahn
Psicóloga

A cultura do álcool vem embebedando o jovem há muito tempo. A diversão é beber. Beber com os amigos, beber nas festas, beber... Penso e reflito no por que. O que será que se encontra no copo cheio que é a mais atraente das ocupações? Enche-se o copo e esvazia-se um ser. Será mais fácil “ser” quando se está fora de si? Por que se “ausentar de si” para estar presente na balada? A bebida excita, permite, libera, mas a ressaca volta com um real que parece duro de ver. Fico indagando a mim mesma para não cair no erro de simplesmente julgar. Prefiro questionar, tentar compreender.
Dizem que a bebida é o combustível para fazer o que se quer. Interessante! O que queremos precisa ser feito quando mal nos damos conta de nossas ações? Que querer é esse que precisa da bebida para aparecer? Onde fica a responsabilidade de cada um em suas próprias escolhas? Os grupos que bebem se conhecem sóbrios? Ou será que os encontros aproximam as pessoas pelo que elas “têm” ou “são” quando ébrios?
Não beber hoje é estar fora! Fora do contexto, fora do padrão, fora do normal! É negar-se ao ritual de tornar-se etilicamente virtual. Não acredito que a bebida seja um combustível. Se o fosse, carros andariam desgovernados quando o tanque estivesse cheio. Combustível é energia, desgoverno me parece falta de direção.
Beber para relaxar, para dar aquelas risadinhas talvez reprimidas pelo aperto do cotidiano, parece-me natural, saudável e como fator complementar de um encontro, mas não como objetivo maior. Uma noite, um alguém, um vinhozinho... Combinação perfeita! Principalmente se a harmonia não se quebra pelo excesso. Alguns dizem: “eu bebo para esquecer”. Certo, para esquecer... A amnésia alcoólica não isenta ninguém do “lembrar” que o amanhã impõe.
Tomar todas até cair. Tomar o que? Cair em que? Para que? Pelo prazer de perder a conta, de amanhã não se lembrar? Cair e não levantar, precisar “ser levado” pelo outro como se é levado pela bebida?
Por si só não podemos “falar todas” até o dia amanhecer? “Rir todas” e se embriagar de prazer? Não podemos namorar até dar vontade de não parar? Não podemos reunir até parecermos um só, inundado pelo “ser”?
Que gosto a bebida tem que arrasta o jovem como se fosse o único copo para o caminho do prazer? Que prazer é esse de no dia seguinte nem saber com quem esteve, o que fez e principalmente: quis fazer? Isso é prazer ou isso é “pra Ser”?
É, fico embriagada com tantas perguntas que afligem meu ser...
“Sair para beber com amigos” é uma frase que arrisco inverter: Beber com os amigos para “sair”. Sair de casa, sair dos outros, sair do real, sair de si. A vida pode ser maravilhosa no real! Mas então depende de nós não é? Teremos que estar presentes, mostrando a cara, se implicando na nossa vida. Para isso é preciso que estejamos lúcidos, conscientes e orientados, e responder pelos nossos atos, responsabilizarmos pelas nossas escolhas e principalmente termos a coragem de sermos o que somos quando sóbrios.
O álcool evapora no ar, mas impregna a mente. . . Que tal embriagar-se de vida pela vida, pelo viver?

ARTIGO - A TERRA SE DEFENDE

Por: Leonardo Boff - Teológo e Filósofo
Hoje é vastamente aceita, e entrou já nos manuais de ecologia mais recentes (cf.R.Barbault, Ecologia Geral, Vozes 2011), a ideia de que a Terra é viva. Primeiramente, ela foi proposta pelo geoquímico russo W.Vernadsky na década de 1920 e retomada, nos anos de 1970, com mais profundidade, por J.  Lovelock e, entre nós, por J. Lutzenberger, chamando-a de Gaia. Com isso se quer significar que a Terra é um gigantesco superorganismo que se autorregula, fazendo com que todos os seres se interconectem e cooperem entre si. Nada está à parte, pois tudo é expressão da vida de Gaia, inclusive as sociedades humanas, seus projetos culturais e suas formas de produção e consumo. Ao gerar o ser humano, consciente e livre, a própria Gaia se pôs em risco. Ele é chamado a viver em harmonia com ela, mas pode também romper o laço de pertença. Ela é tolerante, mas quando a ruptura se torna danosa para o todo, ela nos dá amargas lições.
Todos estão lamentando o baixo crescimento mundial, especialmente nos países centrais. As razões aduzidas são múltiplas. Mas para uma visão da ecologia radical, não se deveria excluir a interpretação de que tal fato resulte de uma reação da própria Terra face à excessiva exploração pelo sistema produtivista e consumista que tomou conta do mundo. Ele levou tão longe a agressão ao sistema-Terra a ponto que, como afirmam alguns cientistas, inauguramos uma nova era geológica, o antropoceno: o ser humano como uma força geológica destrutiva, acelerando a sexta extinção em massa, que já está em curso há milênios. Gaia estaria se defendendo, debilitando as condições do arraigado mito de todas as sociedades atuais, inclusive o Brasil: o mito do crescimento, o maior possível, com consumo ilimitado.
 Já em 1972 o Clube de Roma se dava conta dos limites do crescimento, este não sendo mais suportável pela Terra. Ela precisa de um ano e meio para repor o que extraímos dela num ano. Portanto, o crescimento é hostil à vida e fere a resiliência da Mãe Terra. Mas não sabemos nem queremos interpretar os sinais que ela nos dá. Queremos continuar a crescer mais e mais e, consequentemente, a consumir à tripa forra. O relatório “Perspectivas Econômicas Mundiais” do FMI prevê para 2012 um crescimento mundial de 4,3%. Vale dizer, vamos tirar mais riquezas da Terra, desequilibrando-a, como mostra o aquecimento global.
A “Avaliação Sistêmica do Milênio”, realizada entre 2001 e 2005 pela ONU, ao constatar a degradação dos principais itens que sustentam a vida advertiu: ou mudamos de rota, ou pomos em risco o futuro de nossa civilização.
Mas importa reconhecer um dilema de difícil solução: há regiões do planeta que precisam crescer para atender demandas de pobres, obviamente cuidando da natureza e evitando a incorporação da cultura do consumismo; e há outras regiões, já super desenvolvidas, que precisam ser solidárias com as regiões pobres, controlar seu crescimento, tomar apenas o que é natural e renovável, restaurar o que devastaram e devolver mais do que retiraram, para que as futuras gerações também possam viver com dignidade, junto com a comunidade de vida.
A redução atual do crescimento representaria uma reação sábia da própria Terra que nos passa este recado: “parem com a ideia tresloucada de um crescimento ilimitado, pois ele é como um câncer que vai comendo todas as células sãs; busquem o desenvolvimento humano dos bens intangíveis, que, estes sim, podem crescer sem limites, como o amor, o cuidado, a solidariedade, a compaixão, a criação artística e espiritual”.
Não incorro em erro, se acredito que está havendo ouvidos atentos para essa mensagem e que faremos a travessia ansiada.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

REVENDO A HISTÓRIA DOS GOLPES NO BRASIL

A Carta Testamento de Getúlio Vargas é uma arma contra o golpe atual

A Carta Testamento que Getúlio nos deixou é um dos mais importantes documentos de referência política e ideológica em defesa dos interesses nacionais.

O Brasil enfrenta um momento histórico de extrema gravidade. Um golpe de estado institucional está prestes a ser consumado, afastando definitivamente uma Presidenta da República eleita com mais de 54 milhões de votos.

E muito do que está em jogo hoje guarda semelhanças profundas com outra conjuntura trágica ocorrida há sessenta e dois anos, quando forças anti-democráticas com idênticos interesses anti-povo e anti-nacionais levaram o Presidente Getúlio Vargas a dar um tiro no próprio peito.

Esse gesto político extremo barrou a tentativa de golpe e levantou grande parte do povo contra líderes de direita, partidos e mídia golpistas de então, derrotando-os fragorosamente. Venceu a democracia e venceram os interesses maiores do povo brasileiro.

A Carta Testamento que Getúlio nos deixou é um dos mais importantes documentos de referência política e ideológica em defesa da democracia e dos interesses nacionais da história do Brasil.
O Fórum 21 faz aqui a sua republicação integral para difundi-la da forma mais ampla possível. Seu conteúdo profundo e sua forma aguerrida são ainda hoje uma bala de grosso calibre contra golpistas de toda espécie.

O momento exige ação, atitude, formas de luta que confrontem a farsa do rito golpista. As mais variadas e criativas. O modo como as forças democráticas irão vencer ou perder a batalha nesta reta final do golpe fará toda a diferença para os passos seguintes da história.

A firme indignação e a denúncia veemente contra a ruptura democrática em curso são essenciais, mas insuficientes. É preciso reagir também com gestos e atitudes políticas à altura da gravidade dos fatos e da desfaçatez dos golpistas.

Tudo o que eles querem – políticos de direita, dirigentes da FIESP e de várias organizações empresariais, banqueiros, donos da grande mídia, entre outros – é que a grande maioria da sociedade aceite a “normalização” do processo, sob essa espúria máscara de legalidade. É isso que os meios de comunicação oligopolizados repetem todos os dias, fazendo jus à alcunha que lhes cai tão bem: “PiG, Partido da imprensa Golpista”.

A resposta das amplas forças democráticas, que estão se manifestando em todos cantos do país, inclusive nas arenas das Olimpíadas, vistas por todo o planeta, só pode ser uma: resistência e rebeldia contra o golpe e os golpistas, em defesa ativa da democracia.

Ao romper com a Constituição, de modo farsesco e sem nenhum pudor, as elites golpistas lançam o país e suas instituições no rumo do imponderável. Quem continuará acreditando nas garantias constitucionais aos mandatos populares se este golpe se consumar? Quem respeitará poderes ilegítimos?

Mas os golpistas querem usurpar o governo de forma definitiva para impor um programa antissocial e anti-nacional que não ousariam submeter às urnas. É por isso que se voltam contra as conquistas sociais desde a era Vargas e têm por objetivo acabar com a universalização de direitos sociais inscritos na Carta de 88. Além de entregar o Pré-Sal às petroleiras estrangeiras, privatizar a Petrobras e outras empresas estatais e voltar a submeter o Brasil aos interesses das grandes potências, sepultando a diplomacia da última década, mundialmente reconhecida como independente ativa e altiva.

Perda da democracia e perda de direitos – uma regressão política, cultural e social profunda – é disso que se trata.

Mas por que republicar e divulgar amplamente agora a Carta Testamento de Getulio?

Nós sabemos que a história não se repete e que cada momento conjuntural tem suas próprias especificidades. Mas consideramos que há muito em comum nas várias conjunturas em que as elites antidemocráticas brasileiras buscaram chegar ao poder rompendo a Constituição, de forma aberta ou velada, derrubando governantes populares, eleitos democraticamente pelo povo.

Getúlio enfrentou o golpe e venceu com o sacrifício da própria vida em 24 de agosto de 1954.

Brizola também venceu o golpe contra a posse constitucional do vice-presidente João Goulart, em 7 de setembro de 1961, usando como principal arma de comunicação a Rede da Legalidade, formada por emissoras de rádio em várias regiões do país.

Jango decidiu não reagir ao golpe, em 1° de abril de1964, certamente evitando o risco de uma guerra civil e a muito provável invasão do Brasil pela Marinha dos Estados Unidos na conhecida Operação Brother Sam.

Com o domínio dos golpistas, o país e o nosso povo pagaram o preço de duas décadas de ditadura, com centenas de mortos e desaparecidos políticos e milhares de presos, torturados, exilados e banidos, além de arrocho salarial e extraordinária concentração de renda.

Temos plena consciência dos sacrifícios que o país e o povo terão que pagar se a cidadania democrática não reagir a altura nesta reta final do golpe.

Que se unam fortemente todas as forças democráticas do Brasil – partidos políticos, sindicatos, movimentos sociais, em especial a juventude combativa, os trabalhadores conscientes, as mulheres destemidas, os intelectuais e artistas libertários, os religiosos humanistas e tantos outros.

Que se avance além da denuncia indignada e das manifestações de protesto. Que se incentive a desobediência civil contra os usurpadores e os que lhes dão cobertura falsamente legal. Que se adotem variadas formas de luta e ações corajosas e criativas que desmascarem e deslegitimem na prática a farsa do impeachment no Senado.

VEJA ABAIXO A CARTA TESTAMENTO DE GETÚLIO VARGAS

REVISITANDO A HISTÓRIA: CARTA TESTAMENTO DE GETÚLIO VARGAS

Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se novamente e se desencadeiam sobre mim.

Não me acusam, me insultam; não me combatem, caluniam e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive que renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a Justiça da revisão do salário-mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente.

Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia a ponto de sermos obrigados a ceder.

Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no meu pensamento a força para a reação. Meu sacrifício nos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão. E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue terá o preço do seu resgate.

Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia, não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história.

 Fonte: Fórum 21

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

CAICÓ: POR UMA SAÚDE PÚBLICA DECENTE E EFICIENTE

O modelo médico hegemônico, hospitalocêntrico ou complexo médico-industrial, que traz uma visão contrária ao modelo preventista elaborado durante o processo de construção do SUS, precisa ser desmontado.

Reflexões do Professor Antônio Neves – candidato a vereador 

Que modelo de saúde pública queremos para o nosso município? 

Ainda vivemos e somos obrigados a fazer uso de um modelo hospitalocêntrico injusto, que alimenta a visão mercantil da saúde e segue as leis do mercado, (favorecendo somente aos que podem pagar), reforçando a indústria da doença formada por laboratórios, empresas, planos de saúde, governos assistencialistas e políticos oportunistas. Essa indústria promove a prática de assédio aos profissionais da saúde, associada a uma má qualidade nos serviços oferecidos e apropriação do Sistema pelo grupo político que está no poder (um verdadeiro toma-lá-da-cá).  Ao final, o povo segue penalizado, tendo que enfrentar filas nas madrugadas, atendimentos médicos questionáveis, esperas infinitas por simples exames e, em alguns casos, mortes de bebes e mulheres na hora do parto ou pós-parto. Precisamos romper com esta indigna cultura de crimes sociais cometidos contra o povo, principalmente os mais humildes.

Atualmente, somos vítimas de surtos de diversas doenças como dengue, zika, chikungunya, influenzaA (H1N1), microcefalia, síndrome de Guillain-Barré. O surgimento de tantas doenças é reflexo da ausência de diversas políticas públicas não executadas pelos governos do passado e do presente que encaram a saúde como moeda de troca, pela manutenção das doenças, o que na prática se torna um “prato cheio” para os que veem no setor uma oportunidade de favorecimento, assistencialismo e vícios administrativos em cima das necessidades básicas da população mais carente.

Um retrato dessa realidade é a questão do saneamento básico, em Caicó ainda temos bairros onde esgotos sangram a céu aberto, lixo nas ruas é prática comum, sem falar no armazenamento incorreto da água potável.  Tal visão política, atrasada e oportunista que impera em nosso município há mais de 40 anos, vai à contramão do conceito ampliado de saúde, prevenção e atenção básica, que traz uma relação direta entre qualidade de vida condicionada a determinantes sociais, como: alimentação saudável, direito a habitação, educação, emprego e renda; proteção e sustentabilidade ao meio ambiente, trabalho digno, transporte público de qualidade, lazer, esporte e cultura, serviços públicos decentes, direitos iguais aos serviços de saúde em todos os níveis de necessidades e atendimentos.

Diante esta complexa problemática, afirmo que defender e reivindicar um digno funcionamento do SUS, como sistema de saúde pública que atenda a tod@ a população deve ser também obrigação prioritária de um mandato de vereador. Entendo que cobrar melhorias dos serviços nas unidades de saúde, humanização do sistema médico-hospitalar e eficiência das ações dos programas de saúde preventiva e da atenção básica, com total prioridade para o atendimento as mulheres, crianças e idosos é mais do que uma obrigação, é também responsabilidade político-social daqueles que se elegem dizendo ser representantes do povo.  Saúde pública de qualidade não se negocia, não se troca por favores, nem se barganha por votos, é uma obrigação dos poderes públicos.

Fortalecer o SUS e um direito inalienável do cidadão.

Este é meu compromisso!

terça-feira, 23 de agosto de 2016

UBES LANÇA CAMPANHA CONTRA O PROJETO "ESCOLA SEM PARTIDO"

A chamada Primavera Secundarista, movimento que ocupou mais de 600 instituições de ensino em todas as regiões do Brasil, tem agora pela frente um inverno rigoroso de luta contra o conservadorismo na educação ao enfrentar um projeto que foi batizado de “Escola Sem Partido”. A entidade disponibilizou uma cartilha on line [disponível abaixo] que explica o quanto nocivo significa a implementação desse projeto.

Impulsionada por forças reacionárias da política e da sociedade, a proposta está em tramitação em diversas Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais país afora e conta com a simpatia do governo ilegítimo de Michel Temer e do seu malvado favorito, o ministro golpista da Educação, Mendonça Filho.

Em tempo, o Congresso Nacional mais conservador de todos os tempos quer aprovar a toque de caixa o PL 867/2015, de autoria do deputado Izalci Lucas Ferreira (PSDB), membro da bancada evangélica da Câmara, e instituir de vez a Lei da Mordaça contra estudantes, professores e qualquer um que insista em provar o pensamento crítico e democrático dentro do ambiente escolar.

A UBES defende que, através da reflexão crítica sobre o mundo é possível melhorá-lo e torná-lo mais justo e democrático. Esse é o sentido de uma educação libertadora: gerar novos saberes para que possamos combater as injustiças sociais e não encará-las como naturais.

Abaixo, 8 Motivos para ser contra a "Lei da Mordaça"

1. É contra a democracia na escola
A Lei é uma iniciativa de censura e perseguição à liberdade de expressão dentro do ambiente escolar, amplamente garantida pela Constituição de 1988. Significa a supressão da democracia nas salas de aula e a livre organização dos estudantes.

2. É contra o movimento estudantil
O grêmio estudantil e os estudantes que constroem ações como a #PrimaveraSecundarista e lutam pela gestão democrática e pela participação do estudante dentro das escolas se tornam os alvos principais do projeto conservador.

3. Desconstrói o papel da escola
O projeto ultraconservador quer impedir o debate plural sobre temas cruciais como história, política, gênero, direitos humanos e combate às opressões, barrando o exercício de uma pedagogia que propicie a autonomia de pensamento dos estudantes.

4. Retira o diálogo da escola com a realidade
Como impor a neutralidade do discurso nas escolas quando a própria realidade não é neutra? A escola é para formar jovens com possibilidade de olhar para o mundo e se desafiarem a torná-lo um lugar melhor através do seu trabalho e dos seus conhecimentos.

5. Impede a troca de saberes
Projetos de Lei como a 867/2015, que tramita no Congresso Nacional, querem cercear o debate em sala de aula e a troca de saberes entre os estudantes ao proibir o debate, a divergência e a troca de experiências.

6. Coloca a história em risco
A ideologia conservadora do projeto nos impede de saber nossa própria história de lutas e resistência. Em um país no qual os estudantes enfrentaram os militares e derrubaram a ditadura, a Lei da Mordaça levaria à padronização arbitrária do ensino.

7. Coloca o professor em uma situação delicada
Um dos pontos mais controversos reside na ideia de que os educadores e educadoras não devem discutir, nos espaços escolares,temas e conteúdos que possam contradizer as convicções morais dos pais e mães dos estudantes. Dependendo da turma, o professor estaria num impasse ao abordar temas importantes que dividem opiniões.

8. É um projeto golpista
O Escola sem Partido surgiu há 12 anos, mas virou pauta da vez apenas no governo golpista, depois que o ilegítimo ministro da Educação, Mendonça Filho, recebeu o controverso ator Alexandre Frota ao lado de manifestantes do grupo pró-golpe Revoltados Online para debater o projeto.

Fonte: Ubes